domingo, 9 de dezembro de 2018

Uma Noite Povoada!



“Aceito mal o que em arte se designa por inovador. Deverá uma obra ser entendida pelas gerações futuras? Porquê? Que quererá isto dizer? Que elas poderão utilizá-la? Em quê? Não vejo bem. Já vejo melhor – ainda que muito obscuramente – toda a obra de arte que pretenda atingir os mais altos desígnios deve, com paciência e uma infinita aplicação desde início, recuar milênios e juntar-se, se possível, à imemorial noite povoada pelos mortos que irão reconhecer-se nessa obra. Nunca, nunca, a obra de arte se destina às novas gerações. Ela é oferenda ao inúmero povo dos mortos.” 

Jean Genet . O Estúdio de Alberto Giacometti 

ps: E minhas férias estão aí. Dia 15 próximo indo para São Paulo. Volto em Janeiro.
A todos os amigos um Feliz Natal.

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

domingo, 2 de dezembro de 2018

Sua melhor arte!




Há suficiente traição, ódio, violência,
Absurdos no ser humano mediano
Para abastecer qualquer
exército em qualquer dia
E os melhores em matar
são aqueles que pregam contra
E os melhores em odiar
são aqueles que pregam o amor
E os melhores na guerra – finalmente –
são aqueles que pregam a paz
Cuidado com o homem mediano, a
mulher mediana, cuidado com o amor deles
Esse amor é mediano, procuram o mediano,
mas há genialidade em seu ódio
Há suficiente genialidade em seu
ódio para matá-lo, para matar qualquer um.
Não querendo a solidão
Não entendendo a solidão
Tentarão destruir qualquer coisa
que seja diferente de si mesmos
Não sendo capazes de criar arte,
eles não entenderão a arte
Considerarão as próprias falhas, como criadores,
Apenas como uma falha do mundo
Não sendo capazes de amar plenamente,
acreditarão
que seu amor é incompleto e então te odiarão
E seu ódio será perfeito como um brilhante diamante,
como uma faca, como uma montanha, como um tigre, como cicuta.
Sua melhor arte

Charles Bukowski

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

domingo, 25 de novembro de 2018

Ok!



– Faz quanto tempo?
– Um ano e meio.
– E você ainda está sozinho?
– Não, faz um ano e meio que eu vivo como um monge. Eu não acredito mais nas mulheres. As mulheres são sanguessugas. Elas te usam e te jogam fora.
– Então o que você quer comigo? 
– Você é diferente. 
– Eu percebi isso de cara, quando você disse que eu era cego. Que tudo era um ponto cego em volta do meu caminhão. Muito bem observado. Disse muito bem. Você é uma mulher inteligente. Não no sentido de esperta… Isso também, mas inteligente como uma coruja. 
– Uma coruja? 
– Sim, quer dizer…você me entende. 
– Johnny, vou te contar uma coisa. O que eu menos preciso na minha vida é mais um homem. A minha vida já é suficientemente complicada. Quero ir para casa. 
– Eu vou com você. Ficou bem de boina. 
– É da minha filha. 
– Assim você parece uma italiana. 
– Você não tem vergonha, não? 
– Só estou olhando seus tornozelos. Bonitos tornozelos. Você merece sapatos elegantes. 
– Eu não vou transar com você. Nem em mil anos. Você ouviu? Ah, me deixa em paz. 
– Qual é o problema, de verdade?A noite está bonita,você é bonita. Não tem nada para experimentar, nada para sentir? Como dizem os italianos: “Una notte senza amore è una notte perduta”. 
– Como é? 
– ‘Uma noite sem amor é uma noite perdida’. 
– Nós não estamos na Itália. Estamos em Ledeberg. E aqui não tem amor. 
– Eu olho para você e vejo a Mona Lisa. Olha, quando você sorri um pouco, quero ficar à toa. Com o meu caminhão no horizonte. Quero ficar com você. Você é minha Mona Lisa.Estou louco por você, como Da Vinci estava pela Mona! 
– Merda, diz de uma vez que quer transar comigo. 
– Mas não… minhas intenções são nobres. 
– Você fala demais. Além disso, Da Vinci era bicha. 
– Sério? 
– E a Mona Lisa não está sorrindo. Na verdade, está deprimida. Ela tenta se esconder. Ela está presa em si mesma. 
– Você não me entende. 
– Você só quer transar comigo. 
– Não é verdade. 
– É só isso, sim, amigo. 
– Tudo bem. OK. 
– OK o que? 
– Sim, você tem razão quanto a querer te levar para a cama. 
– Você quer mesmo? 
– Sim. 
– Então simplesmente diga. 
– Bem, eu gostaria com você…Você sabe disso. 
– Tudo bem. 
– O que quer dizer? 
– Foi o que eu disse: tudo bem. 
– OK. 

Do filme Moscou, Bélgica 

Bratz Elian 
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domingo, 18 de novembro de 2018

O Tédio!




Eu me dizia então que o mundo é devorado pelo tédio. Naturalmente, é preciso refletir um pouco para se dar conta disso, não é uma coisa que se perceba imediatamente. É uma espécie de poeira. A pessoa vai e vem, sem a ver, respira essa poeira, come e bebe essa poeira, e ela é tão fina que nem faz barulho quando é mordida. Mas basta parar um momento e ela torna a cobrir o rosto e as mãos da pessoa. É preciso se agitar sem parar afim de sacudir essa poeira de cinzas. Por isso mesmo, o mundo se agita muito.

George Bernanos - Diário de um Pároco de Aldeia (Paulus)

Bratz Elian
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domingo, 11 de novembro de 2018

Julgamos que a vida nos escapa e na realidade a vida é isso!



Às vezes fico com a vista parada
- por exemplo numa parede -
durante um bom bocado. os olhos
deixam de ver por fora e o corpo
parece que não o sinto. Então
normalmente dou-me conta
(e não mo explico e espanto-me)
desta coisa estranha que é viver,
e faço-me perguntas que cortam
e o que sou concentra-se num ponto
e a única coisa que sinto é que eu
- a voz que vive em mim e que me diz
isto e aquilo sem palavras -
também serei menos um. Em breve.
Que tudo o que penso agora,
o que pensei e chegarei a pensar
há muito que não é nada.

Juan Miguel López

Poesia espanhola, anos 90
Organização e tradução de Joaquim Manuel Magalhães
Relógio d´água


ps: "Quando não podemos mais mudar uma situação é porque estamos sendo desafiados a mudar a nós mesmos!"

Bratz Elian
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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Uma Trilogia Literária Infantil! Parte III



Concluindo esta trilogia de nostalgia literária infantil, compartilho com vocês esta montagem de meu terceiro livro.
As Mais Belas Histórias - Lúcia Monteiro Casasanta - Anos 50.
Quanta saudade!

Bratz Elian
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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Uma Trilogia Literária Infantil! Parte II



Em continuidade ao post anterior, hoje é o dia do meu segundo livro - O Bonequinho Doce também de Alaíde Lisboa - Ano de 1956.
Quanta saudade.
Compartilho com vocês esta montagem do exemplar original.
Bratz Elian
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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Uma Trilogia Literária Infantil! Parte I



Durante um jantar com amigos, estávamos a prosear sobre educação infantil e a relembrar os velhos tempos e compará-los com a modernidade.
Não deu outra. 
Fui vasculhar na internet sobre minhas memórias e encontrei esta preciosidade. 
Meu primeiro livro - A Bonequinha Preta de Alaíde Lisboa - Ano de 1956. 
Quanta saudade! 
Compartilho com vocês esta montagem do exemplar original.
Bratz Elian
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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Quando Mamys foi "Garota Propaganda"!


Existem pessoas que definitivamente se fazem presentes e marcam nossas vidas para sempre.
É o caso de minha prima Eliane e seu marido Márcio.
Ao longo do tempo construíram seus caminhos e neles uma família de fazer inveja.
Seus filhos [as] Breno e Érika tornaram-se Médicos como o pai e a Larissa, Psicóloga.
Casaram e também formaram famílias incríveis.
Eliane, Márcio e Breno tiveram uma presença inesquecível na vida de minha mãe e se constituíram em ídolos dela. 'Deus no céu e eles na terra", era o que ela afirmava e reafirmava sempre.
Há dez anos atrás o Breno montou com seu pai e irmãs uma clínica de atenção médica com particularidades ímpares no ramo.
Na ocasião, criaram um vídeo promocional do qual minha mãe participou como "garota propaganda".
Foi incrível aquele dia. Esta lá presente na seção de fotos e isto nunca mais saiu de minha memória. A alegria de mamys por estar ali participando e vivenciando tudo aquilo.
Esta semana fui surpreendido pelo Breno com a revitalização deste material e, confesso, emocionei novamente.
Compartilho com vocês esta peça promocional e este momento ímpar em minha vida.
ps: Mamys aparece logo no início.

 

Bratz Elian
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sábado, 6 de outubro de 2018

Uma semana para esquecer!



Uma semana e três perdas inestimáveis. 
Uma semana que iniciou trágica, teve um curso trágico, não poderia, pelo menos, terminar menos trágica?

Adeus Montserrat Caballé!


Bratz Elian
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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

E assim o mundo vai ficando cada vez mais medíocre!



Em menos de 48 horas o mundo registra duas perdas irreparáveis, que o tornam cada vez mais medíocre.
Depois de Ângela Maria aqui no Brasil, perdemos Charles Aznavour, o grande chansonier francês.
Muito triste.
Minha eterna saudade e homenagem.  

 

Bratz Elian
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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Ângela Maria - A Eterna Rainha do Rádio!



Uma das maiores cantoras brasileiras, para mim um ícone que embalou minha infância e adolescência quando ainda vivíamos tão somente a era do rádio.

Minha eterna saudade e minha homenagem.


Nome artístico

Abelim Maria da Cunha nasceu em Macaé, no Rio de Janeiro. Ela passou a infância em Niterói, São Gonçalo e São João de Meriti. Filha de pastor protestante, desde menina cantava em corais de igrejas.
Ela foi operária tecelã e inspetora de lâmpadas em uma fábrica da General Eletric, mas queria ser cantora de rádio apesar da oposição da família.
Por volta de 1947, começou a frequentar programas de calouros e passou a usar o nome Ângela Maria, para não ser descoberta pelos parentes.
Apresentou-se no “Pescando Estrelas”, de Arnaldo Amaral, na Rádio Clube do Brasil (hoje Mundial); na “Hora do Pato”, de Jorge Curi, na Rádio Nacional; no programa de calouros de Ari Barroso, na Rádio Tupi; e do “Trem da Alegria” - programa dirigido por Lamartine Babo, Iara Sales e Heber de Bôscoli, na Rádio Nacional.

Era do rádio

Em 1948, começou a cantar na casa de shows Dancing Avenida, onde foi descoberta pelos compositores Erasmo Silva e Jaime Moreira Filho. Eles a apresentaram a Gilberto Martins, diretor da Rádio Mayrink Veiga. Após um teste, ela começou carreira na emissora.
Em 1951, gravou pela RCA Victor os sambas “Sou feliz” e “Quando alguém vai embora”. No ano seguinte, sua gravação do samba “Não tenho você” bateu recordes de venda, marcando o primeiro grande sucesso de sua carreira.
Quando decidiu tentar a carreira de cantora, Ângela Maria abandonou os estudos, o trabalho na indústria e foi morar com uma irmã no subúrbio de Bonsucesso.

Princesa e rainha do rádio

Durante a década de 1950, atuou intensamente nas rádios Nacional e Mayrink Veiga, como a estrela de “A Princesa Canta”, nome derivado de seu título de “Princesa do Rádio”, um dos muitos que recebeu em sua carreira.
Em 1954, em concurso popular, tornou-se a “rainha do rádio”, e no mesmo ano estreou no cinema, participando do filme “Rua sem Sol”.

'Sapoti'

Encantado pela voz de Ângela Maria, Getúlio Vargas lhe deu o apelido de “Sapoti”. "Menina, você tem a voz doce e a cor do sapoti", teria dito o presidente.
Ainda durante a década de 1950, vários de seus sambas-canções viraram sucessos, como “Fósforo queimado”, “Vida de bailarina”, “Orgulho”, “Ave Maria no morro” e “Lábios de mel”.
Na segunda metade da década de 1960, foi a vez de “Gente humilde” ser destaque nas paradas de sucesso.
Em 1982, foi lançado o LP Odeon com Ângela Maria e Cauby Peixoto, primeiro encontro em disco dos dois intérpretes. Em 1992, a dupla lançou o disco "Ângela e Cauby ao vivo", após o show Canta Brasil.

Em 1996, foi contratada pela gravadora Sony Music e lançou o CD “Amigos”, com a participação de vários artistas como Roberto Carlos, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Chico Buarque, entre outros.
O trabalho foi um sucesso, celebrado em um espetáculo no Metropolitan (Claro Hall), no Rio de Janeiro, e um especial na Rede Globo.


Bratz Elian
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sábado, 29 de setembro de 2018

Caras & Bocas - Pagu!



Depois da nona intervenção cirúrgica no espaço de 8 anos me sinto bem assim, uma verdadeira Pagu.
Divirtam comigo ... rs
Bratz Elian
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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Esqueça, não vou me apaixonar!




Não vou me apaixonar por você, simples assim. 

E nenhum efeito vão me causar estes seus olhos amedrontados, os meios sorrisos fugidios e nem mesmo a maneira como você tenta se explicar de qualquer que seja a situação que meu olhar incisivo condena. Esqueça, não vou cair nas armadilhas de seus atos perniciosos que visam me agradar e, enfim, me capturar. Não serei seu par para mais uma dança, e nem adianta tentar me convencer mostrando as músicas de sua predileção e buscando nelas a trilha sonora em comum. Quem sabe entre elas esteja a nossa música? Não, não vou me entregar. Amigos, apertos de mãos e talvez algumas envergonhadas trocas de olhares, só isso e nada, mas nada mais mesmo. E a gente brigando, e rindo, fingindo que nos odiaríamos para todo o sempre e as mãos e faces rígidas – arianas – se desmanchando em sorrisos bobos e caretas inocentes. É, tenho de confessar, é bom estar com você, para você.

Eis que segue o fluxo cotidiano, e a certeza de que não vou me apaixonar, não posso e também não quero.

Apaixonar-se para quê? Não insista, desista de me seduzir assim de viés. Mas houve aquele beijo, as suas mãos firmes e o gosto acre na minha boca, afinal não era nela que você bebia. Perdi o chão, senti-me inadequado, um completo imbecil. Diante da realidade não me restou nenhum lapso de dignidade ou autocontrole, sem pensar fugi.

Ainda bem que não vou me apaixonar, mesmo doendo e me fazendo entristecer, além desta sensação de “por quê?” aqui em mim sei que vou melhor assim sem querer você comigo.

Giuliano Nascimento

ps: e o tempo passa. Dia 26 próximo, Bratz&Elian completam 44 anos de relacionamento.

Bratz Elian
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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Mais um infeliz !




Ele morava na rua de Saint Sulpice. Mas deixou a casa.
"Perto demais do Sena, disse ele, e um passo em falso dá-se num repente".
Foi-se embora.
Pouca gente pensa no facto de a água existir;
água profunda, e por toda a parte. 
Os rios dos Alpes não são tão profundos, 
mas são extremamente rápidos (o que vem dar ao mesmo). 
A água é sempre a mais forte, 
seja lá qual for a maneira como se apresente. 
E como se encontra por todos lados, em quase todas as estradas… 
bem pode haver pontes e mais pontes - basta faltar uma 
e a pessoa afoga-se, tão certo como antes de haver pontes. 
"Tome Hemostil, dizia o médico, 
isso é do sangue." 
"Tome Antastene, dizia o médico, 
isso é dos nervos."
"Tome bals dizia o médico, 
isso é da bexiga."
Oh! a água, 
toda essa água pelo mundo fora! 

Henri Michaux 

Bratz Elian 
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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Argentina. Mi Buenos Aires querida!


Buenos Aires é, com certeza, a mais européia das cidade sul-americanas. Esta é a quinta vez que por lá me aporto. Sua geografia, seu clima, sua gente, sua cultura, sua gastronomia, seus hábitos e costumes, tudo permeado por rara semelhança à Europa.
De quebra, ainda fui a Colónia del Sacramento no Uruguai. Uma cidade pequena, de origem portuguesa, também de rara beleza e esplendor. Também o Uruguai mantém muito da cultura européia em toda a sua atmosfera.
Foi uma viagem inesquecível, uma oportunidade magnífica de Bratz e Elian celebrarem seus 44 anos de união que se completam no próximo dia 26 de Setembro.
Deixo aqui em vídeo, um pouco das belezas e emoções por nós vivenciadas neste 12 dias.

Bratz Elian
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domingo, 19 de agosto de 2018

Belo Horizonte, suas Feiras e suas Mostras Culturais!



Belo Horizonte dentro de suas particularidades, além de ser considerada a capital dos bares, vem se constituindo também na capital das feiras gastronômicas e de artesanato.
Todos os finas de semana elas fervilham por toda a cidade.
Eu, como amante deste tipo de eventos, curto por demais me fazer presente em muitas.
A Cuccina Braccini de meu irmão tem estado presente com sucesso.
Outra marca desta cidade são as permanentes Mostras Culturais em seus diversos espaços.
Hoje o destaque vai para a Casa Fiat de Cultura com a Mostra “SÃO FRANCISCO NA ARTE DE MESTRES ITALIANOS”
Obras de importantes coleções italianas, que datam dos séculos XV a XVIII, traduzem as fases mais relevantes da representação de São Francisco. A mostra inclui um passeio virtual à Basílica Superior de Assis, na Itália
Séculos se passaram e as artes renascentista e barroca continuam encantando a humanidade. Obras de mestres como Tiziano Vecellio, Perugino, Orazio Gentileschi, Guido Reni, Guercino e os Carracci fazem, hoje, parte de importantes coleções italianas e chegam pela primeira vez ao Brasil. Este incomparável acervo poderá ser apreciado na Casa Fiat de Cultura, a partir do dia 8 de agosto, na exposição “São Francisco na Arte de Mestres Italianos”, que reúne 20 obras realizadas entre os séculos XV e XVIII. 
Entre as obras, os quadros “San Francesco riceve le stimmate” (1570), de Tiziano Vecellio, “San Francesco sorretto da un Angelo” (primeira metade do séc. XVII), de Orazio Gentileschi, e “San Francesco confortato da un angelo musicante” (1607-1608), de Guido Reni, que também pintou a Bandeira de Procissão “Francesco riceve le stimmate (frente); San Francesco predica ai confratelli (verso)” (séc. XVII), “San Francesco d’Assisisi e quattro disciplinati” (1499), de Perugino, e “San Francesco riceve le stimmate” (1633), de Guercino. A exposição traz, ao todo, acervos de 15 museus de 7 cidades italianas: Galleria Corsini, Palazzo Barberini, Musei Capitolini, Museo di Roma, Museo Francescano dell’Istituto Storico dei Cappuccini (Roma); Pinacoteca Civica, Sacrestia della chiesa di San Francesco, Convento Cappuccini (Ascoli Piceno); Museo Nazionale d'Abruzzo (L'Aquila), Galleria Nazionale dell’Umbria (Perugia); Istituto Campana per l'Istruzione permanente (Osimo); Museo Civico (Rieti), Pinacoteca Nazionale (Bolonha) e Duomo di Novara (Novara). A mostra conta, ainda, com uma importante obra de Ludovico Cardi (conhecido como Cigoli), “St. Francis Contemplating a Skull”, propriedade do colecionador e ator ítalo-americano Federico Castelluccio. O quadro veio de Nova York para integrar a exposição de Belo Horizonte.
Proporcionando uma experiência imersiva e única, a mostra também inclui uma sala de Realidade Virtualque vai transportar o visitante da Casa Fiat de Cultura para a Basílica Superior de Assis (1228), na Itália, com o uso de óculos de tecnologia 3D. Será possível caminhar por uma das mais importantes e belas basílicas do país e conhecer obras-primas do pintor italiano Giotto (1267-1337), artista símbolo dos períodos medieval e pré-renascentista. Tradição, arte e tecnologia se encontram nesta exposição. 











ps: Dia 22 Bratz e Elian embarcam para uma viagem a Buenos Aires. Voltamos dia 02 de setembro. Até a volta. Beijos a todos

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Meu mamilo esquerdo dói!




Puxões de cabelo, mordidas, contato físico violento, arranhões e afins; sexo às vezes deixa marcas, desconforto muscular e um pouco de dor.

Tentando evitar a lascívia, não comentarei as aventuras de uma noite com uma pegada mais forte; todavia meu mamilo dói e me faz lembrar a última transa - só mais uma transa!

Mas as pequenas dores do “Day After” não são nada comparadas a uma dose de ressaca moral, odeio o tipo “arrependido”, mas também não concordo com a máxima de que só nos arrependemos daquilo que não fizemos.

A questão é simples, desde a pré-trepada eu já sabia que não tínhamos nada em comum e o resultado seria no máximo medíocre, na acepção de mediano mesmo.

Foi prazeroso e intenso, mas algum mecanismo pessoal me deixou com a sensação de ter feito algo errado, de inadequação. Muitas vezes me fiz a pergunta: Por que fui para a cama com este cara? Mas racionalizando eu pergunto: E por que não?

Vai entender esta minha cabecinha e seus tantos becos escuros, tortuosos e até mesmo íngremes.

Sinto-me como se tivesse traído alguém, mas quem?
Penso no amor, se ele está aos gritos batendo à porta e eu fingindo não o ouvir; negando e evitando o inevitável.
Medo de adentrar nas águas de um novo amor e, de novo, me afogar sem uma mão que me resgate ou mesmo um suicida para junto submergirmos nos sentimentos, tantos sentimentos, muitas vezes sem sentido.
Quero certezas, acertar o tempo do amor “sem me precipitar e nem perder a hora”, Ana Carolina ai ai ai ...
Confusão absurda, mas concluo que sexo é sexo, amor é amor, e sexo é para todo mundo, já o amor, o amor é para poucos.
E para tentar colocar ordem nestas linhas, já que na minha vida pessoal não consigo, é inevitável eu afirmar que não apenas a superfície do meu peito dói, algo dentro sofre e incomoda. Há sim um vazio a ser preenchido.


Bratz Ellian
enfim! é o que tem pra hoje ...

domingo, 5 de agosto de 2018

Bem no Fundo!



No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela - silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

Paulo Leminski


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Smoke gets in your Eyes!



Arte é algo primoroso mas os gays sabem, como ninguém, valorizá-la com criatividade e sensibilidade.


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Arte Gay!


Definitivamente a criatividade na arte de fotografar não tem limites. Neste contexto os gays não ficam para trás, por vezes estão muito à frente.
Confiram estes trabalhos garimpados na internet e curtam a musicalidade de Schubert em sua Serenata.
Preciosidades sem limites.
 
Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Ritmos da Noite!



Por vezes somos pegos ao acaso e forçados a uma viagem inesquecível no túnel do tempo.
Foi assim quando da estada do amigo AD aqui por Minas Gerais. Fomos à uma festa no Bar do Caixote e, por lá, conhecemos uma banda que, se não era perfeita, tinha um repertório de tirar o fôlego.
Seu nome: Ritmos da Noite.
Um flashback memorável dos anos de ouro da música pop mundial. Uma sequência que me fez reviver os bons e velhos tempos do Bratz. Dancei, cantei e até emocionei muito com esta volta ao passado.
Muitos de vocês talvez nunca tenham ouvido estas canções mas, enfim, resolvi colocar aqui algumas destas canções.

ps: e assim o "enfim!" completará 11 anos no próximo dia 19/07/2018. Isso também é coisadotempo 

    


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Matando Saudades do Amigo AD!



Lá se vão 08 anos de grande amizade. Encontros lá, aqui e acolá. Momentos felizes, dores agudas, emoções que contribuíram para fortalecê-la mais e mais. Depois de 04 anos de muita saudade recebemos, aqui nas Minas Gerais, o AD, o querido amigo de Aracaju/Sergipe.
Muita festa, muita proza, muita comida, muita bebida, muita rizada e uma viagem inesquecível pelo nosso interior mineiro: Catas Altas, Santa Bárbara e Ouro Preto.
Que esta estadia por aqui seja um marco de muitas outras e de outras tantas, minha e  Elian pelas adoráveis terras nordestinas.
Compartilho com os amigos de BlogsVille um pouco de minha emoção neste reencontro com meu maior amigo.
Beijão para você querido AD. A saudade já se faz presente.
Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Decepções e um pouco de cafajestagem!





Decepções e um pouco de cafajestagem
Atravessando uma fase de atropelamentos amorosos. Estou cafona - digno de novela mexicana mal dublada - e as perturbações emocionais são diversas, eis o cardápio: Encontro apaixonado com um ex (atualmente casado), “amizade” com esposa de um objeto do meu desejo, pseudo-casamento-relâmpago de amiga (a mais vagabunda e dissoluta), e o único ser capaz de me fazer acreditar no amor anuncia que voltou com a ex-mulher. 
A fim de superar o desastre da minha vida emocional, e esquecer os recentes acontecimentos, não me fiz de desentendido e, enfim, decidi “dar um confere” em um desses homens que sempre se mostram disponíveis. O sexo pelo sexo pode até não preencher suas lacunas emocionas, porém relaxa, desestressa e ajuda a melhorar a autoestima. Já que não existia a menor chance de uma segunda intenção, além de sexo-adulto-sem-compromisso-e-nada-de-ligar-no-dia-seguinte, as coisas foram facilitadas. Diante da vítima eu cometi o crime, e lembrei da máxima popular que afirma que o crime não compensa, pois esse não compensou! Parece exagero, mas o infeliz é muito ruim de cama, descrevo:
Mãos - São fundamentais, mas a criatura não sabia o que fazer com as suas, mesmo eu conduzindo pelos caminhos a percorrer (nota 01, ao menos tentou).
Beijo - A língua não era habilidosa e a boca ficava aberta demais, o melhor é esquecer (nota 03, muito me incomodava).
Layout - Um tipo comum: tatuagem com nome de filho, tamanho compacto, tom de pele inspirador, corrente de prata no pescoço. (nota 05, não o apontaria no meio da rua).
Verbal Ao menos não era “mudo”, mas o repertório era fraco e a voz baixa e sem personalidade. (nota 03, não falou nenhum palavrão).
Movimentação Melhor não me aprofundar, igual a ele. (nota 04, ir e vir todo mundo sabe).
Calibre Abaixo da média nacional, grande glande, curto e não tão grosso – que cafajeste estou! (nota 05, razoável).
Aroma Melhor quesito, sem perfume artificial e com cheiro característico de homem. (nota 06, a salvação).
Resultado final, nota 04. No máximo vou cumprimentá-lo quando o ver de novo. E agora, não bastassem os fracassos emocionas, tenho a obrigação de sexualmente me “dar” bem, pelo menos minha vida sexual tem de ser satisfatória já que a emocional ...


Bratz Elian
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segunda-feira, 25 de junho de 2018

Uma crise!




Meu corpo parece insuficiente para me caber e, de novo, sinto que estou perdido em uma estrada escura e desconhecida às vésperas de ser atropelado por uma manada de cavalos selvagens, cavalgados por demônios - os meus.
Tudo é falta, nada satisfaz. Há só ausência, tanta.
O medo sorri para mim, com sua boca sem dentes e malcheirosa. Onde está você? A promessa de felicidade que sua mão deixou aqui, onde está? 
Quero quebrar as correntes, correr nu, apostar todas as fichas, oferecer a outra face, ser apontado na rua, digno de pena ou inveja. 
O preço é alto, o passo irreversível, mas meu corpo pede o seu, e preciso me reencontrar nos seus olhos que fizeram eu me perder de mim. Hoje vivo me escondendo do mundo, à procura do que fui e aterrorizado por perceber no horizonte à frente eu transformado em uma sombra pálida – o aborto de nós dois. Tão pouco o tempo que passamos juntos, mas é como se fossemos dois velhos à espera do abraço da morte que deixará um de nós só. Até quando? Inevitável o reencontro. 
Que venha o arrependimento - estou pronto - vou sem freio ao seu encontro disposto a te dizer: “Você me faz bem, e sou seu até quando eu caber em você, e não sobrar.” 
De braços abertos ou cabeça baixa, é sua a resposta e minha a expectativa.


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Pés! Mais que sensualidade!



O que dizer da sensualidade desta parte anatômica do corpo masculino?
Pura sensualidade!
Deixo aqui um vídeo, sonorizado com Frédéric Chopin - Spring Waltz, que configura esta constatação.
Confiram. 
Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Luxúria!



Mais um vídeo na categoria homoerótica - Luxúria.
Uma sequência de belíssimas fotos de sensualidade ímpar, alimentada pela magnífica peça lírica de Pietro Mascagni - Intermezzo.
Desfrutem sem moderação.
Bratz Elian
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segunda-feira, 4 de junho de 2018

Um Pouco mais da História de Minha Família - "Figueiredo"!




Como falei no post passado sobre a família de minha mãe trago, aos amigos de BlogsVille, uma postagem minha datada de 28 de março de 2015.

"Foi com enorme emoção que vi, esta semana, parte da história da minha famíla por parte de mãe, ser retratada e revivida com rigores históricos por Eder Ayres Siqueira.

Ela, além da força pessoal mostra também, um pouco da história das Minas Gerais e, por que não dizer, do próprio Brasil. 
Compartilho com vocês, pedindo desculpas pelo tamanho do texto, mas não seria conveniente editá-lo pois, perderia muito de sua autenticidade e originalidade."

"Você conhece a história do Casarão Doutor Moreira? 
O Casarão Doutor Moreira abriga hoje as Secretarias Municipais de Agricultura e Meio Ambiente,de Saúde,de Cultura e Turismo, o Escritório da EMATER, a Casa do Empreendedor e a Escola de Cerâmica, mas esta bela construção tem história, e quem nos conta uma parte dela é o catas-altense, Eder Ayres Siqueira: 
Casarão Dr. Moreira “Solar dos Figueiredo” 
No jardim do lado externo do Casarão Dr. Moreira, foi afixada uma placa com os seguintes dizeres: 
"A tradição oral relata que este imóvel pertenceu ao médico Manoel Moreira de Figueiredo Vasconcelos no século XIX. Conhecido pelo espírito caridoso, aqui costumava hospedar enfermos para cura de beribéri e outras doenças da época. Também foi propriedade, no início do século XX, do Capitão Gonçalo Moreira de Figueiredo [meu bisavô], cuja esposa, Tereza de Jesus Vieira de Figueiredo [minha bisavó], teria sido assassinada em 1937, com sua serviçal, pela suposição de ter em casa um baú de ouro. Em 1984, o Casarão foi reedificado, seguindo o traçado arquitetônico original." 

obs: A dita tradição é uma história real, presenciada por meu Tio e Padrinho Custódio, na época com 7 anos de idade. Durante o crime ele ficou escondido debaixo da cama da avó Terezinha.

Vamos ver um pouco da sua história: 

O Dr. Manoel Moreira de Figueiredo Vasconcelos era catas-altense. Nasceu em 23 de outubro de 1809 e faleceu em 10 de março de 1895. Foi sepultado na quarta sepultura no arco cruzeiro da Capela-mor, do lado das epístolas na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, ao lado da sepultura da família do minerador português Capitão Thomé Fernandes do Valle. Foi casado com sua sobrinha do lado materno Dona Maria Brasilina de Alkmim Figueiredo. 
"Caridoso ao extremo, servindo-se da medicina como um instrumento que lhe fora posto nas mãos, por Deus, em benefício dos pobres, acessível a todos, afável, hospitaleiro, amigo dedicado dos seus parentes, do que nos deu superabundantes provas, pai de família exemplar, depositário fiel das tradições de honra e de fé dos seus antepassados, de uma probidade a toda prova, de uma circunspeção modelar, modesto até o mais completo desprezo das honrarias e vaidades, mas, ainda assim, nimbado de uma majestade simpática, a que davam particular realce os fios de prata de sua barba natural, completamente branca quando o conhecemos; eis, em rápido bosquejo, o perfil moral deste homem pouco comum." 
Com a morte do Dr. Moreira, o filho Capitão Gonçalo Moreira de Figueiredo passou a residir no casarão. Ele foi bom fabricante de vinho que aprendeu a fabricá-lo com o Monsenhor Mendes, o qual vinho tinha o nome de “VINHO CATTAS ALTAS” e foi “Distinguido com o Grande Prêmio no Jury da Exposição Internacional do Centenário” (Centenário da Independência do Brasil) em 1922. No solar ele possuía grande adega e plantação de videiras. Foi casado com Dona Thereza de Jesus Vieira de Figueiredo, filha do fabricante de vinhos o senhor Domingos Vieira da Silva. Ela era sua parenta também pelo lado materno, que nasceu no "Solar João Vieira da Silva" onde é hoje a "Sede da Prefeitura de Catas Altas" e foi assassinada em sua residência em 12 de março de 1937, no solar assobradado, conhecido hoje como "Casarão Dr. Moreira". Desta família, não há descendentes em Catas Altas. 
Conforme o Padre José Evangelista de Souza em seu livro "Os Povoadores de Sertões e as Minas de Ouro" a história do assassinato de Sá Therezinha foi assim descrito: "O assassinato de Sá Therezinha, Thereza de Jesus Vieira de Jesus Vieira de Figueiredo, era necessário para apaziguar a violência dos senhores de escravos, aqueles broncos lusitanos. Therezinha, mulher tão piedosa quanto caridosa! Na véspera de seu holocausto, oferecera a missa e a comunhão, em sufrágio da família de seu Eleutério, que não frequentava a Igreja, nem rezava. Pediu a Deus pela conversão do pobre do Cecílio. Que não saia de sua casa, sempre rachando lenha, no terreiro. 
Matar o violento, o carrasco ou o mandante, gera mais vingança e o ciclo da violência não termina. Torna-se necessário imolar uma vítima inocente, uma vítima não-vingada. Ou, então, entrega-se a administração da violência a um corpo, no qual todos confiam. Transferi-la da forma espontânea e impulsiva para o controle da justiça; esta administra a violência, com a aprovação de todos. Do contrário, os homens se exterminariam pela vingança. 
Therezinha Vieira preenchia todas as exigências de uma vítima agradável, vítima não-vingada, segundo René Girard. Era mulher e frágil, incapaz de ofender uma barata. Piedosa, meiga e caridosa. 
Com a crise do ouro, encerra-se o sonho das mil e uma noites. Saint-Hilaire dizia: "Catas Altas do Mato Dentro é sede de uma paróquia considerável. Os habitantes atuais desta povoação, como os de Antônio Pereira, não se entregam à agricultura; e, quando o trabalho de algumas horas lhe rendeu três ou quatro vinténs, vão descansar". 
Aliás, trabalho pesado era coisa de escravo. Os nobres gostavam mesmo era de luxar, refestelar-se em banquetes de talheres de ouro e prata e divertirem-se em caçadas glamorosas. 
"A gente estuda para não sujar as mãos", diziam os nobres. Instala-se em Catas Altas a família de Eleutério, pardos livres, fugidos da desgraça de Antônio Pereira. Chega faiscando, com a bateia, na praia, e aí fica. Mas Cecílio, filho do casal, não ajudava, não gostava de trabalhar. Sua cabeça não regulava bem. Às vezes, rachava lenha, a troco de um pedaço de pão caseiro e um copo de café com leite. Era tudo que ele queria para sobreviver, garantindo o pão de cada dia. 
A lenda do ouro ainda vagava, na imaginação do povo. O ouro era tão fácil que bastava arrancar uma touceira de capim. Ao sacudi-la derramava-se o metal. Ouro enterrado nos quintais; canastras de ouro escondidas nos porões; um veio de ouro na direção da porta do sacrário; tacho de ouro que ficou enterrado na Mina da Boa Vista. Ouro no dente: boca de ouro! 
Meteram na cabeça de Cecílio Lotério que o Capitão Gonçalo Figueiredo legara um tesouro precioso do metal à sua viúva. Sá Therezinha seria guardiã de muito ouro herdado do marido. A viúva mais rica de Catas Altas. A cobiça medrou, no coração do moço, por culpa de conversa fiada dos rapazes normais de Catas Altas. Cecílio passou a sonhar com a riqueza fácil. Imaginou uma artimanha capaz de levá-lo a botar a mão, no ouro de Sá Terezinha. 
Arquitetou o plano e o demônio entrou no seu coração para executá-lo. Esperou a noite entrar, porque o demônio só age nas trevas. Seus olhos se ofuscam com a luz do dia. 
Cecílio entra, no terreiro do sobrado, apanha o machado com que ele próprio rachava lenha. Chama à porta. Como o cordeiro em direção ao matadouro, Therezinha desce para abrir a porta. Cecílio, sem trocar palavra, agrediu-a com o machado na cabeça. Constância grita socorro e corre, em direção de sua sinhá. Em Constância ele acertou de cheio, os miolos pularam, no chão de pedra fria. Mais uma vez a terra se manchou de sangue. O sangue correu solto, esguichou em borbotões: sangue quente, sangue vivo, sangue humano.” 
Constância, por ser uma negra que morava com Sá Terezinha e lhe ajudava nos serviços da casa, não lhe causava medo. Não titubeou no golpe. Therezinha, embora meiga e frágil. introjetara sua imagem no espírito. O oprimido absorve a imagem do opressor e o reproduz. Vacilou no golpe em Sá Therezinha. Ela não morreu na hora, o conflito e a contradição interior fê-lo titubear. Constância morreu, na hora, defendendo sua Sinhá. Que nobreza de negra era esta Constância! "Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos amigos..." 
O calendário marcava, na parede: 12 de março de 1937! Sá Therezinha ainda sobreviveu sete dias, perdendo sangue. Sobrou-lhe tempo suficiente para se oferecer em sacrifício a Deus, pedindo a conversão dos pecadores. Teve forças suficientes para perdoar o seu algoz. 19 de março de 1937, dia de São José: Therezinha de Jesus Vieira de Figueiredo solta seu último suspiro. 
Sá Therezinha não foi vingada por ninguém, como era de se esperar, caso fosse assassinado um senhor de escravos ou um feitor, ... Condenado à prisão, Cecílio cumpriu sua pena na cidade de Neves. Mas virou ameaça pros meninos de Catas Altas: "cuidado que Cecílio Lotério está solto"! Uns diziam Cici Lotero, Cici Lotério. 
Fechou-se o ciclo de violência, acabou-se o risco da extinção pela vingança de um sangue derramado. Só não se fez justiça à constância, a negra, pelo gesto de nobreza. Esta mulher de altivo proceder, venha a história, um dia, insculpir-lhe o nome, no mármore de seu túmulo. 
“Chiquinha de Cláudio Felipe, com o cachimbo na boca, assentada no pilão da cozinha, lá na rua da Outra banda, advertia, com sotaque africano: "Uhm! Ocês tem que banzar, gente! Ocês todos mataram Sá Therezinha!".” 
Vale ressaltar que não havia mais escravidão naquela época, a abolição ocorreu em 13 de maio de 1888. A Constância era uma ex-escrava, com isso, era uma empregada tratada com todo carinho por dona Therezinha, como muitas outras pessoas que continuaram morando com seus senhores, ou mesmo filhos destes, como foi o caso da negra Joana e outras que continuaram morando nos Solares dos Emery, dos Ayres, etc. 

Obs.: No início do texto há referência sobre os dizeres da placa que está na frente do casarão sobre a tradição oral, por isso, esclarecemos: Tradição oral porque ainda não foi comprovado que o Dr. Moreira ali morou, mas o seu filho sim. No óbito de sua esposa D. Maria Brasilina em 1902, consta que ela era moradora em sua residência na Rua São Miguel. Também, um bisneto do Dr. Moreira, disse que o casarão não pertenceu a ele, apenas ao seu avô o capitão Gonçalo. Sabemos ainda que o Dr. Moreira era proprietário da Fazenda do Engenho da Onça, onde tinha cemitério no qual alguns escravos do mesmo foram lá sepultados.) 
O Casarão foi demolido e reconstruído. A sua inauguração foi em novembro de 1987, com o título de "Casarão Dr. Moreira" (Homenagem ao Dr. Moreira) pelo Prefeito de Santa Bárbara Dr. Eustáquio Januário Ferreira, catas-altense, e mais dois vereadores catas-altenses que representavam o Distrito lá em Santa Bárbara, sendo Sr. Adahir Alves Pereira e Sr. José Hosken, conforme se vê na placa de inauguração afixada no mesmo Casarão.""

O Cenário:

Casarão dos Bisa Antes:


Casarão dos Bisa Hoje:


Alguns dos Personagens:






Bratz Elian
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