terça-feira, 15 de junho de 2010

Os absurdos da vida



Wagner Tavares, um novo amigo da Blogosfera se define assim:  guarulhense, apaixonado por arte, filosofia e literatura, se encanta com a existência e também será um eterno inconformado!

Para ilustrar o seu trabalho no Blog L’absurdité de la vie, compartilho com voces esta coisa para lá de bizarra:

Esta é para deixar qualquer advogado maluco ... e o desenrolar é baseado nas leis americanas.

No jantar de premiação anual de ciências forenses, em 1994, o Presidente Dr. Don Harper Mills impressionou o público com as complicações legais de uma morte bizarra.

Aqui está a história: 


Em 23 de março de 1994, o médico legista examinou o corpo de Ronald Opus e concluiu que a causa da morte fora um tiro de espingarda na cabeça. O sr. Opus pulara do alto de um prédio de 10 andares, pretendendo se suicidar.
Ele deixou uma nota de suicídio confirmando sua intenção. Mas quando estava caindo, passando pelo nono andar, Opus foi atingido por um tiro de espingarda na cabeça, que o matou instantaneamente.
O que Opus não sabia era que uma rede de segurança havia sido instalada um pouco abaixo, na altura do oitavo andar, a fim de proteger alguns trabalhadores, portanto Ronald Opus não teria sido capaz de consumar seu suicídio como pretendia.
"Normalmente," continuou o Dr. Mills, "quando uma pessoa inicia um ato de suicídio e consegue se matar, sua morte é considerada suicídio, mesmo que o mecanismo final da morte não tenha sido o desejado."
Mas o fato de Opus ter sido morto em plena queda, no meio de um suicídio que não teria dado certo por causa da rede de segurança, transformou o caso em homicídio.
O quarto do nono andar, de onde partiu o tiro assassino, era ocupado por um casal de velhos. Eles estavam discutindo em altos gritos, e o marido ameaçava a esposa com uma espingarda. O homem estava tão furioso que, ao apertar o gatilho, o tiro errou completamente sua esposa, atravessando a janela e atingindo o corpo que caía. Quando alguém tenta matar a vítima A mas acidentalmente mata a vítima B, esse alguém é culpado pelo homicídio de B.
Quando acusado de assassinato, tanto o marido quanto a esposa foram enfáticos, ao afirmar que a espingarda deveria estar descarregada. O velho disse que ele tinha o hábito de costumeiramente ameaçar sua esposa com a espingarda descarregada durante suas discussões. Ele jamais tivera a intenção de matá-la. Portanto, o assassinato do sr. Opus parecia ter sido um acidente; quer dizer, ambos achavam que a arma estava descarregada, portanto a culpa seria de quem carregara a arma.
A investigação descobriu uma testemunha que vira o filho do casal carregar a espingarda um mês antes.
Foi descoberto que a senhora havia cortado a mesada do filho e ele, sabendo das brigas constantes de seus pais, carregara a espingarda na esperança que seu pai matasse sua mãe. O caso passa a ser portanto do assassinato do sr. Opus pelo filho do casal.
Agora vem a reviravolta surpreendente... As investigações descobriram que o filho do casal era, na verdade, Ronald Opus.
Ele encontrava-se frustrado por não ter até então conseguido matar sua mãe. Por isso, em 23 de março, ele se atirou do décimo andar do prédio onde morava, vindo a ser morto por um tiro de espingarda quando passava pela janela do nono andar.
Ronald Opus havia efetivamente assassinado a si mesmo, por isso a polícia encerrou o caso como suicídio. 
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Desequilibrado "soul"



desequilibrado soul
tenho a alma toda feita
aos pedacinhos
cada qual equilibrado
só
pelo sol que me guia
por meus
descaminhos
(ainda assim eu canto
canto com a voz cheia de remendos
canções tão lindas que eu
sem entender
entendo)
desequilibrado soul
não há modo de embelezar
o que feito não foi
para o mesmíssimo
olhar
caminante no hay
camino
se hace camino al
caminar
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje... 

domingo, 13 de junho de 2010

Selos


Este meme, recebi do amigo Edilson do Blog Lua2Gatos. Criativo e interessante.
As regras do jogo são as seguintes:- Colocar o selo e regras no blog.
- Responder apenas com imagens às questões: quem sou eu, o que me faz sorrir, o que me faz chorar, uma cor, uma lembrança, uma música, um filme, um pecado, um cheiro, um esporte, um hobby, um livro, um sonho, três lembranças de infância?
- Indicar as pessoas para responder e colocar seus links no final do post.
Então vamos lá compartilhar um pouco disto com voces:

Quem sou eu: Amante da Vida

O que me faz sorrir: Meu Amor

O que me faz chorar: Perdas

Uma cor:

Uma lembrança: Dulce

Uma música:

Um filme:

Um pecado:

Um cheiro:
Um esporte:

Um hoby:

Um livro:

Um sonho:

Três lembranças de infância:


Quem desejar participar da brincadeira sinta-se convidado.

Outro meme - Homens Fabulosos - me foi concedido pelos amigos Antônio Rosa do Blog Cova do Urso e Maria Isabel Viègas do Blog Memórias de Vidas Passadas.


Obrigado pelo carinho.

Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Belim Alexanderplatz




Acabei de assistir ao filme Belim Alexanderplatz em DVD, que ganhei de presente da Marcela [minha afilhada]. Para mim o maior filme de um cineasta visceral . Rainer Werner Fassbinder. Berlim Alexanderplatz, baseado na obra literária de Alfred Döblin, é um painel gigantesco da Alemanha nos anos 20 visto pelos olhos do malandro Franz Biberkopf, interpretado de maneira magistral por Gunther Lamprecht.

Esse retrato da cultura alemã é apresentado em 13 episódios e um epílogo, o que nos concede oportunidade única de conferir o tom obscuro e a luz expressionista empregada por Fassbinder na adaptação do romance.
A história começa com Biberkopf saindo da prisão onde permaneceu por quatro anos. O ambiente é o da depressão econômica que se segue à derrota alemã na 1ª Guerra Mundial. As dificuldades econômicas, a humilhação, a incapacidade de pagar a reparação de guerra, são fatores que criam um clima propício à ascensão de aventureiros, como se veria depois. No entanto, no romance, e no filme, essa perspectiva histórica é observada entre os habitantes do submundo. Lá onde Biberkopf, que não tem grande talento para coisa nenhuma a não ser os biscates, trava suas relações eletivas com a marginalidade. Nesse ambiente, tudo é risco: ele mantém caso com uma prostituta, mas com isso desperta a rivalidade de um rufião enciumado, que se finge de amigo.
Deve-se entender que adaptar o romance de Döblin era um desafio e tanto para Fassbinder. Publicado em 1929, o livro valia-se de uma multiplicidade de vozes e pontos de vista, incorporando até mesmo notícias de jornais na narrativa, tudo para falar daquela fauna reunida em torno da praça Alexander em Berlim. No filme, essa explosão narrativa, de certa forma, é concentrada em uma figura única, o protagonista Biberkopf, através do qual passam os fios da história. Mas é claro que toda as tramas se espraiam em narrativas secundárias, e em uma multidão de personagens.
Enfim, é a Alemanha do entreguerras fertilizando em surdina seu ovo de serpente, fato insuspeitado por esses personagens secundários que vivem à margem da vida. O lúmpen, levado pela necessidade única de sobreviver, que agride e entredevora-se para manter-se à tona. Não existe retrato mais complexo e comovente daquele país que poucos anos depois tentaria tornar-se o senhor do mundo. Um retrato expressionista, belo como cabaré decadente, doloroso como uma grande ressaca.
Ficha Técnica:
Direção: Rainer Werner Fassbinder
Atores: Günter Lamprecht, Karlheinz Braun, Hanna Schygulla, Claus Holm, Franz Buchrieser, Brigitte Mira, Roger Fritz, Gottfried John, Barbara Sukowa, Günther Kaufmann, Ivan Desny, Volker Spengler, Vitus Zeplichal, Barbara Valentin.
Ano: 1980
Duração: Aproximadamente 15 horas
Crítica: Berlin Alexanderplatz é um monumento à arte cinematográfica do final do século XX e é unanimemente considerada como a expressão máxima da visão da humanidade do grande cineasta que foi Rainer Werner Fassbinder.

Um pouco de Rainer Werner Fasbinder: Nasceu em Bad Worishofen , 31 de Maio de 1945 e morreu em Munique , 10 de Junho de 1982. Foi um diretor e ator considerado como um dos mais importantes representantes da Novo Cinema Alemão. Durante a sua carreira, fez não só 43 filmes, mas também trabalhou como ator de cinema e teatro. O sucesso prodigioso de Fassbinder no cinema é digno de nota. Fez, em média, um filme a cada 100 dias. A sua disciplina intensa e energia criativa fenomenal ao trabalhar faziam contraste com os excessos de relacionamentos destrutivos da sua vida pessoal com as pessoas que ele atraiu. Fassbinder era gay assumido e declarado e questões relacionadas à situação de pessoas consideradas outsiders na sociedade alemã predominam nas suas obras. A solidão, o medo, o desespero, a angústia, a busca pela própria identidade e a aniquilação do indivíduo por convencionalismos, o amor não correspondido, a felicidade sonhada e o desejo tortuoso, a exploração dos sentimentos e sua equiparação a uma mera transação comercial. As paixões íntimas como forma de retratar uma época — a Alemanha dos anos setenta que ainda "carregava" consequências do pós-guerra, da "democracia recebida como compensação" — e dar o testemunho das suas dificuldades econômicas, políticas, morais e sexuais são os grandes temas do cinema de Fassbinder. Morreu de uma overdose de drogas aos 36 anos. Há controvérsias se a overdose foi voluntária ou não, e se a discriminação sofrida por ele ser homossexual declarado não tenha contribuído ao seu fim prematuro. A sua morte é considerada um marco do fim do Novo Cinema Alemão. O estilo de Fassbinder é muito variado (clássico, barroco, realista, alegórico, expressionista, moderno), não apenas considerando o conjunto de sua filmografia, mas também cada filme em particular.

Quem tiver oportunidade não deixe de assistir. Enquanto isto compartilho com voces o trailler e o soudtrack deste clássico cinematográfico.





Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

PS: atendendo sugestão do Gui Franco estou mudando a fonte de minhas postagens ... espero que fique melhor para todos ... bjux

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Casamento Gay


Atriz e comediante Wanda Sykes fala sobre casamento gay: Por que as pessoas querem se meter com merdas que não as afetam?
A formatação das legendas está um horror, mas vale a pena conferir.

Fonte: Pablo . Blog Homologado




Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Meio Laranja Cinza Blue


Há um rabisco, no verso dessa folha que diz. Versos não vêm em forma de cálculos. Na cabeça de um elefante. Em pára-quedas? Estão nas hélices de um cata-vento. A fina camada. Cataventos. 
Não tem data. Mas tudo por aqui. Está assim. Frases cortadas, versos quebrados. Uma palavra jogada em um canto barrado dessa parede. Me faz voltar. 
Pouso novamente. Ergo o olhar junto com os ombros, encaro o meu quarto, o retrato velho de moldura oval, reencontro com a linha que gera o equilíbrio e não faz disso mais uma passagem em um sonho, a neblina abaixou. E estou de pé. Já encoberto por todos os erros, todas as bandeiras foram usadas. Estou bem aqui, ouço uma cantora que desconheço, escrevo em cima de uma capa de disco e bebo uma cerveja para me concentrar, você pode me ver?
Acordei às 17 horas, pude sentir o pulmão da casa respirando sem o peso dos pés deles. O telefone surpreende, não faço questão alguma de atendê-lo, minha língua dormente não corresponde ao chamado dessa cabeça que mais leve não se prende a coisa alguma. No centro, há um espelho que mora um corpo estranho, como se me olhasse de um microscópio e não reconhecesse esse mundo perdido. Deixo os olhos na parede, retorno para minha sinfonia. A sola áspera toca a cerâmica marrom. Cavo com os pés o mesmo caminho. 
Tenho me ocupado muito ultimamente. Meu médico disse para parar com os comprimidos e voltar ao maracujá. Levanto para virar o disco. Ele confia no seu diagnóstico, eu confio no meu desespero. Que volta a cada dia cumprido de sentimentos nulos, subtraindo-me em equações de ego em ego. Os olhos inertes, presos por xícaras e xícaras de café que se perdem, ocos e vazios. Quando os vejo assim de montes, aglomerados entre crianças chorando, com as mãos no bolso ou segurando a alça de uma bolsa, eu me escondo atrás de uma pele grossa, um couro de jacaré. Encoste em mim com esse seu olhar tão questionador que passo por cima com o peso de eras que um réptil possui. 
Mas acalma. A pior das engrenagens movimentaria. Com esse som que ensurdece o peito e rebate por todos os poros sem se perder pelo vão da janela.
Quando cheguei perto demais, ela disse que eu a escamava com uma faca amolada a mesma que ela retocava o batom e me dizia me beija de lábios cor de rosa. Quero sim mastigar cada pétala dessa flor em seu cabelo, dividir o maço, dar um abraço suado no intervalo e não dizer adeus como você disse. Perto deles, somos bichos selvagens, um leopardo escalando uma árvore, fugindo da mata densa. Amantes são seres solitários e se perdem em dever do outro, um sacerdócio, junto com a quebra de uma lei vem à cassação da alma, decapitações de cabeças. Ela me disse que não jogaria a toalha, não desceria o véu, que ali dentro estava confortável, protegida da chuva, das pedras.
Cheguei aqui ao menos. Não fiquei nas pedradas, nos socos, nas pontas dos pés dos garotos. Nos olhares esquivos, dos vários nãos, da projeção medonha de várias pessoas. Empurrei a corrente e o que se arrastava na ponta era a carcaça do mundo. Que muitos dizem carregar nas costas. Mas que de tempos em tempos, eu o fazia de bola, saco de pancada, massa de modelar. Não sei o que me tornei. Essa criatura medonha, capa preta e rua escura?
Querer amanhecer com motivo foi um risco. Perde-se o tempo exato das coisas. A respiração abafada pela correnteza do afogado. Às vezes eu mergulho, corto de leve esse pano, essa pele, e deixo o sangue acomodar entre os dentes. Ana C olha para mim como olhava um corpo de um poema. Ela mesma disse. O que sentiria ao abrir o gás de cozinha.
Batem na porta do quarto. Minha mãe chegou e eu não tinha percebido. Ela bate de leve, como se não desejasse mas por força maior do hábito assim realizasse. Vou até ela. Não a entendi. Seus olhos pesavam, bolsas de sono penduradas. Segurava um terço nas mãos, passou por mim e apagou a vela embaixo do retrato oval, fez o sinal da cruz, pegou os remédios na gaveta e entrou pelo corredor. Não deu nó a minha presença. Ouvi, que esteja em paz, de sua boca. 
Troco o disco. A música é a mesma. E fala de saudade, amores doentios, perdidos, despedidas sem abraços, abraços vazios, bebidas, ácidos, prédios abandonados no centro da cidade, solidão. Abro a janela e me misturo com o crepúsculo, a sua cor é a cor da minha pele, meio laranja cinza blue.
Leandro Mayfair . Blog Desce Mais Um
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje... 

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