segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Mais um infeliz !




Ele morava na rua de Saint Sulpice. Mas deixou a casa.
"Perto demais do Sena, disse ele, e um passo em falso dá-se num repente".
Foi-se embora.
Pouca gente pensa no facto de a água existir;
água profunda, e por toda a parte. 
Os rios dos Alpes não são tão profundos, 
mas são extremamente rápidos (o que vem dar ao mesmo). 
A água é sempre a mais forte, 
seja lá qual for a maneira como se apresente. 
E como se encontra por todos lados, em quase todas as estradas… 
bem pode haver pontes e mais pontes - basta faltar uma 
e a pessoa afoga-se, tão certo como antes de haver pontes. 
"Tome Hemostil, dizia o médico, 
isso é do sangue." 
"Tome Antastene, dizia o médico, 
isso é dos nervos."
"Tome bals dizia o médico, 
isso é da bexiga."
Oh! a água, 
toda essa água pelo mundo fora! 

Henri Michaux 

Bratz Elian 
enfim! é o que tem pra hoje ...

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Argentina. Mi Buenos Aires querida!


Buenos Aires é, com certeza, a mais européia das cidade sul-americanas. Esta é a quinta vez que por lá me aporto. Sua geografia, seu clima, sua gente, sua cultura, sua gastronomia, seus hábitos e costumes, tudo permeado por rara semelhança à Europa.
De quebra, ainda fui a Colónia del Sacramento no Uruguai. Uma cidade pequena, de origem portuguesa, também de rara beleza e esplendor. Também o Uruguai mantém muito da cultura européia em toda a sua atmosfera.
Foi uma viagem inesquecível, uma oportunidade magnífica de Bratz e Elian celebrarem seus 44 anos de união que se completam no próximo dia 26 de Setembro.
Deixo aqui em vídeo, um pouco das belezas e emoções por nós vivenciadas neste 12 dias.

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

domingo, 19 de agosto de 2018

Belo Horizonte, suas Feiras e suas Mostras Culturais!



Belo Horizonte dentro de suas particularidades, além de ser considerada a capital dos bares, vem se constituindo também na capital das feiras gastronômicas e de artesanato.
Todos os finas de semana elas fervilham por toda a cidade.
Eu, como amante deste tipo de eventos, curto por demais me fazer presente em muitas.
A Cuccina Braccini de meu irmão tem estado presente com sucesso.
Outra marca desta cidade são as permanentes Mostras Culturais em seus diversos espaços.
Hoje o destaque vai para a Casa Fiat de Cultura com a Mostra “SÃO FRANCISCO NA ARTE DE MESTRES ITALIANOS”
Obras de importantes coleções italianas, que datam dos séculos XV a XVIII, traduzem as fases mais relevantes da representação de São Francisco. A mostra inclui um passeio virtual à Basílica Superior de Assis, na Itália
Séculos se passaram e as artes renascentista e barroca continuam encantando a humanidade. Obras de mestres como Tiziano Vecellio, Perugino, Orazio Gentileschi, Guido Reni, Guercino e os Carracci fazem, hoje, parte de importantes coleções italianas e chegam pela primeira vez ao Brasil. Este incomparável acervo poderá ser apreciado na Casa Fiat de Cultura, a partir do dia 8 de agosto, na exposição “São Francisco na Arte de Mestres Italianos”, que reúne 20 obras realizadas entre os séculos XV e XVIII. 
Entre as obras, os quadros “San Francesco riceve le stimmate” (1570), de Tiziano Vecellio, “San Francesco sorretto da un Angelo” (primeira metade do séc. XVII), de Orazio Gentileschi, e “San Francesco confortato da un angelo musicante” (1607-1608), de Guido Reni, que também pintou a Bandeira de Procissão “Francesco riceve le stimmate (frente); San Francesco predica ai confratelli (verso)” (séc. XVII), “San Francesco d’Assisisi e quattro disciplinati” (1499), de Perugino, e “San Francesco riceve le stimmate” (1633), de Guercino. A exposição traz, ao todo, acervos de 15 museus de 7 cidades italianas: Galleria Corsini, Palazzo Barberini, Musei Capitolini, Museo di Roma, Museo Francescano dell’Istituto Storico dei Cappuccini (Roma); Pinacoteca Civica, Sacrestia della chiesa di San Francesco, Convento Cappuccini (Ascoli Piceno); Museo Nazionale d'Abruzzo (L'Aquila), Galleria Nazionale dell’Umbria (Perugia); Istituto Campana per l'Istruzione permanente (Osimo); Museo Civico (Rieti), Pinacoteca Nazionale (Bolonha) e Duomo di Novara (Novara). A mostra conta, ainda, com uma importante obra de Ludovico Cardi (conhecido como Cigoli), “St. Francis Contemplating a Skull”, propriedade do colecionador e ator ítalo-americano Federico Castelluccio. O quadro veio de Nova York para integrar a exposição de Belo Horizonte.
Proporcionando uma experiência imersiva e única, a mostra também inclui uma sala de Realidade Virtualque vai transportar o visitante da Casa Fiat de Cultura para a Basílica Superior de Assis (1228), na Itália, com o uso de óculos de tecnologia 3D. Será possível caminhar por uma das mais importantes e belas basílicas do país e conhecer obras-primas do pintor italiano Giotto (1267-1337), artista símbolo dos períodos medieval e pré-renascentista. Tradição, arte e tecnologia se encontram nesta exposição. 











ps: Dia 22 Bratz e Elian embarcam para uma viagem a Buenos Aires. Voltamos dia 02 de setembro. Até a volta. Beijos a todos

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Meu mamilo esquerdo dói!




Puxões de cabelo, mordidas, contato físico violento, arranhões e afins; sexo às vezes deixa marcas, desconforto muscular e um pouco de dor.

Tentando evitar a lascívia, não comentarei as aventuras de uma noite com uma pegada mais forte; todavia meu mamilo dói e me faz lembrar a última transa - só mais uma transa!

Mas as pequenas dores do “Day After” não são nada comparadas a uma dose de ressaca moral, odeio o tipo “arrependido”, mas também não concordo com a máxima de que só nos arrependemos daquilo que não fizemos.

A questão é simples, desde a pré-trepada eu já sabia que não tínhamos nada em comum e o resultado seria no máximo medíocre, na acepção de mediano mesmo.

Foi prazeroso e intenso, mas algum mecanismo pessoal me deixou com a sensação de ter feito algo errado, de inadequação. Muitas vezes me fiz a pergunta: Por que fui para a cama com este cara? Mas racionalizando eu pergunto: E por que não?

Vai entender esta minha cabecinha e seus tantos becos escuros, tortuosos e até mesmo íngremes.

Sinto-me como se tivesse traído alguém, mas quem?
Penso no amor, se ele está aos gritos batendo à porta e eu fingindo não o ouvir; negando e evitando o inevitável.
Medo de adentrar nas águas de um novo amor e, de novo, me afogar sem uma mão que me resgate ou mesmo um suicida para junto submergirmos nos sentimentos, tantos sentimentos, muitas vezes sem sentido.
Quero certezas, acertar o tempo do amor “sem me precipitar e nem perder a hora”, Ana Carolina ai ai ai ...
Confusão absurda, mas concluo que sexo é sexo, amor é amor, e sexo é para todo mundo, já o amor, o amor é para poucos.
E para tentar colocar ordem nestas linhas, já que na minha vida pessoal não consigo, é inevitável eu afirmar que não apenas a superfície do meu peito dói, algo dentro sofre e incomoda. Há sim um vazio a ser preenchido.


Bratz Ellian
enfim! é o que tem pra hoje ...

domingo, 5 de agosto de 2018

Bem no Fundo!



No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela - silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

Paulo Leminski


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Smoke gets in your Eyes!



Arte é algo primoroso mas os gays sabem, como ninguém, valorizá-la com criatividade e sensibilidade.


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Arte Gay!


Definitivamente a criatividade na arte de fotografar não tem limites. Neste contexto os gays não ficam para trás, por vezes estão muito à frente.
Confiram estes trabalhos garimpados na internet e curtam a musicalidade de Schubert em sua Serenata.
Preciosidades sem limites.
 
Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Ritmos da Noite!



Por vezes somos pegos ao acaso e forçados a uma viagem inesquecível no túnel do tempo.
Foi assim quando da estada do amigo AD aqui por Minas Gerais. Fomos à uma festa no Bar do Caixote e, por lá, conhecemos uma banda que, se não era perfeita, tinha um repertório de tirar o fôlego.
Seu nome: Ritmos da Noite.
Um flashback memorável dos anos de ouro da música pop mundial. Uma sequência que me fez reviver os bons e velhos tempos do Bratz. Dancei, cantei e até emocionei muito com esta volta ao passado.
Muitos de vocês talvez nunca tenham ouvido estas canções mas, enfim, resolvi colocar aqui algumas destas canções.

ps: e assim o "enfim!" completará 11 anos no próximo dia 19/07/2018. Isso também é coisadotempo 

    


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Matando Saudades do Amigo AD!



Lá se vão 08 anos de grande amizade. Encontros lá, aqui e acolá. Momentos felizes, dores agudas, emoções que contribuíram para fortalecê-la mais e mais. Depois de 04 anos de muita saudade recebemos, aqui nas Minas Gerais, o AD, o querido amigo de Aracaju/Sergipe.
Muita festa, muita proza, muita comida, muita bebida, muita rizada e uma viagem inesquecível pelo nosso interior mineiro: Catas Altas, Santa Bárbara e Ouro Preto.
Que esta estadia por aqui seja um marco de muitas outras e de outras tantas, minha e  Elian pelas adoráveis terras nordestinas.
Compartilho com os amigos de BlogsVille um pouco de minha emoção neste reencontro com meu maior amigo.
Beijão para você querido AD. A saudade já se faz presente.
Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Decepções e um pouco de cafajestagem!





Decepções e um pouco de cafajestagem
Atravessando uma fase de atropelamentos amorosos. Estou cafona - digno de novela mexicana mal dublada - e as perturbações emocionais são diversas, eis o cardápio: Encontro apaixonado com um ex (atualmente casado), “amizade” com esposa de um objeto do meu desejo, pseudo-casamento-relâmpago de amiga (a mais vagabunda e dissoluta), e o único ser capaz de me fazer acreditar no amor anuncia que voltou com a ex-mulher. 
A fim de superar o desastre da minha vida emocional, e esquecer os recentes acontecimentos, não me fiz de desentendido e, enfim, decidi “dar um confere” em um desses homens que sempre se mostram disponíveis. O sexo pelo sexo pode até não preencher suas lacunas emocionas, porém relaxa, desestressa e ajuda a melhorar a autoestima. Já que não existia a menor chance de uma segunda intenção, além de sexo-adulto-sem-compromisso-e-nada-de-ligar-no-dia-seguinte, as coisas foram facilitadas. Diante da vítima eu cometi o crime, e lembrei da máxima popular que afirma que o crime não compensa, pois esse não compensou! Parece exagero, mas o infeliz é muito ruim de cama, descrevo:
Mãos - São fundamentais, mas a criatura não sabia o que fazer com as suas, mesmo eu conduzindo pelos caminhos a percorrer (nota 01, ao menos tentou).
Beijo - A língua não era habilidosa e a boca ficava aberta demais, o melhor é esquecer (nota 03, muito me incomodava).
Layout - Um tipo comum: tatuagem com nome de filho, tamanho compacto, tom de pele inspirador, corrente de prata no pescoço. (nota 05, não o apontaria no meio da rua).
Verbal Ao menos não era “mudo”, mas o repertório era fraco e a voz baixa e sem personalidade. (nota 03, não falou nenhum palavrão).
Movimentação Melhor não me aprofundar, igual a ele. (nota 04, ir e vir todo mundo sabe).
Calibre Abaixo da média nacional, grande glande, curto e não tão grosso – que cafajeste estou! (nota 05, razoável).
Aroma Melhor quesito, sem perfume artificial e com cheiro característico de homem. (nota 06, a salvação).
Resultado final, nota 04. No máximo vou cumprimentá-lo quando o ver de novo. E agora, não bastassem os fracassos emocionas, tenho a obrigação de sexualmente me “dar” bem, pelo menos minha vida sexual tem de ser satisfatória já que a emocional ...


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Uma crise!




Meu corpo parece insuficiente para me caber e, de novo, sinto que estou perdido em uma estrada escura e desconhecida às vésperas de ser atropelado por uma manada de cavalos selvagens, cavalgados por demônios - os meus.
Tudo é falta, nada satisfaz. Há só ausência, tanta.
O medo sorri para mim, com sua boca sem dentes e malcheirosa. Onde está você? A promessa de felicidade que sua mão deixou aqui, onde está? 
Quero quebrar as correntes, correr nu, apostar todas as fichas, oferecer a outra face, ser apontado na rua, digno de pena ou inveja. 
O preço é alto, o passo irreversível, mas meu corpo pede o seu, e preciso me reencontrar nos seus olhos que fizeram eu me perder de mim. Hoje vivo me escondendo do mundo, à procura do que fui e aterrorizado por perceber no horizonte à frente eu transformado em uma sombra pálida – o aborto de nós dois. Tão pouco o tempo que passamos juntos, mas é como se fossemos dois velhos à espera do abraço da morte que deixará um de nós só. Até quando? Inevitável o reencontro. 
Que venha o arrependimento - estou pronto - vou sem freio ao seu encontro disposto a te dizer: “Você me faz bem, e sou seu até quando eu caber em você, e não sobrar.” 
De braços abertos ou cabeça baixa, é sua a resposta e minha a expectativa.


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Pés! Mais que sensualidade!



O que dizer da sensualidade desta parte anatômica do corpo masculino?
Pura sensualidade!
Deixo aqui um vídeo, sonorizado com Frédéric Chopin - Spring Waltz, que configura esta constatação.
Confiram. 
Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Luxúria!



Mais um vídeo na categoria homoerótica - Luxúria.
Uma sequência de belíssimas fotos de sensualidade ímpar, alimentada pela magnífica peça lírica de Pietro Mascagni - Intermezzo.
Desfrutem sem moderação.
Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Um Pouco mais da História de Minha Família - "Figueiredo"!




Como falei no post passado sobre a família de minha mãe trago, aos amigos de BlogsVille, uma postagem minha datada de 28 de março de 2015.

"Foi com enorme emoção que vi, esta semana, parte da história da minha famíla por parte de mãe, ser retratada e revivida com rigores históricos por Eder Ayres Siqueira.

Ela, além da força pessoal mostra também, um pouco da história das Minas Gerais e, por que não dizer, do próprio Brasil. 
Compartilho com vocês, pedindo desculpas pelo tamanho do texto, mas não seria conveniente editá-lo pois, perderia muito de sua autenticidade e originalidade."

"Você conhece a história do Casarão Doutor Moreira? 
O Casarão Doutor Moreira abriga hoje as Secretarias Municipais de Agricultura e Meio Ambiente,de Saúde,de Cultura e Turismo, o Escritório da EMATER, a Casa do Empreendedor e a Escola de Cerâmica, mas esta bela construção tem história, e quem nos conta uma parte dela é o catas-altense, Eder Ayres Siqueira: 
Casarão Dr. Moreira “Solar dos Figueiredo” 
No jardim do lado externo do Casarão Dr. Moreira, foi afixada uma placa com os seguintes dizeres: 
"A tradição oral relata que este imóvel pertenceu ao médico Manoel Moreira de Figueiredo Vasconcelos no século XIX. Conhecido pelo espírito caridoso, aqui costumava hospedar enfermos para cura de beribéri e outras doenças da época. Também foi propriedade, no início do século XX, do Capitão Gonçalo Moreira de Figueiredo [meu bisavô], cuja esposa, Tereza de Jesus Vieira de Figueiredo [minha bisavó], teria sido assassinada em 1937, com sua serviçal, pela suposição de ter em casa um baú de ouro. Em 1984, o Casarão foi reedificado, seguindo o traçado arquitetônico original." 

obs: A dita tradição é uma história real, presenciada por meu Tio e Padrinho Custódio, na época com 7 anos de idade. Durante o crime ele ficou escondido debaixo da cama da avó Terezinha.

Vamos ver um pouco da sua história: 

O Dr. Manoel Moreira de Figueiredo Vasconcelos era catas-altense. Nasceu em 23 de outubro de 1809 e faleceu em 10 de março de 1895. Foi sepultado na quarta sepultura no arco cruzeiro da Capela-mor, do lado das epístolas na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, ao lado da sepultura da família do minerador português Capitão Thomé Fernandes do Valle. Foi casado com sua sobrinha do lado materno Dona Maria Brasilina de Alkmim Figueiredo. 
"Caridoso ao extremo, servindo-se da medicina como um instrumento que lhe fora posto nas mãos, por Deus, em benefício dos pobres, acessível a todos, afável, hospitaleiro, amigo dedicado dos seus parentes, do que nos deu superabundantes provas, pai de família exemplar, depositário fiel das tradições de honra e de fé dos seus antepassados, de uma probidade a toda prova, de uma circunspeção modelar, modesto até o mais completo desprezo das honrarias e vaidades, mas, ainda assim, nimbado de uma majestade simpática, a que davam particular realce os fios de prata de sua barba natural, completamente branca quando o conhecemos; eis, em rápido bosquejo, o perfil moral deste homem pouco comum." 
Com a morte do Dr. Moreira, o filho Capitão Gonçalo Moreira de Figueiredo passou a residir no casarão. Ele foi bom fabricante de vinho que aprendeu a fabricá-lo com o Monsenhor Mendes, o qual vinho tinha o nome de “VINHO CATTAS ALTAS” e foi “Distinguido com o Grande Prêmio no Jury da Exposição Internacional do Centenário” (Centenário da Independência do Brasil) em 1922. No solar ele possuía grande adega e plantação de videiras. Foi casado com Dona Thereza de Jesus Vieira de Figueiredo, filha do fabricante de vinhos o senhor Domingos Vieira da Silva. Ela era sua parenta também pelo lado materno, que nasceu no "Solar João Vieira da Silva" onde é hoje a "Sede da Prefeitura de Catas Altas" e foi assassinada em sua residência em 12 de março de 1937, no solar assobradado, conhecido hoje como "Casarão Dr. Moreira". Desta família, não há descendentes em Catas Altas. 
Conforme o Padre José Evangelista de Souza em seu livro "Os Povoadores de Sertões e as Minas de Ouro" a história do assassinato de Sá Therezinha foi assim descrito: "O assassinato de Sá Therezinha, Thereza de Jesus Vieira de Jesus Vieira de Figueiredo, era necessário para apaziguar a violência dos senhores de escravos, aqueles broncos lusitanos. Therezinha, mulher tão piedosa quanto caridosa! Na véspera de seu holocausto, oferecera a missa e a comunhão, em sufrágio da família de seu Eleutério, que não frequentava a Igreja, nem rezava. Pediu a Deus pela conversão do pobre do Cecílio. Que não saia de sua casa, sempre rachando lenha, no terreiro. 
Matar o violento, o carrasco ou o mandante, gera mais vingança e o ciclo da violência não termina. Torna-se necessário imolar uma vítima inocente, uma vítima não-vingada. Ou, então, entrega-se a administração da violência a um corpo, no qual todos confiam. Transferi-la da forma espontânea e impulsiva para o controle da justiça; esta administra a violência, com a aprovação de todos. Do contrário, os homens se exterminariam pela vingança. 
Therezinha Vieira preenchia todas as exigências de uma vítima agradável, vítima não-vingada, segundo René Girard. Era mulher e frágil, incapaz de ofender uma barata. Piedosa, meiga e caridosa. 
Com a crise do ouro, encerra-se o sonho das mil e uma noites. Saint-Hilaire dizia: "Catas Altas do Mato Dentro é sede de uma paróquia considerável. Os habitantes atuais desta povoação, como os de Antônio Pereira, não se entregam à agricultura; e, quando o trabalho de algumas horas lhe rendeu três ou quatro vinténs, vão descansar". 
Aliás, trabalho pesado era coisa de escravo. Os nobres gostavam mesmo era de luxar, refestelar-se em banquetes de talheres de ouro e prata e divertirem-se em caçadas glamorosas. 
"A gente estuda para não sujar as mãos", diziam os nobres. Instala-se em Catas Altas a família de Eleutério, pardos livres, fugidos da desgraça de Antônio Pereira. Chega faiscando, com a bateia, na praia, e aí fica. Mas Cecílio, filho do casal, não ajudava, não gostava de trabalhar. Sua cabeça não regulava bem. Às vezes, rachava lenha, a troco de um pedaço de pão caseiro e um copo de café com leite. Era tudo que ele queria para sobreviver, garantindo o pão de cada dia. 
A lenda do ouro ainda vagava, na imaginação do povo. O ouro era tão fácil que bastava arrancar uma touceira de capim. Ao sacudi-la derramava-se o metal. Ouro enterrado nos quintais; canastras de ouro escondidas nos porões; um veio de ouro na direção da porta do sacrário; tacho de ouro que ficou enterrado na Mina da Boa Vista. Ouro no dente: boca de ouro! 
Meteram na cabeça de Cecílio Lotério que o Capitão Gonçalo Figueiredo legara um tesouro precioso do metal à sua viúva. Sá Therezinha seria guardiã de muito ouro herdado do marido. A viúva mais rica de Catas Altas. A cobiça medrou, no coração do moço, por culpa de conversa fiada dos rapazes normais de Catas Altas. Cecílio passou a sonhar com a riqueza fácil. Imaginou uma artimanha capaz de levá-lo a botar a mão, no ouro de Sá Terezinha. 
Arquitetou o plano e o demônio entrou no seu coração para executá-lo. Esperou a noite entrar, porque o demônio só age nas trevas. Seus olhos se ofuscam com a luz do dia. 
Cecílio entra, no terreiro do sobrado, apanha o machado com que ele próprio rachava lenha. Chama à porta. Como o cordeiro em direção ao matadouro, Therezinha desce para abrir a porta. Cecílio, sem trocar palavra, agrediu-a com o machado na cabeça. Constância grita socorro e corre, em direção de sua sinhá. Em Constância ele acertou de cheio, os miolos pularam, no chão de pedra fria. Mais uma vez a terra se manchou de sangue. O sangue correu solto, esguichou em borbotões: sangue quente, sangue vivo, sangue humano.” 
Constância, por ser uma negra que morava com Sá Terezinha e lhe ajudava nos serviços da casa, não lhe causava medo. Não titubeou no golpe. Therezinha, embora meiga e frágil. introjetara sua imagem no espírito. O oprimido absorve a imagem do opressor e o reproduz. Vacilou no golpe em Sá Therezinha. Ela não morreu na hora, o conflito e a contradição interior fê-lo titubear. Constância morreu, na hora, defendendo sua Sinhá. Que nobreza de negra era esta Constância! "Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos amigos..." 
O calendário marcava, na parede: 12 de março de 1937! Sá Therezinha ainda sobreviveu sete dias, perdendo sangue. Sobrou-lhe tempo suficiente para se oferecer em sacrifício a Deus, pedindo a conversão dos pecadores. Teve forças suficientes para perdoar o seu algoz. 19 de março de 1937, dia de São José: Therezinha de Jesus Vieira de Figueiredo solta seu último suspiro. 
Sá Therezinha não foi vingada por ninguém, como era de se esperar, caso fosse assassinado um senhor de escravos ou um feitor, ... Condenado à prisão, Cecílio cumpriu sua pena na cidade de Neves. Mas virou ameaça pros meninos de Catas Altas: "cuidado que Cecílio Lotério está solto"! Uns diziam Cici Lotero, Cici Lotério. 
Fechou-se o ciclo de violência, acabou-se o risco da extinção pela vingança de um sangue derramado. Só não se fez justiça à constância, a negra, pelo gesto de nobreza. Esta mulher de altivo proceder, venha a história, um dia, insculpir-lhe o nome, no mármore de seu túmulo. 
“Chiquinha de Cláudio Felipe, com o cachimbo na boca, assentada no pilão da cozinha, lá na rua da Outra banda, advertia, com sotaque africano: "Uhm! Ocês tem que banzar, gente! Ocês todos mataram Sá Therezinha!".” 
Vale ressaltar que não havia mais escravidão naquela época, a abolição ocorreu em 13 de maio de 1888. A Constância era uma ex-escrava, com isso, era uma empregada tratada com todo carinho por dona Therezinha, como muitas outras pessoas que continuaram morando com seus senhores, ou mesmo filhos destes, como foi o caso da negra Joana e outras que continuaram morando nos Solares dos Emery, dos Ayres, etc. 

Obs.: No início do texto há referência sobre os dizeres da placa que está na frente do casarão sobre a tradição oral, por isso, esclarecemos: Tradição oral porque ainda não foi comprovado que o Dr. Moreira ali morou, mas o seu filho sim. No óbito de sua esposa D. Maria Brasilina em 1902, consta que ela era moradora em sua residência na Rua São Miguel. Também, um bisneto do Dr. Moreira, disse que o casarão não pertenceu a ele, apenas ao seu avô o capitão Gonçalo. Sabemos ainda que o Dr. Moreira era proprietário da Fazenda do Engenho da Onça, onde tinha cemitério no qual alguns escravos do mesmo foram lá sepultados.) 
O Casarão foi demolido e reconstruído. A sua inauguração foi em novembro de 1987, com o título de "Casarão Dr. Moreira" (Homenagem ao Dr. Moreira) pelo Prefeito de Santa Bárbara Dr. Eustáquio Januário Ferreira, catas-altense, e mais dois vereadores catas-altenses que representavam o Distrito lá em Santa Bárbara, sendo Sr. Adahir Alves Pereira e Sr. José Hosken, conforme se vê na placa de inauguração afixada no mesmo Casarão.""

O Cenário:

Casarão dos Bisa Antes:


Casarão dos Bisa Hoje:


Alguns dos Personagens:






Bratz Elian
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domingo, 27 de maio de 2018

A saga de uma Família Portuguesa. Os Figueiredo's!



Uma retrospectiva fotográfica que retrata parte da saga da família de minha Mãe.
Os Figueiredo's.

A família Figueiredo é bem reconhecida no Brasil. É fácil encontrar descendentes dessa família por aqui. Se você é um dos muitos descendentes dos Figueiredo, vai gostar de ver abaixo algumas curiosidades e informações desse sobrenome.
O sobrenome Figueiredo, assim como tantos outros, não surgiu no Brasil, por uma simples razão de que o Brasil foi colonizado e habitado primeiramente por estrangeiros. Dessa forma, os sobrenomes vêm de outros países e acabam ganhando popularidade uma vez que os imigrantes fizeram do Brasil sua nova morada.
Figueiredo é de origem portuguesa. Ele é classificado como toponímico, ou seja, de origem geográfica. Sua geologia refere-se a um lugar onde há figueiras (árvores de figo), conhecido por Figueiral. 
Outra provável origem para este sobrenome está relacionada a uma lenda ocorrida por volta do ano 783. Segundo a lenda, um cavaleiro arrancou o tronco de uma figueira para salvar donzelas em perigo. 
O cavaleiro era Goesto Ansures. Ele salvou donzelas cristãs de cativeiros quando eram conduzidas pelos mouros para pagamento do tributo de cem donzelas destinadas a concubinas do Rei Córdova. Os Mouros eram povos oriundos do Norte da África, que invadiram a Península Ibérica, onde hoje está localizado Portugal e Espanha, e dominaram toda a região. O herói arrancou o tronco de uma figueira e assim expulsou os inimigos e libertou as moças do cativeiro. 
Goesto Ansures apaixonou-se por uma das damas que ele salvou do cativeiro. Posteriormente casou-se com uma delas. Inicialmente tomou Figueereido como sobrenome. Posteriormente, depois de alterações gráficas, firmou-se Figueiredo. 
Existem duas variantes para o sobrenome dessa família. São elas: Figueiredo ou Figueredo. As duas variantes são bem reconhecidas e comuns de se encontrar. No Brasil, Figueiredo é a grafia mais popular para o sobrenome.

Raízes em Beira Alta . Portugal . Viseu




Bratz Elian
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domingo, 20 de maio de 2018

A Saga de uma Família Italiana. Os Braccini's!



Uma retrospectiva fotográfica que retrata parte da saga da família de meu Pai..
Os Braccini's

Família originária da Toscana, de tradição antiga e nobre, espalhada ao longo dos séculos em diferentes regiões da Itália. Essa cognominação, antes do século XV, deve derivar, por meio de mudanças na fonética dialetal, da aférese do nome medieval Fortebraccio; entretanto, não podemos excluir uma derivação do nome germânico medieval Brachus, modificado e modelado, no processo de latinização, através do uso de diminutivos ou carinhosos. Os nomes dos membros da família Braccini são freqüentemente encontrados em documentos e atos notariais, desde os séculos passados, dos quais seu status elevado aparece. A este respeito, recordamos: Atto, famoso ourives, que viveu em Pistoia, em 1394; Gioviano di Lucca, doutor em leis e pronúncia apostólica, residiu em Pistóia em 1632, autor de numerosas obras literárias e historiográficas; Gio Battista, doutor em leis, morou em Pistoia, em 1743; Lapo, notário e poeta por prazer, morou em Lucca, em 1747.


Bratz Elian
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domingo, 13 de maio de 2018

Uma aliança com a vida!



Mãe é o início de tudo e o elo eterno de uma existência.
Em homenagem ao dia deste fundamento compartilho, com os amigos, um trabalho fotográfico que mostra a saga do Bratz ao longo de sua aliança com a vida de quase 68 anos.
Momentos que a arte da fotografia, da música, das possibilidades tecnológicas nos permitem eternizar.
 
Bratz Elian
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segunda-feira, 7 de maio de 2018

Nasceu um Anjo!




Há sete ou oito anos atrás conheci o amigo Adeilson [AD]. 
Amigo?
Mais que amigo!
Um irmão, um filho, sei lá como definir.
Do nada, BlogsVille fez com que cruzássemos nossas vidas.
Rápidas mensagens virtuais e já estávamos nos conhecendo em São Paulo.
Eu aqui nas Minas Gerais e ele lá do Sergipe.
Que distância que nada. Nada nos impediu de aproximarmos e construirmos esta nossa incrível amizade.
Depois de São Paulo, logo logo eu desembarcava em Aracaju para conhecer aquela terra linda e rever o amigo.
Ele veio a Belo Horizonte e nos honrou na casa de Elian
Novas indas e vindas BH/Aracaju, Aracaju/BH,
Teve também o Rio de Janeiro e Buenos Aires.
Quantas emoções vividas e compartilhadas.
Neste meio tempo perdi minha mãe e ele, junto e solidário, me ajudando a superar a dor.
O tempo vai passando e uma nova dor se abate sobre nós.
Agora é a perda de sua mãe.
Queria muito poder estar ao seu lado neste momento e poder te abraçar. Não estou em corpo mas estarei sempre em espírito.
Só me resta tentar passar um pouco de consolo para o seu coração sofrido nesta hora.
Deixo aqui para você meu AMIGO - meu IRMÃO - meu FILHO, uma crônica que meu irmão João escreveu para minha mamys quando de sua partida.

Nasceu um Anjo!

E Deus mandou seus anjos. Eles vieram, deram voltas ao redor da cama e começaram a voar trançando pela cama. Muitos risos, brincadeiras e alegria. Eles estavam felizes, porque estavam para ganhar mais uma companheira. Mais um anjo vai subir aos céus e fazer parte deste imenso numero de anjos e espíritos de luz, que iluminam nossas vidas e destinos. 
Brincam, voam e dão até cambalhotas no ar. Eles fazem muito barulho. Inaudível aos nossos ouvidos é claro. Mas o que, aos poucos, é notado pela nova companheira. O tempo passa e eles descobrem que está na hora. É chegada a hora. Precisam levar a nova companheira. 
Tocam sua testa, para acalmar seus pensamentos. Sopram em seu ouvido mensagens que todos ficariam bem. Sua alma aos poucos começa descansar e se libertar do corpo. Precisam agora parar a válvula mestra. 
O maior trabalho que terão será parar o motor de uma vida. O mote que norteou sua existência. Como vão fazer para parar o produtor de tanto amor? Como vão parar a inspiração de tantas vidas? Como conseguiram cessar as batidas compassadas, que mesmo depois de mais de oito décadas, ainda brotam e jorram amor? Como será que conseguirão parar a fonte inspiradora de amor de tanta gente? 
Olham para o céu, parece que conversam com Deus. Todos se reúnem lado a lado ao entorno da cama. Agora batem suavemente as asas, apenas para lhe darem equilíbrio e parar no ar. Estendem suas mãos e todos tocam, juntos, o coração do novo anjo. As máquinas presas ao corpo do anjo param sem entender por que. O homem de branco que fazia seu papel muito compenetrado, não percebe que ali nascia mais um anjo. Acha ele, que ali morria uma pessoa. 
Os anjos brincalhões dão boas vindas àquela que chega. Todos se abraçam e abraçam a nova companheira. Dizem a ela que logo irá aprender a voar e que terá muito trabalho pela frente. Em um tom solene, rezam uma prece. Dão um rápido passeio para dar a última olhada em suas crias, amigos e parentes. A transição começa a acontecer. Nasce ali mais um anjo. 
Vai meu anjo, sobe para seu novo lugar. Vai voar novos voos. Vai cumprir seu novo papel. Infelizmente você não podia ser eterna aqui nesta existência, pois foi promovida com honra ao mérito, à condição de novo anjo. 
Vai meu anjo, vai espalhar amor por onde voar. Vai fazer o que mais soube fazer nesta vida - proteger, amar e ensinar. Vai mostrar a arte de saber amar incondicionalmente. Vai mostrar a arte de ser gigante, mesmo sendo pequenina. Vai mostrar a arte de ser guerreira, mesmo parecendo frágil. 
Vai meu anjo, vai agora de cima olhar por todos que sempre olhou. Vai agora de cima continuar a nos guiar. Vai agora de cima nos intuir no lugar de nos falar. Vai agora de cima nos seguir, no lugar de nos esperar. Vai agora de cima nos rodear e proteger, ao invés de apenas rezar e desejar. 
Vai meu anjo, vai brilhar onde brilham os anjos. Vai ser especial também em sua nova morada. Vai mostrar como se faz. Vai levar luz e alegria para outros lugares. Vai rever os seus. 
Vai meu anjo, vai lá para sua nova morada, falar feito anjo na chuva. Vai mostrar que tens um humor refinado. Que tens uma língua afiada. Que para proteger sua cria, enfrentou a tudo e todos. 
Vai meu anjo amado. Sei que se fosse por você não seria anjo, pelo menos agora. 
Vai meu anjo lindo. Vai meu anjo fofinho. Vai meu anjo de cabelos alvos, como suas novas asas. 
Vai meu anjo, a tristeza que deixou é passageira. O que ficará serão seus ensinamentos. O que brotará será o amor que cultivou. O que florescerá serão seus frutos. 
Vai meu anjo, seu olhar nunca sairá das nossas lembranças. Sua ausência será sentida a cada dia de nossas vidas. Seu sorriso não brilhará mais a não ser em nossas mentes. 
Vai meu anjo amado, te peço pela última vez: "Bença" Mãe! "Bença" Vó!

João Luiz Figueiredo Braccini 31-05-2012

Agora, "maiinha" é mais um Anjo! Fica bem meu querido AD.


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Fica!



Fica comigo, não me deixes,
a minha vida é tão vazia
que só tu, orgulhosamente humilde, me podes ajudar
a não perguntar mais nada.

Fica comigo, não me deixes,
tem pena da minha impaciência
que, rabiscada no diário de bordo de um navio-prisão,
perdurará até à eternidade.

Fica comigo, não me deixes
não conheces a raiva e nem a tua raiva durará para sempre –
e para onde irias, como te sentirias
quando estivesses farta? Espera um pouco, espera,
espera pelo menos até
que o carteiro chegue com as cartas que só a ti pertencem.

Vladimir Holan


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Ausência!




Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

E lá se vão seis longos anos. As lágrimas, a dor, a saudade, pouco a pouco foram sendo substituídas por este maravilhoso sentimento - Ausência.
Sim, Ausência - Um sentimento que nunca será roubado de mim.
No próximo dia 25 de abril celebrarei comigo mesmo e meu sentimento de Ausência seus 93 aninhos.
Beijo. Te amo e te amarei sempre!

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Tradição e Religiosidade nas Minas Gerais!




Aprecio e muito a nossa cultura, a nossa tradição e a nossa religiosidade em seus aspectos de dramacidade.
Este ano voltei a me fazer presente em eventos deste gênero.
Fui a Sabará, uma cidadezinha perto de Belo Horizonte, barroca e centenária, assistir e documentar sua belíssima tradição religiosa durante a Semana Santa. 
Elaborei um vídeo com as fotos dos eventos e aqui compartilho com os amigos do "enfim!"
Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Foi assim nos Bailes da Vida!


Depois de um patético circo de horrores programado pelos CANALHAS vermelhos, já ao fim da noite do histórico dia 07 de abril de 2018, que o povo brasileiro pôde dar início à virada em sua história.
Por um lado, o povo sofrido, enganado, surrupiado, roubado em seus bolsos e em sua dignidade, pôde soltar o seu grito de liberdade e de felicidade.
Confiram:



Por outro lado, a malta de cordeiros da ORCRIM [Organização Criminosa] comandada e insuflada pelo caudilho e seus asseclas, promovendo arruaça, baderna, tentativa de invasão ao prédio da Polícia Federal e confrontando as tropas de segurança.
Confiram:



Bratz, por sua vez, cantava de felicidade em solidariedade à sua gente:


Quarta feira próxima, dia 11 de abril, novo e talvez decisivo capítulo desta luta.O julgamento de ADC por parte do STF sobre a manutenção ou não da constitucionalidade do entendimento sobre a prisão de réu condenado em segunda instância após esgotados todos os recursos cabíveis nesta esfera judicial.
Estaremos alertas e esperançosos de que nossos juízes, ou a maioria deles, não nos deixem órfãos  da possibilidade de construirmos um país melhor.

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

sexta-feira, 6 de abril de 2018

A hora está próxima!


Hoje, dia 06 de Abril de 2018, quando os ponteiros do relógio marcarem 17:00 horas, este país poderá estar iniciando uma nova etapa de sua história. 
Vivido e calejado que sou pela vida, que vem desde os tempos do Presidente Juscelino Kubitschek [este sim um homem notável em todos os aspectos de sua dimensão política], passando pelo esquizofrênico Jânio Quadros, pelo populista de esquerda João Goulart, pelos 21 anos de ditadura militar, pelo mal parido José Sarney, pelo deposto Collor de Mello e seu vice Itamar Franco, pelo meio termo do Fernando Henrique até chegar ao descalabro total do período PTista com Lula, Dilma e Temer, perdi minha capacidade de acreditar e sonhar com algo melhor para este país e seu povo.
No entanto, fatos novos vivemos e que a todos surpreende, de alguma forma, reacende uma pequena chama de esperança de que esta herança terrível possa ser desfeita. 
Vejamos no dia a dia os caminhos e possibilidades que serão vislumbradas para nosso futuro. Que venham as eleições de Outubro próximo e que por elas possamos reconstruir esta nação.
Um sonho? Uma fantasia? Não sei! 
Por enquanto viajo na magnífica performance da Orquestra Sinfônica de Berlim e no lirismo musical de Louis Moreau Gottschalk em sua brilhante Grande Fantasia Triunfal Sobre o Hino Nacional Brasileiro.


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Um dia histórico precisa ser registrado!






Uma vez que a palavra “puta” já pode ser dita em voz alta diante das câmeras da TV Justiça, digo aqui, ainda com certo pudor, que a frágil ministra Cármen Lúcia impôs sua vontade às putas velhas do Supremo.
#simplesassim

Bratz Elian
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segunda-feira, 19 de março de 2018

Felicidade Clandestina! Peço um Tempo!





O dia estava pálido, e o menino mais pálido ainda, involuntariamente moço, ao vento, obrigado a viver. Estava porém suave e indeciso, como se qualquer dor só o tornasse ainda mais moço.

Clarice Lispector

ps: Voltei mas meio que não muito animado. Fase. Vai passar. Enquanto isto o Blog entra em recesso. Um dia volto. Beijão a todos.

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Aquele mesmo vazio!



Mais uma vez me encontro/perco no quarto sem luz, ameaçado pelas paredes sufocantes. Inadequação, medo, o mesmo vazio que insiste em se fazer presente, as lágrimas sempre contidas que teimam em não verter o negrume absoluto interior. O ar se torna excessivo, e uma dor inexplicável, cortante como aquela lâmina - última companheira dos suicidas.
A bússola aponta o norte, mas lá também não é o meu lugar: “Onde está ‘Pasárgada’, lá minha dor inexiste?”. O cigarro não invade o espaço, as tragadas não têm efeito e entre uma e outra ouço pessoas cantarem uma música religiosa que diz: “Deus do impossível...”, inveja dos que têm fé. Busco nos escaninhos do meu inconsciente alguma imagem que sirva de acalanto, e encontro o mar. Inconstante, absoluto em si, belo, tão repleto de significados; tenho a sensação que ao tocar o mar resvalo o mundo por completo. As águas – talvez das minhas emoções – buscam-se a todo instante e correm para o oceano que liga todos os continentes; e sinto que também faço parte dessa grande engrenagem natural denominada “vida”. Mas a vida, às vezes, falta-me e ela (a vida) corrói, abandona, ignora e pesa. Quero fugir, mas para onde? Absorto, invadido pelo desespero e violentado pela angústia e vazio...
De súbito um sorriso brota em meu rosto estéril, e percebo um brilho em meus olhos que tentam afastar a escuridão. Um “Eu já te amo”, escrito para mim (justo nesse momento) e a dor recua, não sem lutar bravamente por seu território, afinal tenho consciência que o “Eu já te amo” é uma pequena mentira, mas algumas mentiras nos salvam. A dor continua aqui a mordiscar cada centímetro de carne do meu corpo inútil, o medo está à espreita, mas aquele despretensioso “Eu te já amo” cravou uma semente de felicidade que brota frágil e sem pressa no meio desse vazio quase absoluto.


ps: Um novo recesso. Vou passear uns dias em São Paulo. Carnaval atrasado ... rs ... volto já ...

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

No rastro da Bandeira de Manuel!




O talento desse Paraibano de Campina Grande é uma coisa assombrosa. Desfrutar do trabalho desse artista é um privilégio. Suas poesias, seus causos, suas piadas, seus versos. Tudo é bem feito e tem a sua marca. Para quem não conhece, grave este nome JESSIER QUIRINO, arquiteto por opção, artista por vocação.

Vou-me embora pro passado

Jessier Quirino

"No rastro da Bandeira de Manuel"

Vou-me embora pro passado
Lá sou amigo do rei
Lá tem coisas "daqui, ó!"
Roy Rogers, Buc Jones
Rock Lane, Dóris Day
Vou-me embora pro passado.

Vou-me embora pro passado
Porque lá, é outro astral
Lá tem carros Vemaguet
Jeep Willes, Maverick
Tem Gordine, tem Buick
Tem Candango e tem Rural.

Lá dançarei Twist
Hully-Gully, Iê-iê-iê
Lá é uma brasa mora!
Só você vendo pra crê
Assistirei Rim Tim Tim
Ou mesmo Jinne é um Gênio
Vestirei calças de Nycron
Faroeste ou Durabem
Tecidos sanforizados
Tergal, Percal e Banlon
Verei lances de anágua
Combinação, califon
Escutarei Al Di Lá
Dominiqui Niqui Niqui
Me fartarei de Grapette
Na farra dos piqueniques
Vou-me embora pro passado.

No passado tem Jerônimo
Aquele Herói do Sertão
Tem Coronel Ludugero
Com Otrope em discussão
Tem passeio de Lambreta
De Vespa, de Berlineta
Marinete e Lotação.

Quando toca Pata Pata
Cantam a versão musical
"Tá Com a Pulga na Cueca"
E dançam a música sapeca
Ô Papa Hum Mau Mau
Tem a turma prafrentex
Cantando Banho de Lua
Tem bundeira e piniqueira
Dando sopa pela rua
Vou-me embora pro passado.

Vou-me embora pro passado
Que o passado é bom demais!
Lá tem meninas "quebrando"
Ao cruzar com um rapaz
Elas cheiram a Pó de Arroz
Da Cachemere Bouquet
Coty ou Royal Briar
Colocam Rouge e Laquê
English Lavanda Atkinsons
Ou Helena Rubinstein
Saem de saia plissada
Ou de vestido Tubinho
Com jeitinho encabulado
Flertando bem de fininho.

E lá no cinema Rex
Se vê broto a namorar
De mão dada com o guri
Com vestido de organdi
Com gola de tafetá.

Os homens lá do passado
Só andam tudo tinindo
De linho Diagonal
Camisas Lunfor, a tal
Sapato Clark de cromo
Ou Passo-Doble esportivo
Ou Fox do bico fino
De camisas Volta ao Mundo
Caneta Shafers no bolso
Ou Parker 51
Só cheirando a Áqua Velva
A sabonete Gessy
Ou Lifebouy, Eucalol
E junto com o espelhinho
Pente Pantera ou Flamengo
E uma trunfinha no quengo
Cintilante como o sol.

Vou-me embora pro passado
Lá tem tudo que há de bom!
Os mais velhos inda usam
Sapatos branco e marrom
E chapéu de aba larga
Ramenzone ou Cury Luxo
Ouvindo Besame Mucho
Solfejando a meio tom.

No passado é outra história!
Outra civilização...
Tem Alvarenga e Ranchinho
Tem Jararaca e Ratinho
Aprontando a gozação
Tem assustado à Vermuth
Ao som de Valdir Calmon
Tem Long-Play da Mocambo
Mas Rosenblit é o bom
Tem Albertinho Limonta
Tem também Mamãe Dolores
Marcelino Pão e Vinho
Tem Bat Masterson, tem Lesse
Túnel do Tempo, tem Zorro
Não se vê tantos horrores.

Lá no passado tem corso
Lança perfume Rodouro
Geladeira Kelvinator
Tem rádio com olho mágico
ABC a voz de ouro
Se ouve Carlos Galhardo
Em Audições Musicais
Piano ao cair da tarde
Cancioneiro de Sucesso
Tem também Repórter Esso
Com notícias atuais.

Tem petisqueiro e bufê
Junto à mesa de jantar
Tem bisqüit e bibelô
Tem louça de toda cor
Bule de ágata, alguidar
Se brinca de cabra cega
De drama, de garrafão
Camoniboi, balinheira
De rolimã na ladeira
De rasteira e de pinhão.

Lá, também tem radiola
De madeira e baquelita
Lá se faz caligrafia
Pra modelar a escrita
Se estuda a tabuada
De Teobaldo Miranda
Ou na Cartilha do Povo
Lendo Vovô Viu o Ovo
E a palmatória é quem manda.

Tem na revista O Cruzeiro
A beleza feminina
Tem misse botando banca
Com seu maiô de elanca
O famoso Catalina
Tem cigarros Yolanda
Continental e Astória
Tem o Conga Sete Vidas
Tem brilhantina Glostora
Escovas Tek, Frisante
Relógio Eterna Matic
Com 24 rubis
Pontual a toda hora.

Se ouve página sonora
Na voz de Ângela Maria
"— Será que sou feia?
— Não é não senhor!
— Então eu sou linda?
— Você é um amor!..."

Quando não querem a paquera
Mulheres falam: "Passando,
Que é pra não enganchar!"
"Achou ruim dê um jeitim!"
"Pise na flor e amasse!"
E AI e POFE! e quizila
Mas o homem não cochila
Passa o pano com o olhar
Se ela toma Postafen
Que é pra bunda aumentar
Ele empina o polegar
Faz sinal de "tudo X"
E sai dizendo "Ô Maré!
Todo boy, mancando o pé
Insistindo em conquistar.

No passado tem remédio
Pra quando se precisar
Lá tem Doutor de família
Que tem prazer de curar
Lá tem Água Rubinat
Mel Poejo e Asmapan
Bromil e Capivarol
Arnica, Phimatosan
Regulador Xavier
Tem Saúde da Mulher
Tem Aguardente Alemã
Tem também Capiloton
Pentid e Terebentina
Xarope de Limão Brabo
Pílulas de Vida do Dr. Ross
Tem também aqui pra nós
Uma tal Robusterina
A saúde feminina.

Vou-me embora pro passado
Pra não viver sufocado
Pra não morrer poluído
Pra não morar enjaulado
Lá não se vê violência
Nem droga nem tanto mau
Não se vê tanto barulho
Nem asfalto nem entulho
No passado é outro astral
Se eu tiver qualquer saudade
Escreverei pro presente
E quando eu estiver cansado
Da jornada, do batente
Terei uma cama Patente
Daquelas do selo azul
Num quarto calmo e seguro
Onde ali descansarei
Lá sou amigo do rei
Lá, tem muito mais futuro
Vou-me embora pro passado



Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

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