sábado, 20 de junho de 2009

Pequeno Esclarecimento


Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio... Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.

Mario Quintana . A vaca e o hipogrifo

Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Eu continuo fiscal do Sarney

* pequeno exercício de memória histórica atualizada *

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Os da minha idade vão lembrar-se do botton aí ao lado. Pra quem não conhece, vou contar parte dessa história. Ela me veio à mente ao ler a notícia de que um deputado renunciou ao seu mandato após denúncias de que funcionários do Parlamento haviam promovido gastos indevidos com verbas públicas. Ele pessoalmente não estava envolvido, os funcionários sequer eram do seu gabinete, mas se declarou envergonhado com a situação e optou pela renúncia.

Pois é, o episódio acima aconteceu... na Inglaterra.

Como não existe pecado no lado de baixo do equador... aqui, pelas bandas do Brasil, o senador José Sarney, atual presidente do Senado, ex-presidente da República, ex-governador do Maranhão, presidente do partido que apoiava o governo militar à época da ditadura, membro da Academia Brasileira de Letras, patriarca de uma dinastia de poder e no poder, há 50 anos presente na história política do Brasil, vai à tribuna defender-se das acusações de, entre outras coisas, ter parentes e apaniguados na lista de beneficiados por “atos secretos”, medidas aprovadas e não publicadas, nos bastidores do Congresso Nacional. As denúncias têm nome, endereço e telefone.

Sarney, indignado, faz veemente discurso. Esclarece, explica, desmente tudo? Nada disso. A frase lapidar da sua fala é a seguinte: “O problema não é meu. O problema é do Senado!”.

Como assim? Para ele, o fato de ocupar pela terceira vez a presidência do mesmo Senado é apenas um detalhe? É problema dos outros?

Sabem de uma coisa, ele tem razão. Sarney está lá pelo voto popular. Ele e tantos outros sarneys, que há muito tempo desviam a riqueza do país para si e para os seus. E como Brasília fica muito longe do Brasil, as medidas para apurar denúncias que por lá abundam demoram a ser implementadas. Esses sarneys estão pouco se lixando para a opinião pública. De vez em quando se permitem uma desculpa, uma justificativa, um gesto de quase humildade. Mas, dessa vez, a investigação tarda pois um dos possíveis responsáveis pela apuração, outro senador, está em licença médica. Fez, recentemente, uma cirurgia para redução de estômago.

Pena não haver uma cirurgia capaz de reduzir também a fome desse pessoal por dinheiro e poder. Ou, quem sabe, para aumentar o nosso estômago, facilitando a digestão dos sapos que somos obrigados, diariamente, a engolir.

Mas voltemos ao Sarney, que, na verdade, tem muitos nomes. E muito dinheiro. Políticos dessa espécie estão no poder há muito tempo. Quinhentos e nove anos, para ser mais preciso. O Sarney de cinco séculos chegou na caravela do Cabral. Aqui desembarcado, promoveu logo um primeiro ato político: com uma missa, tomou posse da ilha de Vera Cruz, em nome de Deus e do rei de Portugal. Fez o sermão. A plateia indígena, perplexa, via, ouvia e nada entendia. Como acontece até hoje.

Após o rito, o saque. A Ilha de Vera Cruz foi rebatizada. O Sarney daquela época dividiu a terra que virou um Brasil fatiado em capitanias hereditárias. Ah, o peso dessa palavra na nossa história; hereditária...

Lá estava Sarney que, servil, serviu a Portugal. Comeu das fartas sobras do poder, dos restos da mesa da corte, sonhando, um dia, sentar-se à cabeceira. Viu a colônia morrer e um império nascer, às margens plácidas do Ipiranga.

E veio a República, que já nasceu fardada, gostou do traje, o que fez brotar, de vez em quando, aqui e ali, um golpezinho, uma revolução, uma ditadura...

Sarney bateu continência a todos e todas. Fez-se presidente de uma tal ARENA, nome significativo para um país que se transformava em um novo coliseu onde a liberdade era jogada aos leões.

Mas, de tanto usada, a faca, um dia, já não cortava. O golpe cansou de se reinventar. Caiu de podre. E quem estava lá para aproveitar a ocasião? Nosso Sarney atual. Chegava, enfim, sua vez de sentar-se à cabeceira da mesa do que ele chamou de Nova República.

O Poder, agora rebatizado de Mercado, mais uma vez deu as cartas. Sarney, como sempre, dava suas cartadas. Inventou um ministro, que inventou um plano mirabolante, congelou preços, confiscou bois no pasto e terminou convocando os fiscais do Sarney, nós, o povo, que nos esquecemos de fiscalizar a velha raposa.

Nada funcionou, a não ser as concessões de Rádio e TV que garantiram ao tarimbado político mais um ano de poder.

Até que, no último mês do seu desgoverno, Sarney saiu pela porta dos fundos do palácio. Deixava as prateleiras vazias e uma conta para o Brasil pagar: 84% de inflação ao mês!!!

Mas qual o que: outro Sarney o substituiu. Atendia pelo nome de Collor, que também inventou ministros, planos e confiscos. Nova estampa, velhos métodos. O novo Sarney, (que de novo só tinha o nome), mudava alguma coisa, para não mudar coisa nenhuma...

E assim caminha a Humanidade...

Será? É nossa herança e destino essa desesperança?

Socorro-me do apóstolo Paulo: “mesmo contra toda a esperança, esperei...”

E vou lhes dar as razões da minha esperança. Por incrível que pareça, acredito que estamos melhorando como civilização, como espécie. O bicho homem se faz, cada vez mais, homo sapiens.

Há pouco mais de 100 anos a cor da pele definia se alguém nascia livre ou escravo. A busca, então, era de abolicionistas, por liberdade. Hoje somos ecologistas, lutando por preservação e sustentabilidade.

O problema é que falamos tanto, jogamos holofote em tantos sarneys, que nos esquecemos que, na História, também houve um Gandhi, um Luther King, um Chico Mendes, gente que lutou por liberdade e direitos, que fez valer princípios como a desobediência civil e a não-violência ativa.

Ficamos tão marcados por esses parasitas insaciáveis que não saem das manchetes que não percebemos que em qualquer criança de seis anos, hoje, há um ser político em construção, capaz de praticar e exigir a prática de uma nova ética.

Há um futuro acontecendo. Estão cada mais ridículos os vândalos, os desonestos e outros idiotas. Os sarneys têm cada vez menos espaço para suas manobras. Ainda se movem, e como se movem, mas seus atos são cada vez menos secretos.

Desculpe essa minha mania de professor de ver, em tudo, a possibilidade de aprender e ensinar. A minha vergonha diante do discurso do Sarney me fez lembrar a vergonha do deputado inglês. Ele renunciou. Eu não. Entro agora na campanha eleitoral.

Renuncio à idiotice do “levar vantagem em tudo”, do “não tô nem aí”, refrão que já foi sucesso nas paradas musicais. Música por música prefiro parafrasear Jorge Ben Jor que cantava: “Se o Sarney soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem...”

Chega de sarneys. O tempo é outro. E a você que desanimou ou nem se animou, lembro uma palavra de Frei Betto:

“Os da minha geração imaginaram, por um momento, que a conquista dos sonhos de liberdade e dignidade coincidiriam com o nosso tempo histórico, o tempo da nossa vida. Hoje, perdi a esperança de fazer parte da colheita, mas não abro mão de morrer semente...”

Para quem é educador, semeador, o tempo da esperança se chama sempre.

por Eduardo Machado

Dando continuidade a tudo isto vem o pior, se é que pode haver algo pior: o Presidente Lula ainda saiu em defesa deste Senhor, mestre dos descalabros na antiga e nova república:

Pouco antes de embarcar de Astana, no Casaquistão, onde realizava a última etapa de sua turnê pela Europa e pela Ásia Central, o presidente afirmou que Sarney "não é uma pessoa comum", demonstrou não acreditar nas denúncias recentes sobre as contratações secretas no Senado, criticou o "processo de denuncismo" e afirmou que não sabe "a quem interessa enfraquecer o poder legislativo".
A defesa de Sarney foi feita no início da tarde, horário local - final da madrugada no Brasil. "Eu sempre fico preocupado quando começa no Brasil esse processo de denúncias, porque ele não tem fim, e depois não acontece nada", justificou, criticando a reação da imprensa e da opinião pública contra o presidente da casa. "O Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum."
Lula argumentou que as denúncias devem ser investigadas, mas mostrou desconfiança sobre a veracidade das informações reveladas até aqui. "O que ganharia o Senado em ter uma contratação secreta se tem mais de 5 mil funcionários transitando por aqueles corredores? Por que haveria de ter alguém secreto?", questionou, completando: "Essa história precisa ser melhor explicada."

Enfim, muita coisa precisa ser melhor explicada neste país, até quando continuaremos cegos, mudos e omissos frente à nossa responsabilidade hitórica.

xô sarney


e todos os que com ele desonram e saqueiam este país!!!






Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

Calendário Romano . Vamos Rezar mais Gente!

Padres do Vaticano posam para calendário (não é novo mas, o que é bom, vale a pena ver de novo).

Bombeiros, esportistas, aeromoças, todos têm seus calendários. Há quatro anos, os padres do Vaticano também ganharam a sua folhinha. Mas nada de religiosos idosos ou fora de forma. As fotos do "Calendário Romano", como é chamado, retratam 12 padres bastante atraentes. As informações são da “Cadena Ser”.O Vaticano, no entanto, esclarece que o calendário, que foi todo fotografado pelo italiano Piero Pazzi, não é oficial. A folhinha é vendida pela internet, telefone e em bancas de jornais e é um sucesso: no ano passado, esgotaram-se os 40 mil exemplares disponíveis.
De acordo com os editores, o "Calendário Romano se propõe a ser um instrumento informativo para o turista que visita Roma, fornecendo dados sobre o Vaticano". No verso de cada fotografia, há informações sobre o presente e o passado do pequeno Estado. Mas a verdade é que os jovens padres chamam mais a atenção do que os dados do verso.

Dá só uma olhada e que JESUS NOS ACUDA ...

Amigos! VAMOS REZAR O TERÇO DE JOELHOS ... rs


PS: Contribuição, via e-mail, de minha "cumadi" Drica . "brigadu" ...


Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...


































Tecendo a Manhã




Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.


***
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.


***

A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.


João Cabral de Melo Neto




Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Filosofando . História da Filosofia


*Série . Filosofia*
História da Filosofia Ocidental


Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje

David Beckham revela sua Underwear

David Beckham revela sua Emporio Armani Underwear em nova campanha publicitária … huuuuuuuuuummmmmmmmmmmm!!!

BeckhamArmani 01

BeckhamArmani 02

BeckhamArmani 04

BeckhamArmani 03

Paulo Braccini

enfim, é o que tem pra hoje…

Nesse lugar


há um lugar no coração que
nunca será preenchido
um espaço
e mesmo nos
melhores momentos e
nos melhores tempos
nós saberemos
nós saberemos
mais que nunca
há um lugar no coração que
nunca será preenchido e
nós iremos esperar e
esperar nesse lugar.

Charles Bukowski . Sem chance de ajuda

Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Manifestação contra a Violência Homofóbica

bandeira gay

“Nota oficial da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo sobre casos de violência homofóbica pós-Parada.


Considerando as manifestações homofóbicas ocorridas em locais de frequência de LGBT após a realização da XIII Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo vem a público manifestar sua indignação e esclarecer que:
a. Como entidade organizadora da Parada, a Associação da Parada trabalha em parceria com a Polícia Civil e Militar para evitar situações de violência e desrespeito à legislação vigente, o que sempre fez da Parada uma atividade pacífica e com baixos índices de ocorrências relativamente às proporções da manifestação;
b. Como entidade ativista pelos direitos LGBT, a Associação da Parada considera que os atos marcadamente homofóbicos que ocorreram após o evento, como o espancamento na rua Frei Caneca e o arremesso de uma bomba de um condomínio na Avenida Dr. Vieira de Carvalho, são expressões da homofobia a que estão submetidos cotidianamente LGBT na cidade de São Paulo e no Brasil. Pesquisas como a recentemente divulgada pela Fundação Perseu Abramo trazem dados que revelam um país marcadamente homofóbico (na pesquisa divulgada pela FPA, 92% de entrevistados em 150 municípios espalhados pelo país reconheceram que existe preconceito contra LGBT e cerca de 28% reconheceram e declararam seu preconceito);
c. Consideramos, ainda, que os casos ocorridos se revestem de especial gravidade, sobretudo pelo significado que adquirem ao atingir integrantes de uma comunidade altamente estigmatizada e violada em seus direitos no dia em que se manifesta em favor do reconhecimento desses direitos;
d. Assim sendo, reiteramos nosso clamor, expresso também por via de Ofício encaminhado pela Associação da Parada, para que a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo atue com afinco e rigor na apuração dos fatos e na punição dos autores de tais atos de violência;
e. Conclamamos, junto a outros grupos LGBT e entidades da sociedade civil da cidade e do estado de São Paulo, a comunidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais e a população solidária a comparecer à manifestação "Homofobia, Basta! Justiça, já!", que ocorrerá no próximo sábado 20 de junho, na Av. Dr. Vieira de Carvalho, a partir das 19 horas.
Diretoria da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo
São Paulo, terça-feira, 16 de junho de 2009”

Parabéns . deixo aqui meu registro de irrestrito apoio . um BASTA DEFINITIVO AO PRECONCEITO E À VIOLÊNCIA.

Aproveite e faça a sua adesão a esta causa NÃO À HOMOFOBIA . não se omita

Paulo Braccini

enfim, é o que tem pra hoje…

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