sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Borrão Vermelho de Sangue

Quero escrever o borrão vermelho de sangue com as gotas e coágulos pingando de dentro para dentro. Quero escrever amarelo-ouro com raios de translucidez. Que não me entendam pouco-se-me-dá. Nada tenho a perder. Jogo tudo na violência que sempre me povoou, o grito áspero e agudo e prolongado, o grito que eu, por falso respeito humano, não dei. Mas aqui vai o meu berro me rasgando as profundas entranhas de onde brota o estertor ambicionado. Quero abarcar o mundo com o terremoto causado pelo grito. O clímax de minha vida será a morte. Quero escrever noções sem o uso abusivo da palavra. Só me resta ficar nua: nada tenho mais a perder.


A tela e o pincel foram outros instrumentos utilizados por Clarice para expressar toda a sua sensibilidade. Escolhi, para ilustrar esta maravilha de poema, a tela Tentativa de Ser Feliz (muito linda).




Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Homofobia - Preconceito como tantos outros


Tema pesado e dificil de ser abordado. Mas vale um registro pois mais simples que seja... Posto uma crônica interessante que aborda as raízes desta "peste" com simplicidade, objetividade e clareza. Também posto uma sequência de dois vídeos que prestam um tributo a cineasta israelense que, em tres produções, explora a homossexualidade de forma séria, dígna e com enorme sensibilidade.Parabéns e que sirva de exemplo.

Machos, sexismo e homofobia

Apesar do que as mulheres pensam, ser homem também é muito complicado. O mundo dos heteros é habitado por fantasmas que provocam enormes amargos de boca: o medo de broxar, o trauma do pirilau pequeno ou, quem sabe, a ejaculação precoce. Mas a coisa não fica por aí.
O maior pavor do hetero comum é que alguém duvide da sua masculinidade. Não pode haver qualquer suspeita sobre a sua “macheza”. Se por acaso alguém um dia duvidar da sua orientação sexual, é o caos total. O hetero entra em colapso. O medo é tanto que os caras passam cada minuto da vida a tentar mostrar o quanto são machos.

Coisa de macho

O vestiário masculino, em especial depois da peladinha de futebol, é o pior lugar do mundo. É lá que os caras assumem o lado brucutu sem o menor pudor. Passam o tempo a falar de mulheres, mesmo as mulheres dos amigos (desde que os amigos não estejam presentes, claro), como se elas fossem simples figurantes do universo masculino. Coisa de macho, algo que nunca falta é o relatório das ocorrências sexuais. O vestiário masculino mais parece um estábulo, tal o número de garanhões.
– Tu sabe quem anda comendo a mulher do Juca?
– Não é o Ricardo?
– Não, o Ricardo transou com ela no ano passado, mas já acabou.
– Quem é então?
– O Marcelo, aquele casado com a Vanessa... aquela boazuda lá do country club.
– Essa Vanessa é um avião. Pô, esse Marcelo sabe se tratar bem.
– Pera aí. Não foi esse cara que andou com uns problemas esquisitos?
– Claro. Ele até andou fazendo psicanálise.
– Pô, isso de psicanálise é uma frescura... pra mim isso é coisa de quem tem o bilau pequeno.
– Tu já andou a olhar para o bilau do cara?!
– Tá me estranhando, cumpadre? É apenas uma forma de expressão...
– Eh... isso de falar na ferramenta dos outros é meio suspeito.
– Manera aí, mermão. Eu sou espada, pô.

Homofobia e macheza

O mais engraçado é que nesses ambientes os níveis de sexismo e homofobia sobem à estratosfera. Não importa se o cara é um fracassado na cama, se nunca conseguiu dar um orgasmo a uma mulher ou se elas fogem dele como fogem da lepra. Lá no vestiário ele é o macho e está no topo da cadeia alimentar de um mundo onde as mulheres (qualquer uma delas) são simples objetos.
Afinal, numa sociedade machista, ser macho é uma moeda de troca: quanto mais macho eu for, mais os outros machos vão me respeitar. É claro que essa lógica só vale para os imbecis... e são justamente esse os que acabam por se tornar também homofóbicos.
Aliás, sem querer freudianizar a coisa, sou capaz de apostar que quanto mais homofóbico é um sujeito, menor é a confiança que ele tem na própria virilidade.
É como diz o velho deitado: “Eles estão tão preocupados em mostrar aos outros machos o quanto são machos... que se esquecem das mulheres”.

Crônica de José Antônio Baço – Jornal “A Notícia”
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...





Mineiridade - Uma identidade


Muitos conhecem ou já ouviram falar em MINEIRIDADE, mas poucos sabem efetivamente o que vem a ser. MINEIRIDADE não só engloba tudo que é peculiar a Minas Gerais - sua gente, sua cultura, suas tradições - mas é muito mais que isto... MINEIRIDADE é SENTIMENTO.
Oh Minas Gerais! Quem te conhece não esquece jamais! ... já diz sabiamente esta canção adotada como hino desta terra ... uma canção francesa é verdade, mas que tem a cara e o jeito de MINAS e sua GENTE, e que recebeu esta letra que caracteriza tão bem todo este SENTIMENTO, toda esta MINEIRIDADE. Para melhor ilustrar postamos aqui 04 vídeos em sequência que vai mostrar um pouco desta maravilha chamada MINEIRIDADE.
(atente para o vídeo Terras de Minas que traz uma crônica sobre a mineiridade linguística talvez a marca fundamental, junto com a desconfiança, deste sentimento de mineirice)
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...



Amigos - "Mineirin"


Hoje recebi um e-mail com uma sátira ao linguajar peculiar à gente mineira. Resolvi então compartilhar com os amigos do Blog... quem é mineiro entende, quem não é tenta né?

Queridos amigos mineiros e não mineiros "eu amo cêis tudo"!; "cêissão um trem danado de bão sô"!"
Vejam só "qui buniteza"!
Oiiiii! mesamigus!
Cêis são o colírio do meu ôiu. São o chiclete garrado na minha carça dins. São a maionese do meu pão. São o cisco no meu ôiu (o ôtro oiu - eu tenho dois uai). O limão da minha caipirinha. O rechei do meu biscoito. A masstumate do meu macarrão. A pincumel do meu buteco. Nossinhora! Gosto dimais da conta docêis, uai. Cêis são tamém: O videperfume da minha pintiadêra. O dentifriço da minha iscovdidente. Óiprocêisvê! Quem tem amigos assim, tem um tisôru! Eu guárdesse tisouro, com todo carinho, do Lado esquerdupeito!!! Dentromeu coração!!! Amocêis padaná!!! Mesmo cêis me molano!!! Bêjo procêis viu! Ficumdeus!
Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...


terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Porque

Because... uma das obras primas da genialidade dos Beatles, aqui na interpretação simplesmente bela de Ná Ozzetti (uma das maravilhas da mpb),com uma montagem fotográfica de muito bom gosto.
Adoro e compartilho com os amigos.

Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...


Amigos


Amigos
Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devotoe a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabemque estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários,de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí,e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.Se todos eles morrerem, eu desabo!Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,compartilhando daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado,morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente, os que só desconfiam - ou talvez nunca vão saber - que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.
* a todos os meus amigos, de perto e de longe, de hoje, de ontem e de sempre *
Vinícius de Moraes

Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

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