quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Da Fome de Amor



O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.


Adaptado do poema “Os três mal amados

 João Cabral de Melo Neto


Paulo Braccini

enfim, é o que tem pra hoje...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Doze Homens e Uma Sentença . o filme


*Série . Cinema*
mais um clássico
Doze Homens e Uma Sentença
Direção: Sidney Lumet
Ano: 1957
País: Estados Unidos
Gênero: Drama, Policial
Título Original: 12 Angry Men
Título em Inglês: Twelve Angry Men
Elenco: Henry Fonda, Lee J. Cobb, Ed Begley, Martin Balsam, Jack Warden, Ed Binns. E. G. Marshall, John Fiedler, Jack Klugman, Joseph Sweenev
Sinopse: A maior parte do filme é ambientada em um tribunal, onde um jovem está sendo acusado de matar o próprio pai a facadas. Todas as evidências apontam para ele como o responsável pelo crime e 11 jurados estão convencidos de sua culpa. Porém, um último jurado crê na sua inocência e vai tentar convencê-los de que o jovem não deve ser condenado.




Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

Eu Mesmo


Todo homem tem direito às dúvidas. Sábios e loucos, santos e pecadores, todos cultivam as mesmas perplexidades, de onde vim, quem sou eu, para onde vou. Como se não bastassem essas dúvidas, às quais todos têm direito, eu tenho cá outro tipo de dúvida mais estúpida e cruel: a de não ser eu mesmo.
Carlos Heitor Cony . O indignado

Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Proud . post extra


Há muito tempo que montei este post e chegou o momento de compartilha-lo


Eu examino a janela da minha mente
Reflexões dos medos que sei que deixei para trás
Posso sentir minha alma subindo
Eu estou no meu caminho
Não posso parar agora
E você pode fazer o mesmo


uma canção magnificamente bela, um reflexo da minha alma

permita-se viajar nela e faça sua leitura

Proud

Heather Small

I look into the window of my mind
Reflections of the fears I know I've left behind
I step out of the ordinary
I can feel my soul ascending
I am on my way
Can't stop me now
And you can do the same

What have you done today to make you feel proud?
It's never too late to try
What have you done today to make you feel proud?
You could be so many people
If you make that break for freedom
What have you done today to make you feel proud?

Still so many answers I don't know
Realise that to question is how we grow
So I step out of the ordinary
I can feel my soul ascending
I am on my way
Can't stop me now
And you can do the same

What have you done today to make you feel proud?
It's never too late to try
What have you done today to make you feel proud?
You could be so many people
If you make that break for freedom
What have you done today to make you feel proud?

We need a change
Do it today
I can feel my spirit rising
We need a change
So do it today
'Cause I can see a clear horizon

What have you done today to make you feel proud?
So what have you done today to make you feel proud?
'Cause you could be so many people
If you make that break for freedom
So what have you done today to make you feel proud?
What have you done today to make you feel proud?
What have you done today
You could be so many people?
Just make that break for freedom

***

Eu examino a janela da minha mente.
Reflexões dos medos que sei que deixei para trás.
Então estou saindo do normal.
Posso sentir minha alma subindo.
Eu estou no meu caminho.
Não posso parar agora
E você pode fazer o mesmo, sim.

O que você tem feito hoje para se sentir orgulhoso?
Nunca é tarde demais para tentar.
O que você tem feito hoje para se sentir orgulhoso?
Você poderia ser tantas pessoas,
se apenas fugisse para a liberdade.
O que você tem feito hoje para se sentir orgulhoso?

Ainda há tantas respostas que não sei.
Perceba que questionar, é como nós crescemos.
Então estou saindo do normal.
Posso sentir minha alma subindo.
Eu estou no meu caminho.
Não posso parar agora
E você pode fazer o mesmo, sim.

O que você tem feito hoje para se sentir orgulhoso?
Nunca é tarde demais para tentar.
O que você tem feito hoje para se sentir orgulhoso?
Você poderia ser tantas pessoas,
Se apenas fugisse para a liberdade.
O que você tem feito hoje para se sentir orgulhoso?

Precisamos de uma mudança.
Faça-o hoje.
Posso sentir meu espírito se erguendo.
Precisamos de uma mudança.
Faça-o hoje.
Porque posso ver um horizonte nítido.

O que você tem feito hoje para se sentir orgulhoso?
Então o que você tem feito hoje para se sentir orgulhoso?
Você poderia ser tantas pessoas,
se apenas fugisse para a liberdade.
Então o que você tem feito hoje para se sentir orgulhoso?
O que você tem feito hoje para se sentir orgulhoso?
O que você tem feito hoje.
Você poderia ser tantas pessoas
Se apenas fugisse para a liberdade.



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Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

Doce Deleite


Deixa de cerimônia
não é amor é só instinto.
Chega mais perto
deixa eu sentir teu cheiro.
Fica quieto
que eu só vim te dar um beijo.
Não há amanhã
só o prazer desse instante.
Não vá embora
sem deixar teu gozo aqui.
Só leve consigo
um sorriso de satisfação!
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Jornada Solitária


Esta dura despedida,
onde me perco
em cada adeus.
E ninguém sabe o motivo
da partida.
Sou eu que fujo
em um aceno,
sem muita explicação pra dar.
Sofre mais quem parte
ou quem fica sem saber?
Sem destino,
rumos incertos
minha vida ...
jornada solitária.

Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

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