quinta-feira, 17 de abril de 2008

Acrobata da Dor


Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.
Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta …
Pedem-se bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
nessas macabras piruetas d’aço…
E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço.

Cruz e Souza
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Rastros


fujo
e deixo
rastros
para não me perder
quando quiser voltar
fujo
e deixorastros
para você me encontrar
caso eu resolva não voltar
fujo
tentando
me perder
para não voltar
tentando não deixar
rastros
para você não
me encontrar
fujo
sem saber para onde
quero ir
andando em círculos
e voltando sempre
para o mesmo lugar
fujo
deixando rastros
para não me perder
para você me achar

Eduardo Santos . Blog Reticências Poéticas
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

terça-feira, 15 de abril de 2008

Ecos


Contra a voz que há em mim eu me levanto,
caso em mim eu me louve ou me apiede.
Finjo o riso se a voz me quer o pranto.
Finjo o pranto se a voz o riso pede.

Eu ser um ou ser outro, nada impede,
pois meu pranto é meu riso o tanto quanto.
Sou o riso que o pranto me concede,
sou o pranto do riso nesse enquanto.

Dito assim, riso ou pranto, pouco importa?
se há um, logo o outro lhe comporta?
sem porquês, sem quereres, sem espanto?

Nada disso. Mas isso tão-somente:
se a voz que eu trago não me mente,
contra a voz que há em mim eu me levanto.
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Dois Meios


tente de todos os meios
alie todo o tipo de recheios
levante o punho para a realidade
mate todo o tipo de vaidadede
seja só e sempre por inteiro


Paulo Braccini

enfim, é o que tem pra hoje...

É isso.

Se digo “é isso”, não sei
se é isso mesmo que é isso,
pois pode ser — bem o sei,
só parecido com isso.
Mas mesmo não sendo isso,
ou seja, é isso e eu sei,
digo sempre que não sei
(nem sei por que digo isso...)
e por que isso? ... já sei!
Aliás, não sei. É isso.
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

domingo, 13 de abril de 2008

Fatos e Versões


Sou mais versão do que fato,
bem mais talvez que decerto;
indecifrável retrato,
num álbum jamais aberto.
Nunca fui Sol, só deserto.
Só fui supérfluo e aparato.
Trago um discurso barato
onde me finjo liberto.
Solenemente abstrato,
sou bem mais longe que perto.
Antoniel Campos

Paulo Braccini

enfim, é o que tem pra hoje...

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