
A marida chega em casa e me flagra, na cama, com um garotão, 25 anos, forte, bronzeado, cheio de amor pra dar. Arma o maior barraco, mas eu o interrompo e digo:
Antes, você deveria ouvir como tudo isso aconteceu. Andava na rua, vi esse jovem maltrapilho, cansado e faminto. Então, com pena do estado dele, eu o trouxe para casa. Dei a ele aquela refeição que eu havia preparado para você ontem e como você chegou tarde e satisfeito com o tira-gosto do boteco, não comeu, e eu guardei o jantar na geladeira, lembra-se? Ele estava descalço, então dei a ele aquele seu par de sapatos que, como foi minha mãe que te deu, você nunca usou. Ele estava com sede e eu servi aquele vinho que estava guardado para aquele sábado que você prometeu mas que nunca chega, pois num dia é futebol, noutro buraco, outro pescaria, noutro peteca, noutro lavando o carro e assim por diante. As calças estavam rasgadas, dei-lhe aquele seu jeans seminovo, ainda em perfeito estado, mas não cabia mais em você. Como ele estava sujo, aconselhei-o a tomar um banho, fazer a barba, e dei a ele aquela loção francesa novinha que você nunca usou, porque achava fedorenta. Daí, quando ele ia embora, perguntou: Tem mais alguma coisa que sua marida não usa mais? Nem respondi! Dei logo!
Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...