quinta-feira, 12 de novembro de 2015

House of Cards!



Mais uma série terminada e mais uma vez empolgado mas, desta vez, intrigado com algumas percepções.
Trata-se de uma produção da Netflix, House of Cards [três temporadas com a 4ª prometida para 2016], estrelada por Kevin Spacey e Robin Wright,
Um roteiro esplêndido,  uma direção impecável, um cast de atores extraordinários.
Ela é extremamente contemporânea, universal, instigante e aborda, de forma contundente, toda a hipocrisia, podridão que envolve o poder institucionalizado em todos os seus níveis: Governantes, Congressistas, Juízes, Forças Armadas, Partidos Políticos de todas as cores ideológicas, Espiões e Contra-Espiões, Mídia,  Lobbys, Empresariado, Sindicatos e claro, o "resto" como massa de manobra [o macro-cosmo].
Como toda obra de arte de qualidade, em especial a cinematográfica, ela tem o poder de nos envolver e manipular nossas emoções e sentimentos.
Mas vamos ao fato que mais me intrigou neste caso:
- No meio de tanta podridão, hipocrisia, canalhice, onde a única coisa que conta é o Poder e o Dinheiro, eu me vi profundamente seduzido pelos personagens centrais da trama, pior ainda, profundamente identificado com eles em várias situações.
Talvez pelo fato de serem os mais canalhas, ou melhor, os canalhas mais inteligentes e habilidosos.
Ousei então, projetar para o nosso micro-cosmo, para nossas relações mais íntimas de família, amigos, trabalho e algumas outras. "São tão diferentes assim?" "A hipocrisia, os jogos de poder, a canalhice é muito diferente?"
Me interrogo por aqui:
- Pura manipulação emocional pela qualidade dos intérpretes ou existe algo mais? Será que temos, em nossa psique, algo deformado?
Será que só não somos tão canalhas porque fingimos não sermos e mantemos tudo isto sob um rigoroso processo de censura ou, pior ainda, não assumimos isto por "covardia"?
Será que o SER, em si mesmo, é algo naturalmente podre?
Fica aí uma questão para todos, principalmente aqueles que tiveram, ou venham ter,  a oportunidade de assistir a esta série.
Vou deixar aqui um pedido de "socorro" ao amigo blogueiro José Antônio do Amar é Sentido e do Divagações de um Jovem Grisalho. Ele, com seu gosto e aptidão para a psicanálise, poderia nos dar uma luz sobre estas inquietantes questões.

"Obs": O micro-cosmo da estória: Frank, o personagem central da trama, chega à Presidência dos Estados Unidos, é Gay [assume para si e para alguns em sua intimidade, mas esconde do mundo] enquanto Claire, sua esposa, sabe de tudo, participa de tudo. Eles mantêm uma relação, de 30 anos, intensa mas pragmática, alicerçada neste inquietante jogo de cinismo, hipocrisia, dependência mútua e, até mesmo, de muita afetuosidade com um único objetivo final - PODER!

 



Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

24 comentários:

  1. Achei supimpa a sua "extrapolação" da série para seu próprio universo. E se considerarmos que os bebês já nascem fofinhos para despertar o amor das mães (e aprendem a chorar, e etc etc) acho que a manipulação dos sentimentos é questão de sobrevivência. O bacana é aprender o tal "não fazer com os outros o que não queremos que nos façam", durante a vida. Mas com equilíbrio, sem estresse! Rs

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    1. Obrigado Edu. Sua colocação foi bem interessante. Qdo é que uma criança bebê tão fofinha, perde toda a sua graça infantil e tb se torna um "canalha"? Conheço algumas que com 1, 2 anos de idade já manifestam os sintomas. Outras demoram um pouco mais ... Tb gostei da condicionante feita à máxima de "não fazer aos outros o que não queremos que nos façam" - COM EQUILÍBRIO, isto é interessante. Até pq, mesmo q vc não faça aos outros, os outros, de alguma forma ou em algum momento farão com vc. Isto é regra e não exceção.

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  2. Rousseau dizia que «O homem é bom por natureza; a sociedade é que o corrompe». Eu cá não sei. Tenho as minhas dúvidas. Creio que nascemos com determinados instintos, e depois, no tempo de Rousseau, não existiam os estudos que hoje existem. Sabemos do peso da genética na personalidade de cada um; nascemos com predisposições a isto e aquilo, sem descurar, claro, o ambiente em que se cresce. A educação tem uma importância decisiva, diria eu, naquilo em que nos transformamos. Nem tudo depende da nossa vontade, já tomados pelo pleno arbítrio. Alguém que tenha nascido num ambiente profundamente disfuncional, ainda que adquira a consciência disso, provavelmente já estará num emaranhado difícil de sair. Viver é ser-se injusto e sofrer-se injustiças.

    abraço, meu amigo.

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    1. Sim caro Mark. O meio e uma educação funcional pode ajudar e muito. Já para aqueles q não às desfrutem as coisas serão bem mais difíceis. Mas, aí aparecem as exceções que nem são tão exceções assim: Uns recebem todo este legado bom e se corrompem com facilidade, outros, por sua vez, não as recebem e, no entanto são incorruptíveis. Também eu tenho muitas dúvidas quanto à perspectiva de Rousseau: Será mesmo que o home é bom por natureza ou ele é, por excelência um predador. Um predador que, em alguns casos consegue, sabe-se lá por que, algum controle de si?
      Obrigado pela participação e contribuição.

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  3. Eu adoro este ator! Amei o papel dele em Beleza Americana. Não assiti a esta série, mas deu vontade.
    Eu não acho que o homem seja bom por natureza, pois creio que já vivemos outras vidas, e trazemos conosco as nossas podridões (e nos acreditamos "evoluidos"). Só sei que temos muito chão pela frente, e os passos nunca são suficientes.
    Uma coisa que me intriga: por que será que todo canalha é fascinante e inteligente?

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    1. Ana, nem todo canalha é fascinante e inteligente. Eu, sinceramente não os vejo assim. Existem sim, alguns que se enquadram nesta perspectiva e quando me deparo com eles definitivamente me fascinam. Talvez isto tenha sido a causa de minha reflexão. Ainda não havia me dado conta disto. Mas enfim ...
      Quanto à natureza do homem, já que não compartilho com nenhuma convicção teológica ou similar, cada vez mais me convenço da natureza predadora do SER.

      Beijão e obrigado pela contribuição ... riquíssima por sinal.

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  4. Caro Bratz,

    Vou utilizar as ideias do Edu e do Mark para fazer um comentário que obviamente vai ser longo. Ambos tocaram em dois assuntos importantes para seu questionamento: sobrevivência e natureza.
    Não acredito que o ser humano necessariamente nasça deformado, mas é capaz de deformar-se durante o seu desenvolvimento. Obviamente existem exceções, mas são, de acordo com muitas pesquisas, RARAS. Nascer um sociopata ou psicopata é algo muito, muito raro. No entanto, tornar-se um sociopata e/ou psicopata ao longo de uma história de vida não é tão raro assim. O personagem principal de House of Cards é um sociopata com traços de psicopatia, ou seja: um homem que sente prazer em ser um contraventor de todas as regras sociais e de convívio e não sente nenhum tipo de remorso por isso. O que determinou isso? Não é possível saber pela série. Faltam dados de todo o desenvolvimento histórico do personagem. Pode-se dizer que o mal não nasce. Se constrói como Rousseau apontou no século XVIII. Talvez tenhamos uma ideia um tanto fantasiosa sobre a natureza quando se invoca o pai do Contrato Social. A natureza pode ser bastante violenta da mesma maneira como pode ser extremamente gentil. O que Rousseau afirmava é que o homem integrado à natureza não destruiria nada que não colocasse em perigo real a sua sobrevivência. Todo ser vivo procura sobreviver. É uma parte instintiva presente desde uma bactéria até um ser humano, mas para sobreviver precisamos de condições mínimas para tal. Ao ser colocado em perigo, qualquer forma de vida irá atacar para sobreviver. Atacará seja por comida, água, abrigo, reprodução,proteção, enfim....por tudo que garantirá sua sobrevivência. E não atacará quando estiver em segurança. É uma lei darwiniana lógica: para que atacar se não estou em perigo? Para que atacar se estou em segurança? Seria um gasto de energia desnecessário. Resumindo o máximo possível: para sobreviver na natureza economiza-se a energia (física e emocional) que garanta a sobrevivência de um organismo.
    Mas, afinal, o que aconteceu com o ser humano que parece querer destruir e tirar vantagem explorando o seu próximo de maneira continua e sistemática?
    Uma única coisa: o ser humano adoeceu pela falta de segurança! Não sabemos mais onde investir a nossa própria energia para sobreviver. Não somos mais parte de algo chamado natureza. Nos denominamos seres superiores, mas estamos cada vez mais perdidos e confusos. Tentamos substituir as relações humanas afetivas ( e colaborativas) por conquistas individuais sem muito propósito como poder, sexo, dinheiro, etc, na tentativa de nos distrair da grande doença que aflige a humanidade nos tempos modernos: EU, EU, EU, EU, EU......depois EU, EU, EU, EU......e lá no fundo o outro ( bem pequenininho, tá?). Cabe lembrar que a natureza é essencialmente gregária, a antítese do individualismo humano.
    Por que ficamos fascinados por sociopatas e psicopatas? Porque eles nos lembram o que parece ser a grande dádiva da modernidade: DEIXAR DE TER SENTIMENTOS. Deixar de sentir solidão. Deixar de cuidar. Ser livre para fazer o que bem entender e o outro que se dane! Eles nos fascinam porque parecem estar anestesiados a qualquer dor emocional ( e realmente estão !!!), mas isso implica em estar anestesiado para toda e qualquer forma de gentileza que a natureza teima em oferecer. Na verdade o sociopata e o psicopata não são nada porque vão sair dessa vida sem conhecer uma das coisas mais preciosas que um ser humano pode oferecer ao outro: afeto genuíno!
    bjs

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    1. Definitivamente uma aula. Concordo plenamente com todo o arrazoado amigo José. Todavia, insisto em um ponto: Quem sou eu para contraria Rousseau, rs, mas como você mesmo disse, a natureza pode ser bastante violenta da mesma maneira como pode ser extremamente gentil e mais, desde que o mundo é mundo, entendo que tudo sempre foi assim como hoje. Não vejo como delimitar tudo ao contexto da individualidade moderna. A falta de afeto genuíno sempre existiu em todos os tempos e em todas as culturas e grupos sociais. Neste aspecto, poderíamos afirmar que a forma e a abrangência desta falta de afetividade genuína foi diferente ao longo da história e que hoje a percebemos como mais agressiva em função da complexidade do mundo moderno e das formas globais de interação e comunicação. Mas enfim! A questão está aí e sempre estará, respondê-la sempre será um grande desafio como tantas outras questões filosóficas, sociológicas e psicológicas.

      Beijão

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    2. Concordo com você! Nada que exista hoje de hediondo na raça humana é novidade! O que mudou e muito foi a frequência e intensidade dessas atrocidades!

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  5. Paulão Eterno Xará e Querido, condição espiritual! Questões existenciais do ser ou não ser! Acho que todos nós temos os dois lados, o lado bom e o lado ruim! Mas todos preferimos o lado bom, como o lado bonito e ético da conduta humana! Mas quem disse que somos civilizados,éticos, contemporâneos e finos? Somos todos podres, e se ainda não demonstramos toda essa PODRIDÃO é porque não tivemos uma OPORTUNIDADE DE OURO, para expor a realidade de quem somos de verdade por dentro!!!!! E uma questão de tempo e oportunidades da vida! Repare que em filmes quando grandes tragédias acontecem com a humanidade, as pessoas não titubeiam em manifestar toda a sua natureza fria e cruel!!!! Não sei se vivi o bastante, mas no convívio com pessoas de todos os tipos, percebi uma grande verdade que todos negam, QUANTO MAIS A PESSOA FAZ POSE DE BONZINHO, mais cruel e fria ela é por dentro!!!! Bom fim de semana!!!!!!!!! E valeu a dica do filme vou tentar procurar assistir! Beijos!!!!

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    1. Bem por aí Xará ... De bons e de podres todos temos um pouco ... é só uma questão de circunstâncias mesmo.

      Beijão

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    2. Japa... não é filme. Sabe ler não ? kkkk

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  6. Essa foi uma das séries que ficou de fora quando estreou e nunca peguei nela. Sei que é boa, mas o tempo não dá para ver todas mas tenho pena é das boas com um elenco de luxo.

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    1. Definitivamente uma das melhores. Elenco impecável ...Vale a pena ver.

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  7. Por acaso não é uma série que acompanhe e nem gostei muito de alguns episódios que vi. Mas também não se pode gostar de tudo rsrs

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  8. Que ótima postagem, mesmo porque instigou comentários que, lendo percebi as opiniões diversas sobre um assunto polêmico e que nem Freud explicou,rsrs!
    As crianças, de modo geral são egoístas, elas não gostam de dividir nada, mas os adultos precisam ter noção e ensiná-las de forma simples que, elas podem dividir sem ficar sem, que não são obrigadas, mas que seria bom para a vida delas no futuro, aí é que entra a lição: "não faça aos outros o que não queres que te façam ou ao contrário, faça aos outros o que queres que te façam".
    Mas o ser humano é de guerra mesmo, nunca vai deixar de lutar pelo que acha de direito, do seu direito, pois para respeitar o direito do outro é preciso muito altruísmo.
    Amigo querido, não assisti a série, mas gosto de ler livros que mostram as sagas das vidas dos seres humanos, assim como você, gosto de refletir sobre tudo, pois somos instáveis por natureza, nessa instabilidade podemos mudar, tanto para o bem quanto para o mal!
    Abraços apertados e obrigada sempre pelo seu carinho lá no meu espaço, é sempre um prazer te receber!

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    1. Gosto de temas instigantes e polêmicos. Sempre é bom debater para aprendermos um pouco mais sempre. Sua contribuição foi valiosa. Tenho para mim que, nesta vida, o SER sempre tenderá a ser mal, a não ser que ele se domine de forma plena. Mesmo ensinando às crianças ainda correremos os riscos. Irmãos de sangue e criados pelos mesmos pais, qdo adultos são totalmente diferentes ... então ... não basta isto.

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  9. OMG ! Bratz autoral voltou.
    Já estava cansado dos seus testículos ( ui ) CTRL C / CTRL V ... kkk

    Pois bem, essa me parece ser uma série bem interessante. Estrelada logo pelo protagonista de Beleza Americana, que também pega na ferida do comportamento humano contemporâneo.
    Ainda não vi, por falta de tempo e paciência pra baixar.

    Sobre o poder, concordo com a velha máxima : Quer conhecer alguém, dê-lhe poder.

    Bjo na bunda branca.

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    1. Autoral ou não. Isto não importa. O conteúdos sim ... rs
      Vc foi perfeito em seu coment qto ao contexto. Tempo é coisa q se arruma segundo as prioridades ... rs

      Gostei disto: Sobre o poder, concordo com a velha máxima : Quer conhecer alguém, dê-lhe poder.
      Por isto tento conhecer um pouco para depois empoderar alguém...

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então! obrigado pela visita e apareça mais, sempre teremos emoções para partilhar.

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