Feline é um cara inteiramente fora de qualquer padrão codificado em normas, valores e conceitos pré-definidos. Dono de uma postura toda própria, de uma maneira clara, objetiva e quase didática para contextualizar suas idéias, constrói seu Blog “Naum Leia”, de forma diferente e contundente. A cada leitura de seus textos me apercebo de uma identidade rara entre o EU dele e o EU do Braccini. Em princípio ele pode até chocar à grande maioria, mas se cada um se permitir uma reflexão profunda e crítica poderá se descobrir como um SER de infinitas possibilidades, muito além dos conceitos e valores herdados e assumidos como próprios. Para ilustrar, trago até voces uma postagem do mesmo que, guardados alguns pequenos aspectos de ordem temporal, revela de forma firme e direta um pouco mais do SER Braccini.
“Hombridade é que faz de nós putões”
Sou casado e mantenho uma vida sexual com o marido e os amantes todos da hora – daí os gays nos apontam na rua como promíscuos (mas não na sauna ou nos outros locais de pegação, onde, com tanta fama de putos, somos até bem quistos para bater portas).
Eu e o namorado, então, servimos só pra sexo (aleluia), mas não para ser alvo do afeto de outros gays. Devemos ser homens para quatro paredes e não para ser exibidos em público.
Mas mal sabem que o que para eles pode soar como maldição, para nós é nossa bênção. Ficamos com a melhor parte da vida gay.
Se há algo na minha vida de que me orgulho é da minha hombridade. Queiram ou não as feministas e os gays recalcados ou que sonham em se incorporar à sociedade hétero, ser homem é sinônimo de ser safado.
Os politicamente corretos que se fodam, mas ser safado é essencial num homem. E é um valor que nós gays, mais que ninguém, sabemos cultuar – em nós e nos outros caras.
Ninguém melhor que nós, homens adoradores de homens, para preservar e difundir os saudáveis, deliciosos e imprescindíveis valores da hombridade, entre eles o de ser puto.
Meu pai era puto, meus irmãos são também e os amigos héteros que tenho, quando sinceros, confessam-se putos. Porque então logo eu haveria de ser diferente, sendo homem também?
Minha mãe, mulher que é, pode até não concordar, mas ela me relatou que meu pai, antes de morrer, chamou meus irmãos (já casados) e disse a eles para não se prenderem numa só mulher – que isso era um erro fatal.
Ela nunca desdisse meu pai. E o que pra ela era perfeitamente aceitável num homem– ainda que reprovável – para esses gays femininos é o pior dos defeitos masculinos: a infidelidade.
Não sei quem inventou isso de fidelidade, mas não foi um homem, e muito menos um gay orgulhoso de si.
Desse mesmo tipo de gente veio a idéia de que trepar deva ser algo ruim ou animalesco. Ou pior, gostar de trepar deva ser algo muito ruim.
Essa mesma gente acha que, escondido, trepar de todo jeito pode - mas às claras, socialmente, deve-se ser casto e exigir a castidade alheia. Mais ou menos o mesmo princípio da virgindade. Sendo a virgindade uma virtude, para não deixar de ser virtuosa antes de casar e ainda assim poder trepar e gozar, as mulheres castas davam a bunda e se aperfeiçoavam nas putarias todas – mas preservavam a virgindade.
Dessa hipocrisia institucional estou livre. Dei a bunda e comi os caras que quis, antes, durante o casamento e continuo sendo um homem de bem e de caráter, a despertar amores por aí e a me apaixonar normalmente. Desconectados, meu coração e virilha funcionam à toda, 13 anos depois de casado e aos 40 anos de vida.
Porque ser puto na cama e careta socialmente é pouco pra mim. Pra mim, o inverso é uma opção perfeitamente cabível. Ser homem e fingir não ser puto até o talo cheira a conservadorismo.
Dois medos que tenho: do feminismo e do conservadorismo. Luto contra eles sendo homem e puto, quando, com quem e onde me der vontade. Luto sendo puto e assumindo quem sou e assumindo que isso é bom e desejável num homem de bem.
Luto rindo dessa gente infantilizada, que acha só o escuro libera de todas as amarras,
quando, na verdade, o que nos liberta pra trepar quando e como quisermos é unicamente nossa vontade máscula, de homens que somos.
Feline . Blog Naum Leia
[assino em baixo com uma pequena ressalva: esta deveria ser uma percepção clara para todos que se aventuram em um relacionamento, não importa a forma do relacionamento - homo ou hétero; não importa o gênero do partícipe - homem ou mulher, isto é coisa inerente ao SER].
*Hombridade: Qualidade associada às pessoas honestas, dignas, verdadeiras.Tenho hombridade à medida em que sou honesto, sincero e verdadeiro com relação ao que digo e ao que faço.
Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...