segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Amor sem Preconceitos


O texto abaixo foi publicado no "Diário de Bordo".
Estou reproduzindo o vídeo e o texto porque é muito interessante. Eu não vi isso em nenhuma TV aberta. Ninguém traduziu e mostrou. E, ao longo da leitura, você deve até se perguntar por que não. Fala de respeito. O apresentador Keith Olbermann, da MSNBC, fez um comentário emocionante (e emocionado) sobre a aprovação da Proposta 8, que baniu o casamento (união civil) entre homossexuais na Califórnia. Um projeto de lei que promovia o "casamento gay" foi promulgado, centenas de casais homossexuais se casaram, e depois foi banido pela Proposta 8, nesse plebiscito que aconteceu junto das eleições de 04 de novembro. Eu sou a favor de que se fale em casamento gay. Se o casal de viadinhos quer se casar na igreja, jogar o buquê e sair num carro com latas amarradas no pára-choque, que seja. Nós temos que nos acostumar com isso.

*Alguns esclarecimentos, como prefácio: não é uma questão de gritaria ou política ou mesmo sobre a Proposta 8. Eu não tenho nenhum interesse pessoal envolvido, não sou gay e tive que me esforçar para me lembrar de um membro de minha imensa família que é homossexual. (...) E, apesar disso, essa votação para mim é horrível. Horrível. (…) Porque esta é uma questão que gira em torno do coração humano – e se isto soa cafona, que seja. Se você votou a favor da Proposta 8 ou apóia aqueles que votaram ou o sentimento que eles expressaram, tenho algumas perguntas a fazer, porque, honestamente, não entendo.Por que isso importa para você? O que tem a ver com você? Numa época de volubilidades e relações que duram apenas uma noite, estas pessoas queriam a mesma oportunidade de estabilidade e felicidade que é uma opção sua. Elas não querem tirar a sua oportunidade. Não querem tirar nada de você. Elas querem o que você quer: uma chance de serem um pouco menos sozinhas neste mundo.Só que agora você está dizendo para elas: "Não! Vocês não podem viver isto desta forma. Talvez possam ter algo similar – se se comportarem. Se não causarem muitos problemas." Você se dispõe até mesmo a dar a elas os mesmos direitos legais – mesmo que, ao mesmo tempo, esteja tirando delas o direito legal que já tinham (o do casamento civil). Um mundo em volta deste conceito, ainda ancorado no amor e no matrimônio, e você está dizendo para elas: "Não, vocês não podem se casar!". E se alguém aprovasse uma lei dizendo que você não pode se casar?Eu continuo a ouvir a expressão "redefinindo o casamento". Se este país não tivesse redefinido o casamento, negros não poderiam se casar com brancos. Dezesseis Estados tinham leis que proibiam o casamento inter-racial em 1967. 1967! Os pais do novo Presidente dos Estados Unidos não poderiam ter se casado em quase um terço dos Estados do país que seu filho viria a governar. Ainda pior: se este país não houvesse "redefinido" o casamento, alguns negros não poderiam ter se casado com outros negros. (...) Casamentos não eram legalmente reconhecidos se os noivos fossem escravos. Como escravos eram uma propriedade, não podiam ser marido e mulher ou mãe e filho. Seus votos matrimoniais eram diferenciados: nada de "Até que a morte os separe", mas sim "Até que a morte ou a distância os separe".O casamento entre negros não era legalmente reconhecido assim como os casamentos entre gays (...) hoje não são legalmente reconhecidos. E incontáveis são, em nossa História, os homens e mulheres forçados pela sociedade a se casarem com alguém do sexo oposto em matrimônios armados ou de conveniência ou de puro desconhecimento; séculos de homens e mulheres que viveram suas vidas envergonhados e infelizes e que, através da mentira para os outros ou para si mesmos, arruinaram inúmeras outras vidas de esposas, maridos e filhos – apenas porque nós dissemos que um homem não pode se casar com outro homem ou que uma mulher não pode se casar com outra mulher. A santidade do matrimônio. Quantos casamentos como estes aconteceram e como eles podem aumentar a "santidade" do matrimônio em vez de torná-lo insignificante? E em que isso interessa a você?Ninguém está te pedindo para abraçar a expressão de amor destas pessoas. Mas será que você, como ser humano, não teria que abraçar aquele amor? O mundo já é hostil demais. Ele se coloca contra o amor, contra a esperança e contra aquelas poucas e preciosas emoções que nos fazem seguir adiante. Seu casamento só tem 50% de chance de durar, não importando como você se sente ou o tanto que você batalhará por ele. E, ainda assim, aqui estão estas pessoas tomadas pela alegria diante da possibilidade destes 50%.(...) Com tanto ódio no mundo, com tantas disputas sem sentido e pessoas atiradas umas contra as outras por motivos banais, isto é o que sua religião te manda fazer? Com sua experiência de vida neste mundo cheio de tristeza, isto é o que sua consciência te manda fazer? Com seu conhecimento de que a vida, com vigor interminável, parece desequilibrar o campo de batalha em que todos vivemos em prol da infelicidade e do ódio... é isto que seu coração te manda fazer? Você quer santificar o casamento? Quer honrar seu Deus e o Amor universal que você acredita que Ele representa? Então dissemine a felicidade – este minúsculo e simbólico grão de felicidade. Divida-o com todos que o buscam. Cite qualquer frase dita por seu líder religioso ou por seu evangelho de escolha que te comande a ficar contra isso. E então me diga como você pode aceitar esta frase e também outra que diz apenas: "Trate os outros como gostaria de ser tratado". O seu país – e talvez seu Criador – pede que você assuma uma posição neste momento. Um pedido para que se posicione não numa questão política, religiosa ou mesmo de hétero ou homossexualidade, mas sim numa questão de Amor. (...) Você não tem que ajudar ou aplaudir ou lutar por ela. Apenas não a destrua. Não a apague. Porque mesmo que, num primeiro momento, isto pareça interessar apenas a duas pessoas que você não conhece, não entende e talvez não queira nem conhecer, é, na realidade, uma demonstração de seu amor por seus semelhantes. Porque este é o único mundo que temos. E as demais pessoas também contam."Se você não gosta de lasanha, não coma. Apesar, você gostaria que a lasanha fosse banida da face da terra? Que fosse proibida de ser produzida? Não, né? Parece exagerado querer isso? Então por que você é contra o casamento gay?*

Simplesmente “muito digno”.

A reportagem original é esta:







Este post foi retirado do blog: beagay


http://beagay.blogspot.com/


Pela sua importância ousei este post extra para compartilhar esta matéria com os amigos deste espaço.

Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

Estagnações



Tenho grandes estagnações. Não é que, como toda a gente, esteja dias sobre dias para responder num postal à carta urgente que me escreveram. Não é que, como ninguém, adie indefinidamente o fácil que me é útil, ou o útil que me é agradável. Há mais subtileza na minha desinteligência comigo. Estagno na mesma alma. Dá-se em mim uma suspensão da vontade, da emoção, do pensamento, e esta suspensão dura magnos dias; só a vida vegetativa da alma - a palavra, o gesto, o hábito - me exprimem eu para os outros, e, através deles, para mim.
Nesses períodos da sombra, sou incapaz de pensar, de sentir, de querer.Não sei escrever mais que algarismos, ou riscos. Não sinto, e a morte de quem amasse far-me-ia a impressão de ter sido realizada numa língua estrangeira. Não posso; é como se dormisse e os meus gestos, as minhas palavras, os meus atos certos, não fossem mais que uma respiração periférica, instinto rítmico de um organismo qualquer.
Assim se passam dias sobre dias, nem sei dizer quanto da minha vida, se somasse, se não haveria passado assim. As vezes ocorre-me que, quando dispo esta paragem de mim, talvez não esteja na nudez que suponho, e haja ainda vestes impalpáveis a cobrir a eterna ausência da minha alma verdadeira; ocorre-me que pensar, sentir, querer também podem ser estagnações, perante um mais íntimo pensar, um sentir mais meu, uma vontade perdida algures no labirinto doque realmente sou.
Seja como for deixo que seja. E ao deus, ou aos deuses, que haja largo da mão o que sou, conforme a sorte manda e o acaso faz, fiel a um compromisso esquecido.
Fernando Pessoa

Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

domingo, 7 de dezembro de 2008

Indigno


Não me indigno, porque a indignação é para os fortes;
não me resigno, porque a resignação é para os nobres;
não me calo, porque o silêncio é para os grandes.
E eu não sou forte, nem nobre, nem grande.
Sofro e sonho.
Queixo-me porque sou fraco e, porque sou artista,
entretenho-me a tecer musicais as minhas queixas
e a arranjar meus sonhos conforme me parece melhor a minha ideia de os achar belos.
Só lamento o não ser criança, para que pudesse crer nos meus sonhos,
o não ser doido para que pudesse afastar da alma de todos os que me cercam,
E tomar o sonho por real,
viver demasiado os sonhos deu-me este espinho à rosa falsa de minha sonhada vida: que nem os sonhos me agradam, porque lhes acho defeitos.
Nem com pintar esse vidro de sombras coloridas
me oculto o rumor da vida alheia ao meu olhá-la, do outro lado.
Ditosos os fazedores de sistemas pessimistas!
Não só se amparam de ter feito qualquer coisa,
como também se alegram do explicado, e se incluem na dor universal.
Eu não me queixo pelo mundo.
Não protesto em nome do universo.
Não sou pessimista.
Sofro e queixo-me, mas não sei se o que há de mal é o sofrimento
nem sei se é humano sofrer.
Que me importa saber se isso é certo ou não?
Eu sofro, não sei se merecidamente.
(Corça perseguida.)
Eu não sou pessimista, sou triste.
Fernando Pessoa

Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

sábado, 6 de dezembro de 2008

A Vida é Bela . o filme


* Série. Cinema *
leve e agradável
A Vida é Bela
Direção: Roberto Benigni
Ano: 1997
País: Itália
Gênero: Comédia, Drama. Guerra, Romance
Título Original: La Vita È Bella
Título em inglês: Life Is Beautiful
Elenco: Roberto Benigni, Nicoletta Braschi, Giustino Durano, Lidia Alfonsi, Sergio Bini Bustric, Giuliana Lojodice, Amerigo Fontani, Pietro De Silva, Francesco Guzzo, Raffaela Lebboroni
Sinopse: A saga do livreiro italiano Guido Orefice e de como ele conseguiu, por meio da fantasia, transformar os horrores da rotina de um campo de concentração nazista em regras de uma gincana, pelo menos aos olhos do filho de seis anos, estão nesta comédia que fala do que foi o maior drama do século 20: o Holocausto.




Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

A Flacidez das Horas



A pele agora logo resseca e rompe,
Mas ainda acorda como um pêssego
Maduro.
Tenho um pé no futuro e outro no passado.
O rosto ainda cheio de viço
Ao mesmo tempo anuncia
O inevitável no espelho.
Prenuncio dias mais largos
À medida que o tempo passa.
Me deleito com o esvaziamento das horas,
Que ainda se alastram tesas
E enquanto espero como e durmo.
Bebo o ar mais líquido e leio as folhas densas
Que durante anos me aguardaram na estante.
Tenho um universo de lugares
Me esperando.
Um arsenal de livros e discos.
Uma infinidade de páginas
Que insistem em serem escritas.
Meu horizonte pende pra frente.
Ao mesmo tempo a cada novo passo
Um novo caminho se abre pra trás,
Pela via da memória física que me invade.
Quanto mais sigo adiante,
Mais a estrada atrás de mim cresce.
Sou maior quando envelheço.
Viviane Mosé
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Sem Título


Quem tem olhos pra ver o tempo soprando na pele
Soprando sulcos na pele soprando sulcos?

O tempo andou riscando seu rosto
Com uma navalha fina

Sem raiva nem rancor
O tempo riscou meu rosto
Com calma

(eu parei de lutar contra o tempo
Ando exercendo instantes
Acho que ganhei presença)

Acho que a vida anda passando a mão em mim
A vida anda passando a mão em mim
Acho que a vida anda passando
A vida anda passando
Acho que a vida anda
A vida anda em mim
A vida em mim anda passando
Acho que a vida anda passando a mão em mim

E por falar em sexo quem anda me comendo
É o tempo
Na verdade faz tempo mas eu escondia
Porque ele me pegava à força por trás

Um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
Se voce tem que me comer
Que seja com o meu consentimento
E me olhando nos olhos

Acho que ganhei o tempo
De lá pra cá ele tem sido bom comigo
Dizem que ando remoçando
Viviane Mosé
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

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