sexta-feira, 18 de julho de 2008

O céu não é o limite


O céu da minha manhã, que o olhar capta em ligeiro azul, se prolonga e percebo meu equívoco.
Nessa infinitude, meus olhos não alcançam o limite, e céu significa todo o espaço acima de mim.
Não posso abordá-lo, na minha restrita capacidade. Mas, por isso mesmo me consola porque o penso como um invólucro de todas as coisas abaixo dele.
Ele não é o céu, é o telhado aberto, e ao mesmo tempo abrangente, que me aconchega ao mundo, como se eu fizesse um acampamento de férias e o céu fosse a imensa barraca de lona que nos adicionaria em companheirismo.
Meu céu é de todos e quando eu o contemplo realizo um gesto tão largamente amistoso de comunhão. Efetuo um encontro de olhares, como pipas coloridas que se entrelaçam, lá no alto, numa festa de congraçamento, onde raios de todos os tempos e lugares, provindos dos infinitos olhos do mundo, se tocam e se reconhecem na sua perplexidade.
O céu da minha manhã parece agora se estender majestoso e, ao fitá-lo, meu olhar o transforma em um sagrado dossel do templo da visão humana.
Aí revisito todos os meus amigos que estão longe... e que, de repente, ficam perto.

Aos meus amigos
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Inspiração matutina


com o gosto amargo e doce
do café da manhã,
me inspiro na xícara
e faço o poema

o poema é louvor
do odor, do prazer
e do intenso calor
de um instante de luz

a luz vem da miúda,
diluída, sentida
sensação de esplendor
de sentir o viver

o viver se apega ao tato
da mão que depõe a xícara
no lábio queimando, vibrando,
sugando o negror do café

o café se sacramenta
em força envolvente,
concentrando espaço
entre a consciência e o ser.

Sou lúcida e viva
na boca aquecida
no corpo que sente
pensando e existindo.

Dora Vilela
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Percepções


Atualmente, os dias me têm passado em separado, como se estivessem destacados, sem ligação com o anterior e com o que virá.
Assemelham-se a pequenas pérolas de um colar que arrebentou e cada uma rolou para um canto do aposento. São pérolas sozinhas, não são um colar.
O dia se escoa em mim com sua própria cota, sem continuação da trajetória de ontem.
Esses dias, de que faço referência, diferem das novelas televisivas, com os capítulos se ligando entre si. Vivo a trama toda num só dia. E no outro, ela já está terminada.
Como em filme.
E o dia seguinte se inicia úmido, limpo como uma folha em branco a ser preenchida com uma intriga nova.
Tenho a sensação de habitar o dia, como saída de um ovo, mas sem a ingenuidade dos recém-nascidos.
Faço o aprendizado de esmiuçar as coisas e observar os minúsculos fenômenos. Reduzo a pressa, que me fazia varar os dias como se olhasse de uma janela de trem veloz.
Em cada dia, condenso uma vida total, no presente que ocorre.
Isso não é um esquema. Mas, é um efeito didático.
Vivenciar o dia, em separado, é tentativa de fixar a pulsação que cada minuto traz e atentar na surpresa de existir gratuitamente, sem esperar grandes eventos mundanos.
Ando em experiência de vida miúda que, na verdade, pode ser a experiência mais vital que realiza a autêntica vida Maior.
Dora Vilela
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

terça-feira, 15 de julho de 2008

Dj Rafael Lelis


Se falarmos de música eletrônica, vamos encontrar opiniões as mais variadas, desde a dos jovens baladeiros de plantão e apaixonados pelo som que embala suas noites, até os preconceituosos que, mesmo sem conhecer nada dela, detonam como um subproduto cultural.
Para mim, nem tanto ao mar, nem tanto à terra, vejo a música eletrônica como uma nova linguagem musical, bem inserida à realidade dos jovens desta era, jovens internéticos, orkuteiros, blogueiros, enfim, jovens de um novo milênio.
Como toda nova cultura que se instaura, que busca seu espaço e sua afirmação, está repleta de personagens que vão da mais absoluta mediocridade até aqueles verdadeiramente talentosos.
Para enfocar estes últimos, os talentosos, abrimos espaço neste blog, mesmo fugindo um pouco de sua característica e de sua temática, para falar um pouco de um dos maiores nomes deste cenário musical aqui no Brasil. Refiro-me a Rafael Lelis, Dj e Produtor Musical.
Paulistano de 27 (ou serão 28) anos, que respira música desde garoto com seus 12 anos. Dono de uma sensibilidade musical e de uma capacidade criativa fora do comum, já é nome consagrado no cenário nacional, com suas produções musicais, com destaque para aquelas do estilo "House Tribal". Ouvindo uma produção deste fenômeno ou mesmo sua atuação como Dj, não há como ficar estático, não há como se conter. O sangue ferve, adrenalina é liberada, e logo você se vê contagiado pela magia e pela energia deste som, e seu corpo se integra em uma atmosfera dançante.
Este é o Dj produtor Rafael Lelis, que além deste perfil profissional, é um ser humano da maior grandeza: um cara amigo, leal, sincero, afável, carismático, determinado, simpático, dono de um senso de humor muito próprio, enfim, um cara muito "sem noção".
Para terminar este depoimento, deixo, para os amigos, um play com alguns dos maiores sucessos de Rafael Lelis.
Aumente o som, envolva-se na sua batida, entregue-se na sua vibração.


Remix



Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Arbitrário


Tudo que é arbitrário perde a lógica. Só agora depois de cinco décadas conclui essa lógica. Pouco tempo atrás fui podado pela raiz, tiraram de mim aquilo de melhor que eu tinha. Tiraram o meu desejo.Todo ser vivente deseja. O desejo resume-se na Vida e essa mesma Vida é o resultado dos desejos. Para chegar a esse pensamento, simples, basta tão somente analisar o espaço de tempo decorrido entre o nascimento e a morte. O querer rege esse espaço, seja o querer do ser regido ou não. Algumas vezes consigo reger o querer, isso é algo quase impossível; porém na maioria das vezes o querer me rege. As arbitrariedades do querer é uma loucura que dá medo até em doido. A vida é feita de arbitrariedades.
adptado de Rafael Almeida Teixeira
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

domingo, 13 de julho de 2008

Esperança


A esperança é calma, segura,
fonte geradora de realizações.
Mesmo em tempos de amargura
ela nos ajuda nas decisões.
A esperança é sábia, pura,
traz consigo diversas soluções,
comove e remove a loucura.
A esperança é a partitura
das mais belas canções.
A esperança cura.
Rafael Almeida Teixeira
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

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