sábado, 20 de novembro de 2010

Nós


Hoje, o amigo Cris do Blog Uomini faz um desabafo, consciente e crítico sobre os últimos acontecimentos registrados em São Paulo e Rio de Janeiro. É fato que estas duas vergonhas ganharam espaço na mídia, mas até quando? Quantas outras acontecem e acontecerão, todos os dias, por todo o Brasil? Qual é a nossa postura frente a tudo isto? Vamos esperar que a próxima vítima seja um de nós? Enfim, ponham a preguiça de lado e clique AQUI! Leia, reflita e tome atitude.

Lembro aos amigos que neste domingo à tarde haverá uma MANIFESTAÇÃO SOB O VÃO LIVRE DO MASP. 

#HOMOFOBIANÃO

Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Deux Jours À Tuer . o filme





Direção: Jean Becker

Elenco: Albert Dupontel, Marie-Josée Croze, Pierre Vaneck, Alessandra Martines, Cristiana Réali, Mathias Mlekuz, Claire Nebout 
Sinopse: Antoine, 42 anos, é um publicitário de sucesso com uma vida perfeita. É casado com Cécile, de quem tem dois filhos, vive numa boa casa, tem amigos e mantém com os vizinhos uma boa relação. Um dia, o equilíbrio da sua vida perfeita desfaz-se. Adoptando uma atitude de intransigência, começa a questionar tudo o que construiu nos últimos anos da sua vida – casamento, filhos, profissão, amizades... Perante o espanto daqueles que o rodeiam, destrói, no espaço de uma semana, toda a estrutura da sua vida. Em seu final, o magnífico poema musical interpretado por Serge Reggiani. 

Le temps qui reste

Quanto tempo? Quanto tempo ainda?
Anos, dias, horas? Quanto?
Quando penso nisso, como me bate o coração.
Meu país é a vida.
Quanto tempo ainda? Quanto?
Eu amo tanto o tempo que me resta!
Quero rir, correr, chorar, falar, e ver e crer, e beber, dançar, gritar, comer, nadar, saltar, desobedecer.
Eu não acabei, eu não acabei.
Voar, cantar, partir, voltar a partir, sofrer, amar.
Eu amo tanto o tempo que me resta
Já não sei mais onde nasci, nem quando.
Sei que não foi há muito tempo e que meu país é a vida.
Eu também sei que meu pai dizia:
“O tempo é como o seu pão. Guarde um pouco para amanhã”.
Ainda tenho o pão. Ainda tenho tempo, mas, quanto?
Quero brincar ainda, quero rir às gargalhadas.
Quero chorar rios de lágrimas.
Quero beber barcos inteiros de vinho, de Bordeaux e da Itália.
Quero dançar, gritar, voar, nadar em todos os oceanos.
Eu não acabei, eu não acabei.
Quero cantar. Quero falar até ficar sem voz.
Eu amo tanto o tempo que me resta!
Quanto tempo? Quanto tempo ainda?
Anos, dias, horas, quanto?
Quero as histórias, as viagens.
Tenho tanta gente a ver, tantas imagens.
De crianças, de mulheres, de grandes homens, de pequenos homens, engraçados, tristes, muito inteligentes, bobos.
Que engraçado, os bobos me rodeiam,
Como as folhas entre as rosas.
Quanto tempo? Quanto tempo ainda?
Anos, dias, horas, quanto
Não me importo, meu amor.
Quando a orquestra parar, continuarei dançando.
Quando os aviões não mais voarem, eu voarei sozinho
Quando o tempo parar, eu a amarei ainda.
Eu não sei onde, eu não sei como, mas eu ainda a amarei.
Está bem?




Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Citações


Estes são realmente pensamentos
de todo homem em qualquer tempo e lugar,
não são originais meus;
e se não são de vocês tanto quanto meus
não querem dizer nada
ou quase nada;
e se não são a pergunta
e a resposta à pergunta,
não significam nada;
e se eles não se colocam tão perto
quão distantes parecem,
não valem nada…
Walt Whitman, Folhas da Relva
Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Inimigo Secreto



I 
O envelope não tinha nada de especial. Branco, retangular, seu nome e endereço datilografados corretamente do lado esquerdo, sem remetente. Guardou-o no bolso até a hora de dormir, quando, vestindo o pijama (azul, bolinhas brancas), lembrou. Abriu, então. E leu:

“Seu porco, talvez você pense que engana muita gente. Mas a mim você nunca enganou. Faz muito tempo que acompanho suas cachorradas. Hoje é só um primeiro contato. Para avisá-lo que estou de olho em você. Cordialmente, seu Inimigo Secreto”.A esposa ao lado notou a palidez. E ele sufocou um grito, como nos romances. Mas não era nada, disse, nada, talvez a carne de porco do jantar. Foi à cozinha tomar sal de frutas. Leu de novo e quebrou o copo sem querer. Voltou para o quarto, apagou a luz e, no escuro, fumou quatro cigarros antes de conseguir dormir.

II
Dois dias depois veio o segundo. Examinando a correspondência do dia localizou o envelope branco, retangular, nome e endereço datilografados no lado esquerdo, sem remetente. Pediu um café à secretária, acendeu um cigarro e leu: “Tenho pensado muito em sua mãe. Não sei se você está lembrado: quando ela teve o terceiro enfarte e ficou inutilizada você não hesitou em mandá-la para aquele asilo. Ela não podia falar direito, mas conseguiu pedir que não a enviasse para lá. Queria morrer em casa. Mas você não suporta a doença e a morte a seu lado (embora elas estejam dentro de você). Então mandou-a para o asilo e ela morreu uma semana depois. Por sua culpa. Cordialmente, seu Inimigo Secreto”.

Abriu a terceira gaveta da escrivaninha e colocou-o junto com o primeiro. Pediu outro café, acendeu outro cigarro. Suspendeu a reunião daquele dia. Parado na janela, fumando sem parar, olhava a cidade e pensava coisas assim: “Mas era um asilo ótimo, mandei construir um túmulo todo de mármore, teve mais de dez coroas de flores, ela já estava mesmo muito velha”.

III
Alguns dias depois, outro. Com o tempo, começou a se estabelecer um ritmo. Chegavam às terças e quintas, invariavelmente. O terceiro, que ele abriu com dedos trêmulos, dizia:
“Você lembra da Clélia? Tinha só dezesseis anos quando você a empregou como secretária. Cabelo claro, fino, olhos assustados. Logo vieram as caronas até a casa em Sarandi, os jantares à luz de velas, depois os hoteizinhos em Ipanema, um pequeno apartamento no centro e a gravidez. Ela era corajosa, queria ter a criança, não se importava de ser mãe solteira. Você teve medo, não podia se comprometer. Semana que vem faz dois anos que ela morreu na mesa de aborto”.

IV
Fumava cada vez mais, sobretudo às terças e quintas. As cartas se acumulavam na terceira gaveta da escrivaninha:
“É o Hélio? Lembra do Hélio, seu ex-sócio? Desde que você conseguiu a maior parte das ações com aquele golpe sujo e o reduziu a nada dentro da companhia, ele começou a beber, tentou o suicídio e esteve internado três vezes numa clínica psiquiátrica.”
 “Então você se sentiu orgulhoso de si mesmo no jantar que os funcionários lhe ofereceram no sábado passado? Talvez não se sentisse tanto se pudesse ver no espelho a sua barriga gorda e os seus olhinhos de cobra no decote de dona Leda. Depois que você se foi, ela riu durante meia hora e foi para a cama com o Jorginho do departamento de compras.”
“E o fracasso sexual com sua mulher no domingo? Será que minhas cartas o têm perturbado tanto? Ou será apenas que você está ficando velho e brocha?”

V
Com cuidado, a mulher insinuou que devia procurar um psiquiatra. Ele desconversou, falou no tempo e convidou-a para ir ao cinema. A terceira gaveta transbordava. Além das terças e quintas, depois de um mês as cartas passaram a vir também aos sábados. E, depois de dois meses, todos os dias. Tentava controlar-se, pensou em não abrir mais os envelopes. Chegou a rasgar um deles e jogar os pedaços no cesto de papéis. Depois viu-se de quatro, juntando pedacinhos como num quebra-cabeça, para decifrar: “Você tem observado seu filho Luiz Carlos? Já reparou na maneira de ele cruzar as pernas? E o que me diz do jeito como penteia o cabelo? Não é exatamente o que se poderia chamar um tipo viril. Parece que faz questão de cada vez mais parecer-se com sua mulher. Talvez tenha nojo de parecer-se com você”.

VI
“Há quanto tempo você não tem um bom orgasmo?”
“E aquele seu pesadelo, tem voltado? Você está completamente nu sobre uma plataforma no meio da praça. A multidão em volta ri das suas banhas, da sua bunda mole, obrigam-no a dançar com um colar de flores no pescoço e jogam-lhe ovos e tomates podres.” 
“Uma farsa, essa sua vida, O seu casamento, a sua casa em Torres, a sua profissão — uma farsa. E o pior é que você já não consegue nem fingir que acredita nela.”
“Pergunte à sua mulher sobre um certo Antônio Carlos. E, se ela lhe disser que a mancha roxa no seio foi uma batida, não acredite.”
“Quando criança você não queria ser marinheiro?”

VII
Suportou seis meses. Uma tarde, pediu à secretária um envelope branco, colocou papel na máquina e escreveu: “Seu verme, ao receber esta carta amanhã, reconhecerá que venci. Ao chegar em casa, apanhará o revólver na mesinha-de-cabeceira e disparará um tiro contra o céu da boca”. Acendeu um cigarro. Depois bateu devagar, letra por letra:“Cordialmente, seu Inimigo Secreto”. Datilografou o próprio nome e endereço na parte esquerda do envelope, sem remetente. Chamou a secretária e pediu que colocasse no correio. Como vinha fazendo nos últimos seis meses...

Caio Fernando Abreu

Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Amar para que?


Amar, uma questão que permeia a vida de todos nós e que, na maioria das vezes desejamos e aspiramos como bem supremo a ser possuído. Todavia, na maioria das vezes este sentimento só nos trás angústia e sofrimento, sempre pela total falta de compreensão do que vem ser o AMOR e como devemos lidar com ele. Percebi e aprendi de há muito esta questão mas nunca consegui conceituá-la de forma clara e precisa. O amigo Kiko Riaze do Blog Subvertendo Convenções publicou recentemente de forma tão clara e didática esta premissa, que trago a todos voces para reflexão. Vale a pena mesmo trabalharmos nossos sentimentos nesta perspectiva, sob pena de estarmos sempre nos defrontando com uma imagem irreal do AMOR e assim, perdendo todas as possibilidades de vivenciá-lo de forma plena. 

“Uma das primeiras coisas que eu aprendi quando conheci a filosofia budista foi a noção do “desapego”. Segundo Buda, os seres humanos sofrem porque se apegam demais aos seus desejos. Desejamos um amor, um carro, uma casa, um bom emprego, reconhecimento profissional, etc, etc… São os nossos desejos que nos movem. A sociedade em que vivemos nos oferece um leque enorme de atrativos que alimentam estes desejos ao mesmo tempo em que nos cobra o sucesso para obtê-los. E a partir daí sofremos… Sofremos por não alcançar o que desejamos, sofremos por perder aquilo que já temos, sofremos também só de imaginar que um dia poderemos perder as coisas e pessoas que “possuímos”. Até mesmo os ricos que podem ter tudo que desejam (em termos materiais) sofrem porque esbarram no tédio… Tédio por ter todos os seus desejos realizados. É o  que Freud também dizia a respeito da ausência de sentido na vida depois de se ter tudo conquistado. Nós esperamos demais das coisas que desejamos. E quando alcançamos vemos que não é tudo aquilo e logo procuramos outra coisa para desejar. E assim vamos vivendo a vida, sempre desejando mais e mais… É como se estivéssemos sempre adiando a nossa felicidade para algum ponto no futuro que ainda vamos alcançar. Para Buda, e também para Freud milênios depois, a saída para esse sofrimento é o desapego. E isso também serve para as questões emocionais. O amor sempre vai trazer sofrimento. Não adianta vir os mais românticos dizendo que isso é negativismo, porque não é.  Isso é realismo. Na nossa vida nada é permanente. Aquela famosa frase “o que é bom dura pouco” é uma grande verdade. Os relacionamentos não duram para sempre. Acabam por vários motivos: por causa de brigas, traições, desgaste, porque o sentimento esfriou, porque nosso par se apaixonou por outra pessoa ou, em último caso, pela morte. E qualquer que seja o motivo da separação sempre vai haver sofrimento. Ora, se devemos nos desapegar para evitar o sofrimento, então para quê amar? Seria muito menos doloroso dispensar este sentimento para nos poupar de uma dor no futuro… Mas seria possível viver sem amor? Nós somos dependentes sentimentais desde quando nascemos e somos amamentados pela nossa mãe. Procuramos sempre nos apoiar em um amor. Precisamos nos sentir protegidos, precisamos de um amparo nos momentos difíceis. Amamos para preservar nossa sobrevivência. É instintivo. Para mim esta sempre foi a parte mais difícil de compreensão na filosofia oriental. Quanto às coisas materiais nunca tive problemas, pois não me apego mesmo. O meu problema é o tal apego sentimental. Meu coração é vagabundo. Sempre me apaixonei muito fácil. Meus períodos de solteirice sempre foram curtíssimos, porque eu sempre estive disposto a me amarrar em alguém. Uma carência que só Freud explica. Acho que por isso já me estrepei em tantas relações. Se não fosse tão apegado, sofreria menos… Mas e aí, devemos ser indiferentes às pessoas para não sofrer? Foi o que eu perguntei ao professor do Puja budista quando discutíamos justamente a questão do desapego. Ele respondeu que não. Não devemos ser indiferentes às pessoas. O desapego consiste em anular aquela idéia de posse que temos sobre as coisas e pessoas na nossa vida. Nós podemos amar e desejar tudo o que quisermos, mas devemos ter sempre em mente que nada é permanente nesta vida e que as coisas e pessoas só estão conosco “emprestadas” e um dia partirão. Desta forma nos desapegamos daquela vontade de possuir e aprisionar as coisas e pessoas ao nosso lado. Isso não quer dizer que a vida vai ficar sem sentido e nós vamos ficar parados com cara de paisagem assistindo as pessoas indo e vindo sem fazer nada. Mas ao invés de tentar possuir um amor e acorrentá-lo em vão de forma doentia, nós devemos perceber que o mais importante não é o amor que tentamos possuir, mas sim aquele que podemos doar.”

Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

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