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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Um Homem!



Eu queria que os outros dissessem de mim: olha um homem! Como se diz : Olha o cão! quando passa um cão; como se diz: olha uma arvore! quando há uma arvore. Assim, inteiro, sem adjetivos, só de uma peça: UM homem!

Almada Negreiros

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 6 de março de 2017

Afinal! O que é um Cafuçu?







BlogsVille é uma maravilha mesmo.
Esta postagem data de 27 de Dezembro de 2010. Isto mesmo, 6 anos passados.
E não é que hoje recebi um comentário na mesma.
Fui ler e decidi republicá-la por aqui, face a sua criatividade e ao seu caráter didático para
a turma desta nova geração.
Na definição do Pernambucano e Jornalista Xico Sá, “cafuçu é o macho-jurubeba,
pura testosterona-roots, o homem sem crise ("ah, tô confuso!"), confuso de edi é rola,
o cafuçu é o cabrón sem lenga-lenga, aquele que pega no tranco, que abafa sem dó uma costela,
Deus dá o frio conforme o seu cobertor-de-orelha, cabra punk-brega,
sempre armado no salão, "paudurescência" 24 horas ...
Chamou? Ele tá lá, virado na febre-do-rato, meia-meia-meia, a bala que matou Kennedy,
tampa de Crush, o cafuçu é a besta-fera, sempre inventando moda, na vanguarda espontânea,
e viva o cafuçu, salve, salve, salve, e eita porra!!!”
Para as bibas viciosas, cafuçu é um ser maravilhoso, rustiquérrimo, sem modos, desletrado,
interesseiro, gostozérrimo, enfim, um boy da periferia que topa tudo. E o melhor, cafuçu de verdade
não tem orkut [hoje seria Face], eles nem sabem o que é isso. Eles podem ser vistos nas periferias,
puxando carroças, andando em suas bikes, vendendo água mineral, roubando (alguns), enfim nos
guetos cafuçusenses. Cafuçu que é cafuçu torce para o time de massas. Está mais do que provado!
Há um mundo paralelo onde transitam os cafuçus. Existe um código específico para falar, vestir e
atuar. Adoráveis, eles são os amigos certos, nas horas incertas. Porque cafuçu que é cafuçu não
dispensa buraco. E é verdade gente! O problema é que muita gente se apaixona pelo cafuçu da
hora e cometem a tolice de querer transferi-los para a outra dimensão. A dimensão da vida social,
dos bares, restaurantes e lojas. A dimensão das bibas que usam tênis Puma e que tem carteira 
recheada.
Eles são como estrelas-do-mar e se tentarmos levar para casa, secam, morrem e ainda exalam
um odor característico de alguma coisa que não devia estar exatamente ali. O sofrimento é para
ambas as partes. Os cafuçus precisam do seu habitat para melhor desenvolver todo o seu potencial e
devem ser apreciados como ostras, in natura. Algumas bibas apreciam o valor de um cafuçu amigo.
Afinal, com quem mais você vai poder compartilhar um galeto a óleo diesel (aqueles feitos no
meio da rua), acompanhado por farofa de ovo, feijão verde e macaxeira sem se preocupar em se
lambuzar e ser julgado por aquilo que come? Me diga aí, gay de classe média, onde mais você vai
arrumar um cúmplice para balançar ao som de musica brega e ainda achar que está sendo dedicada a 
você, enquanto bebe um Rum Montilla com Coca-Cola? E se você não sabe identificar um
cafuçu, atenção!
Como identificar?
Há alguns anos era comum usar o termo “prestador de serviços” para o típico cara que realizava a
foda mágica, ou seja, o sexo descompromissado e sem ônus. Os mais novos titulares são os
cafuçus do bem (o tipo comum), cafuçu escândalo (o tipo bonito) e cafuçu do pântano (remetendo
ao tipo mais
feio). Eles ganharam adaptação com os tipos de bebidas que tomamos nos bares e boates.
Cafuçu Long Neck - É aquele que não é visto pelo rosto, e sim pela longa neca.
Cafuçu Orloff - Que depois de algumas doses começa a querer ir pra casa.
Cafuçu Red Fruts - É o tipico baladeiro, mas é doce e depois de um tempo se torna enjoativo.
Cafuçu Campari - É o tipo do cara bonitinho porque fica vermelho de vergonha após alguns amassos.
Cafuçu Red Label - É o mais nobre da noite, mas depois de algumas doses ele se acha e esquece de
quem está do lado.
Cafuçu Caipirinha - É muito popular, geralmente já ficou com todo mundo da festa.
Cafuçu Coca-cola - Acredite, é a primeira vez que ele está saindo de casa para uma balada.
Cafuçu Água Mineral - Nem se aproxime, ele não vai olhar pro lado, é o famoso Narciso.
Mas como diferenciar o cafuçu na balada? Confesso que é um pouco complexo sair detectando
apenas pelo visual, mas geralmente ele está bebendo algo que pode ser associado. E tem mais, que
tal sair provando? Só tenha cuidado com as misturas, já vi muita gente sair carregada. E lembre-se,
se for dirigir não beba, se for beber me chama.
Dicas para um bom convívio com um cafuçu da hora!
Evite os noiados que queimam pedra, aqueles que andam em bando com uma ou outra perigueti,
a não ser que queira levar uma curra [ui]. As táticas de aproximação deles são bastante conhecidas,
cata só! Se pedirem um cigarro, não vai fazer a louka de botar a mão no bolso e comprar uma
carteira, dê apenas um cigarro, pois dessa maneira a possibilidade dele voltar mais vezes é maior,
ao contrário ele sumirá de suas vistas ... Peça uma cerveja e tenha sempre copos por perto e vai
molhando aos poucos, nada de sair pagando para os amigos dele, afinal de contas você quer fazer ele
e não a turma dele, não é verdade? E para finalizar: Cafuçu não é michê, portanto vale ajuda de custo,
tipo: o dinheiro para a passagem e um lanchinho está de bom tamanho ... E nada de se apaixonar, valeu?

Rique Ruffato . Blog Antena Click Mix















Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Do primeiro ao último trago!










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Politicamente correto que nada, dou de ombro com as regras da geração saúde. O que eu quero mesmo é acender mais um cigarro.
Não sou o típico viciado, oscilo períodos entre fumante e não fumante, isso porque o ato de fumar tem de ser prazeroso e não mecânico e involuntário; e fumar é deliciosamente bom.
É até meio suicida eu sei, mas sentir a fumaça invadir o corpo junto com a sensação de alívio (não sei bem do quê) é um prazer a se permitir. Tudo bem que algumas vezes (muitas) o cigarro serve como muleta, na qual eu me apóio em momentos de estresse, fome, desilusão, raiva e principalmente decepções sentimentais. 
Curioso, há tempos percebi que minhas recaídas às tragadas geralmente têm como protagonista algum homem. A figura masculina fumando é - na maioria das vezes - extremamente sensual, e eles tragam com uma vontade ímpar; basta olhar alguns caras fumando e minha boca saliva de vontade, e nesse idílio de voyeur perco o controle e acendo “só unzinho” que às vezes é o primeiro de uma sequência.
Vou do primeiro ao mais recente cigarro por eu acesso em um breve relato, com cheiro de tabaco: 
O primeiro cigarro a gente nunca esquece, e no meu caso aprendi as técnicas de fumar a fim de provar para um “meu” homem que sim conseguiria aprender a dar uns traguinhos. Ele, maldoso que era, a me ver brincando com um cigarro me disse: “Você nunca vai conseguir tragar, nem adianta tentar”. E claro que a partir dessa sua colocação eu engasguei muito tentando (às escondidas) aprender a fumar, e aprendi. Todo orgulhoso e pretensioso fumei na frente dele (para seu desespero) e não parei por um período considerável. 
O último a ser acesso é conseqüência de ter dividido, de brincadeira, um cigarro inocente com um homem que mesmo sem ainda saber eu estava apaixonado. O cigarro nos ligava, e o sabor da nicotina transpassada pelo ar que ele aspirava era delicioso de se ver, muitos foram os cigarros fumados juntos, divididos. 
Quando ele não estava por perto acendia um, só para matar a saudade e sentir o vazio que ele deixava ser preenchido pela fumaça quente e espessa do cigarro – nosso elo. E por isso voltei a fumar, para surpresa de muitos, uns poucos cigarros diários (mais noturnos) como o que agora vou acender e fumar pensando em alguém que vale menos que o cigarro apagado, jogado ao chão e pisado casualmente. 


ps: Cirurgia realizada, em casa e passando bem. Mais uma etapa vencida. Agora é recuperar da intervenção e observar os resultados, Que sejam positivos, nem que sejam para mais um ano tranquilo. 

Bratz Elian 
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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Sexo literário!



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Aconteceu em uma rede social, por intermédio da (muitas vezes estigmatizada como fria e distante) conexão via internet. Somos três, todos com pouco mais de trinta anos, inteligentes, intensos, bem e também mal-humorados, sabedores do que somos e sem nenhum medo de brincar com as palavras, palavras estas que muitas vezes me estupram e em outras ocasiões deitam em meu peito e repousam cálidas. A centelha que deu início às labaredas incandescentes foi sem dúvida minha afirmação de que após as 00:00 horas estava liberada a baixaria. De imediato minha amiga Carine proclama por Norminha (A Casa dos Budas Ditosos), e sem cerimônia anuncia que o personagem literário sou eu.
Sidney, tomado de lascívia, adentra na sacana conversa. Tento a inútil defesa, e me defino como um híbrido entre Macabeia (A hora da estrela) e a devassa Norminha – em vão mesmo. Recorro também à questionável inocência de Capitu – a dúvida é um traço da minha personalidade.
Risadas, conteúdo erótico, pornografia e muita cara de pau, eis que nos deparamos com a inquestionável maravilhosa obra de Machado – Dom Casmurro. E não apenas a traição ou não de Capitu foi discutida, nós alados que somos queríamos algo mais alto, superior. Entregues ao momento, que em breve explodiria em epifania, assumimos nossos desejos pelos personagens. Bentinho levou tapinhas na bunda (meu amigo Sidney era voraz), Capitolina sadicamente sucumbiu ao nosso autoritário sexo literário e todos nós nos misturamos àqueles personagens que se faziam humanos enquanto nós nos transformávamos em letras/palavras. E nessa orgia eu sujo de fluídos, palavras, pensamento e “Devaneios de um Cabaré” assumi pela primeira vez minha paixão por Escobar – que estava suado e satisfeito junto a nós. Bento me perdoe a traição, Capitu sorria satisfeita e vingada, pois Escobar é meu objeto de desejo e ele foi inteiro meu naquela noite, ao som de música francesa acompanhada dos sussurros e gemidos cúmplices.

Giuliano Nascimento

ps: Sexta-Feira, dia 21/10, mais uma intervenção cirúrgica, a sétima nos últimos 06 anos. E vamos que vamos em nossa luta com perseverança. Nada de desistir porque a vida é linda e precisa ser vivida plenamente.

Bratz Elian
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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Observando, assim, de longe!



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Negação. Apesar da experiência acumulada entre tantos encontros e desencontros ainda tento me enganar e, mesmo contra as evidências, finjo indiferença e não aceito este estado emocional (e condicional) que tão vulgarmente é alardeado: Apaixonado...
Por mais que os olhos marejem, o pensamento me traia e o rosto “dele” esteja por todos os lados eu me armo de uma indiferença disfarçada e resgato a altivez de outrora. “Não, eu não estou apaixonado”. Encubro o óbvio com um verniz aquoso, mistura decadente de segurança e autossuficiência. 
É apenas mais uma tempestade e eu, o sol, vou continuar brilhando sem a necessidade dessa nova luz – a dele.
Perder o comando dos meus desejos, ser invadido pelo outro, buscá-lo no travesseiro, acordar quase sufocando e sempre ver a mesma face risonha daquele que amo – mas não assumo. 
Não é para principiantes a desdita de se apaixonar assim, mas quando o desespero enfim lambe todo meu corpo caio prostrado diante de mim, e só de mim.
Não consigo encarar a derrota, perdido em um campo estéril eu grito, cravo as unhas na pele e me contorço a fim de me transformar, mas quando a garganta já não mais aguenta é o nome daquele que tem de ser meu que brota entre meus lábios desejosos, só dele. Minha água, ar, alimento, rotina, sono, chão ... Tudo é ele, e neste momento (meu e de mais ninguém) rasgo meus joelhos em prece seja lá para quem for e ainda tento negar, mas é tarde não há mais razão para lutar, não há vida nem mesmo morte, só há ele. Ele está em mim, e eu sou uma sua cicatriz de infância esquecida pela presença constante e não importante. Dizer que o amo, talvez a solução para extirpá-lo de mim... Mas o tempo das palavras amenas, sorrisos bobos e um encantamento quase tátil se foi. Perdi a exatidão daquele momento que seria definitivo, no qual a resposta me elevaria e nosso sorriso seria um mesmo sorriso e descansaria num beijo. Agora ele se foi, apesar de sua lembrança estar me acompanhando constantemente, tal qual um cachorro vadio ao seu dono. Amo-te não mais consigo negar, mas cabe agora ficar quieto e não bagunçar sua vida com minha risível pretensão fora de hora, resta-me te olhar assim de longe e sofrer a falta sua e daquilo que poderíamos um dia ter sido. Quero você feliz, tanto quanto ainda quero te fazer feliz, mas peço que sua felicidade - com o passar do tempo - não me doa como agora. Ver você feliz é ter uma lâmina voraz dançando no meu corpo, mas esta agonia é nada perto da imagem de tristeza que te assombra. Que a dor seja lancinante, eu suporto. Só não consigo te imaginar triste e sem amor, mesmo que não o meu.


Bratz Elian
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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Não mais que quatro gemidos!




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Percepção de tempo é muito relativa, alguns minutos podem ser quase nada ou longuíssimos (até mesmo definitivos), mas há alguns padrões mínimos exigidos/esperados quando o tempo corrente é preenchido com sexo – sim eu também faço isso, menos do que pensam meus leitores e bem mais do que imagina minha avó.
Um perdido, numa noite perdida, encontra-se entre uma encruzilhada, são dois os corpos expostos no açougue da ordinária madrugada. 
Ele hesita, olha, dedilha seu aparelho celular, esboça falar e ziguezagueia por entre ruas. Praticidade - e os corpos, antes expostos em conjunto, agora seguem caminhos distintos e jogam o peso da decisão para o errante explicitamente indeciso.
Alguns passos, outras ruas e a tão recorrente paradinha estratégica. Olho de soslaio e entre os dentes um tímido: – “Chega aí!”, apenas aceno a cabeça e o faço virar a esquina atrás de mim. 
O cumprimento com firmeza: - “E aí, beleza?”, e em resposta outra pergunta: - “A fim de pagar um boquete?”. Encaro o objeto da aventura sexual sem compromisso, e afirmo com um casual: - “Demorou”.
Homem jogado em cima da cama, membro em riste e um meio sorriso no seu rosto, enfim...
Nem sequer 2 minutos e meio depois já estava finalizado o ato, desejo (dele) saciado entre lábios e língua. O tempo exato de umas quatro gemidas, e seu gemido baixo, contido, era excitante – mas não o suficiente.
Um tchau sem compromisso e protocolar, ele ainda olha para trás e vai. Tranco a porta, e o primeiro pensamento que me vem à tona é o de que se eu fosse uma prostituta aquele seria o melhor programa da noite, sem tensão alguma e o dinheiro da carteira dele ao meu bolso em no máximo três minutos – o tempo de preparo de um miojo. O não-sexo me obriga a saciar ao menos a fome cotidiana do fim das madrugadas. A cozinha desarrumada me espera e é onde encontrarei algo para matar a fome, mas infelizmente lá não há nenhum macarrão instantâneo que seja rápido e prático assim como meu mais recente parceiro. Até o lanchinho da madrugada demora mais que ele.


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ... 


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Ponto de ônibus, neblina, patos e afins!



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Madrugada adentro vão três amigos conversar amenidades, ao sabor de um tal “Suquinho Gummi”, a bebida é a desculpa para a reunião informal que tem como objetivo entreter e nada mais. O sereno da noite foi o primeiro companheiro, e sob o teto de um ponto de ônibus as criaturas notívagas e risonhas fumam, bebem e ouvem músicas (aparelho celular e seus ruídos). A rua, vazia de tudo, é lentamente tomada por uma densa neblina que impossibilita a visão de qualquer coisa a mais de 2 metros, alguém verbaliza: “Estou me sentindo em Londres, aí que delícia né?”, sim a racionalidade e bom senso tinham sido diluídos pelo álcool da bebida, ri e nada acrescentei ao delírio do meu amigo que não por acaso colore seu cabelo de um vermelho intenso e non sense.
A neblina misturada à fumaça de tantos cigarros resulta na inflamação de desejos, fantasias sexuais: sexo com estranhos, sexo em via pública, sexo a três, sexo urgente; no fim nada mais do que sexo imaginado e não realizado.
Um gato, animal que pensa ser um pequeno deus, amigos brincando com o felino e fazendo vozes em falsete, minha falta de compreensão típica, e o gato arranha e pula na face de um deles. Risadas, e um prazer em não ter dividido este momento afetivo. Gatos e seus pelos me incomodam.
Coreografias no meio da avenida, o asfalto úmido e passos enérgicos, lascivos, despretensiosos. Dançávamos, rimos mais, falamos de amor, da vida alheia, sobre homens; e dançamos com maior intensidade. Não tenho o álibi de estar sobre o efeito do álcool, bebi pouco eu era a mais pura expressão de se sentir bem e querer só se divertir.
De repente patos cruzam a rua, e com toda falta de habilidade inerente aos patos patinham em nossa frente – nem mesmo se tivesse tomado heroína na veia fantasiaria algo tão inusitado: amigos gays bêbados, rebolativos e rindo sem parar, neblina, e agora aqueles patos – talvez um casal. É muito, desisto de me entregar ao momento e busco um fio de sanidade em mim. São 05 da manhã, abraços fraternais - é hora de ir - a neblina persiste e me resta dormir a fim de tentar esquecer o quanto bobo eu posso ser. Fomos embora, mas não sem antes marcarmos o próximo encontro que aconteceu no mesmo lugar e horário em uma segunda-feira, de novo álcool e cigarros, mas sem os patos e a neblina.

Giuliano Nascimento

ps: Neste clima, hoje celebramos, eu e Elian, 42 anos de casados. Uma vida, é verdade. O triste disto é perceber que a vida passa e se esvai.





Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O menino do pijama azul!




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Uma notificação e muita falta de vontade, respondo talvez com alguns dias de indiferença a impessoal mensagem – educação diante da irrelevância. Apenas mais um rosto bonito, entre tantos, nada além de uma estranheza entre os ícones de notificação do smartphone. Com algum espaço de tempo duas (quem sabe três?) outras novas notificações do mesmo perfil, e minha mesma disposição. A porra do alarme não tocou- não o do smartphone e sim o meu - não me preveni e o perigo se aproximava a passos calmos. Sem perceber eu me perdi.
A culpa, o vacilo, o primeiro olhar, o selo da carta do suicida, tudo minha responsabilidade: “Desdita hora em que dei like na imagem sorridente”, ainda lembro a #tag que me fez esbarrar naquele que hoje eximo de culpa. Mas o desejo me guiou, desejo bobo, desejo mecânico, sem propósito de ser, desejo, talvez...
Se o poeta afirmou que as cartas de amor são ridículas é porque não sabe o quanto risíveis e medíocres são as mensagens por rede social – a tecnologia a serviço do vexame e exagero.
Poderia eu justificar minha queda exaltando o quão belo é o objeto do meu desejo, o ideal grego com um beicinho perfeito e a voz que me acalma – sim neste ponto já estamos a conversar por horas via ligação de voz (a primeira durou exatas 2 horas e 23 minutos) logo eu que odeio falar ao telefone, mas não vou me ater ao ideal de beleza alcançado, porque por mais insano que pareça não fazia a menor diferença. Ele é mais do que um pedaço de carne, por mais que ele sempre se colocasse como tal – pobre menino.
Sexo, discussões ferrenhas, preocupação em excesso, doses de ciúmes, suspiros, ansiedade, uma nossa música, e até um pedido de namoro, isso tudo e outras tantas coisas nossas (minhas?) fizeram parte do turbilhão desse improvável encontro.
Hoje me cabe a vergonha. Não sei lidar com minhas imperfeições e não aceito ter me comportado como um completo idiota que se apegou a uma fantasia construída deliberadamente com o objetivo de nunca de verdade ser ou talvez (quem sabe?) de entreter – nem isso fui capaz.
Sigo a timeline, que é vida também, com algumas escoriações, ainda mais descrente nas possibilidades, e mais fervoroso e fiel ao medo – não me abandone e me faça ouvir o alarme.
E o menino de pijama azul ainda está aqui, não consegui soltar sua mão e o deixar ganhar o mundo e só assim perder o medo de ser feliz e fazer, de verdade, os outros felizes. O menino ficou e o homem partiu para mais uma fantasia; que ele reencontre com o menino e seja quem sabe inteiro.


Bratz Elian
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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Alguém me observa da janela!




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Porque se não for estranha não é trepada minha; sabe-se lá por que caralhos tem coisas que só acontecem comigo e na primeira experiência íntima com um estranho. Sim, por que não fazer sexo com estranhos? - daqueles que você conhece em uma mesa de bar ou mesmo cruza na rua com alguma frequência, mas nem sequer verbaliza um "oi".
Meses atrás, talvez seis, quando voltava para casa nessas madrugadas quaisquer eu via (com certa frequência) o rapaz na janela que me observava. Até tentava andar com menos sinuosidade a fim de não chamar atenção, a sensação de estar sendo observado me incomodava e também aguçava minha curiosidade em descobrir ao menos o seu rosto; a escuridão do seu quarto e o negrume da noite favoreciam seu quase anonimato. Inevitável o encontrar, afinal a rua onde ele mora faz parte do meu itinerário, e em uma ocasião banal o vejo descendo as escadas do sobrado onde mora. Deliberadamente diminuo o ritmo dos meus passos a fim de enfim ver quem é o garoto da janela, cruzamos nossos caminhos na esquina e um olhar rápido denunciou ser mesmo ele, e ele era explicitamente bonito. Com o passar dos dias, confirmei não só sua irritante beleza como também o via frequentemente, rodeado de amigos, andando de bicicleta, saindo de casa sabe-se lá para onde, e nunca mais no parapeito da janela.
Inês é morta, mas ele não; e para minha surpresa o vejo na rua onde moro vindo em minha direção e, sem cerimônia, ele me pergunta se eu moro sozinho e pede meu número de telefone. Durante semanas foram algumas mensagens de texto, muitas ligações não atendidas e eu sem entender o motivo pelo qual eu não me inspirava em sair com o menino lindo que muito me observou de sua janela. Talvez a facilidade da situação, uma vez que tenho tendências a complicar as relações afetivas e sexuais, enfim...
Evidente que ele desistiu, mas não sem antes me encontrar inúmeras vezes pelas ruas do bairro e me ignorar, salvo quando ele estava com uma namoradinha (fez questão de olhar bem na minha cara) e eu dei de ombros. Mas o tal destino (ou seria o demônio?) é ardiloso, e na madrugada passada ele aparece como mágica e começa a conversar com uma minha amiga, erámos quatro: Eu, minha amiga, ele e o incômodo da situação.
Conversamos amenidades, e a hora redonda nos fez cada um seguir seu rumo, o relógio no celular marca 3 horas e 30 minutos. Confesso que fui embora solicitando mentalmente que ele não me “encontrasse”, não queria mais uma tentativa dele e outra negativa minha; chego em casa sem contratempos, aliviado e um pouco decepcionado, mas melhor assim. Cerca de 20 minutos depois desta vez da minha janela vejo ele, abro a porta e o rapaz - lindo como um sonho infantil – sorri, amansa sua voz, relembra nosso primeiro não-encontro, e faz o convite. Corpo completamente nu esparramado na cama, as tatuagens e um cheiro que ficou nas minhas mãos, mas o que poderia ser mais uma noite de sexo casual e banal não o foi.
Cliente satisfeito, ele gozou e no decorrer da transa chamava meu nome de um jeito sensual e delicioso; mas o pau não ficou em riste. Pernas, peito, barriga e um pau meia-bomba (nem duro tampouco mole).
Entre gemidos contidos aquele pau malemolente gozou uma porra salgada e em quantidade quase imperceptível. Um adeus sorridente e satisfeito dele e a promessa em voltar e eu me perguntando: “Que porra foi isso?”, e continuo na dúvida de como - e se - agir com o menino da janela.


Bratz Elian
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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O salino gosto de uma não foda!









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Primeiro dia de Verão, e ele mostra a que veio; um calor absurdamente sufocante que incomoda até mesmo os mais coloridos e saltitantes entusiastas da estação da luminosidade, música alta, calcinhas suadas e peitos à mostra.
Cinco da manhã e eu tentando ler um livro, que é dos mais chatos que já li na minha medíocre vida, e não bastasse o enfadonho emaranhado de palavras ainda há mosquitos famintos a circular, picar, sugar e tornar tudo ainda mais catastrófico.
O cão que não late é sujo e faz passar em frente à janela de vidros empoeirados aquele que não é meu amigo, namorado, amante ou seja lá o que poderia vir a ser: Com tempo disponível e desejo acesso a gente transa, aliás nem sempre ele me fode, felação e algumas mordidas e encoxadas às vezes é a medida do encontro, desencontro, um não ponto, opondo à rotina, desdita de dois tortos. 
Com o dedo em riste eu afirmo, irritado, algo que ele fez fora do roteiro predeterminado; álcool e desejo o fizeram se expor (me expor) e extravasei minha raiva quase iracunda e meio belicosa. Briguei, expliquei e ignorei. 
Suas mãos e pau em mármore não deixavam dúvidas, uma desculpa alinhada em promessa de não mais repetir o excesso e o enlace dos braços suados – quase sujos e salgados. Sua boca salivava tesão e pressa, e a minha negava o que o corpo queria. 
E quanto mais ele tentava mais eu negava e excitava; mãos fingindo repelir, língua na nuca, mãos na espádua, costas, bunda. Sussurros ao pé do ouvido, entre linguadas e baba, e sempre a mesma negativa contrariando o que o corpo falava. Gemidos incontidos, mãos desesperadas, sofreguidão de um homem que implorava por prazer e caiu na armadilha egoísta só minha: Por mais que o desejo fluísse dos meus lábios e mãos - sussurros, mordidas e unhas cravadas conscientemente. 
Foram mais de duas horas de tortura, tesão, suor e calor; rogar em nome do pai, do filho e espírito santo não foi o bastante. Apoiado em meu dorso ele esfregava o pau e batia uma punheta violenta (desordenada) a fim de ver a mancha branca em minhas pernas, coxas, sobre a roupa. Em vão, depois de diversas tentativas pouco convincentes de findar com a brincadeira, de subjugar suas vontades, eu enfim dei fim ao desespero dele, para desesperá-lo ainda mais – sim era possível. 
Abruptamente o empurrei em meio a gemidos e insistências: “Chupa, me dá, só um pouco, pega no meu pau, eu quero gozar, eu vou gozar, só saio depois de você mamar”. Com o pau duro, quente e suado dentro da bermuda jeans ele foi embora contrariado. Com o corpo quente, o desejo atiçado, e uma marca no pescoço pouco aparente não gozei o cigarro depois da trepada possível, mas traguei o domínio das minhas vontades e do meu ego inflado. Meu jogo, minhas regras, eu o único vitorioso. Restou calor, o cheiro dele e meu sorriso satisfeito: “Bem feito...”, e seja feita minha vontade. 


Bratz Elian 
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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Na fila da padaria!





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O que para a maioria é coisa comum, sem importância, ganha contornos curiosos quando o protagonista sou eu.
Ir à padaria. Será possível se divertir indo até a padaria comprar pães? (especificamente oito, e bem branquelos). Sim é divertidíssimo, primeiro porque dificilmente eu vou só, há quem me ligue para combinarmos de irmos juntos, outros me esperam nas ruas de acesso; e no horário aproximado de minha ida sempre alguém pergunta: “E aí, já foi na padaria?” – é estranho, mas também engraçado.
As funcionárias, todas, conhecem minha preferência por pães claros e fazem uma pequena festa quando me vêem, afinal eu aproveito a fila para exercer a troca de informações e também para avaliar os espécimes masculinos presentes. Em minha mais recente ida à padaria fui acompanhado da sempre presente Lili e da Ana Elisa – uma garota de 14 anos, evangélica, com talento para a arte cênica e uma fã confessa minha. Vai entender! Na fila dois adolescentes – surpresos e curiosos – observam o estranho trio e paqueram a jovem evangélica, que interpreta estar constrangida com os absurdos que pulam das bocas minha e de Lili. Não, não discutíamos a situação econômica do país, ou outro qualquer assunto, falávamos sobre homens, é claro.
Distraidamente observo um homem (alto, negro, imponente, ‘não era belo, mas mesmo assim...’) olhando fixamente à Lili – como costumo dizer: “Ele estava ‘galinhando’ minha amiga”. Virei para ela, que já havia percebido a intenção do homem, e a cumplicidade em nosso olhar foi definitiva – rimos e continuamos a “galinhar” o cara que estava na nossa frente, sem perder as expectativas de chegar mais uma vítima para engrossar a fila. Na saída ficamos de frente com um rapaz que já foi alvejado por nossos olhares e insinuações diretas (uma pena que a mulher dele estava logo atrás e percebeu tudo), ele ficou surpreso, e nós claro demos em cima – só para não perder o hábito.
Paezinhos em mãos, já indo embora avistamos a negão que, mais cara de pau que nós, estava olhando fixamente, segurando a porta do carro, e continuo olhando, olhando, olhando e nós gentilmente retribuíamos os olhares em solidariedade, e riamos muito do inusitado. 
É fato, ir à padaria, próximo das 18 h 30 min, pode sim ser um programão com direito a diversão, romance e surpresas. 
Depois disso tudo vou tomar café, e comer um saboroso pão com muita margarina Qualy.

Giuliano Nascimento

Bratz Elian 
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Insanidade!



Debaixo destes tetos, entre cada quatro paredes,
cada um procura reduzir a vida a uma insignificância.
Todo o trabalho insano é este:
reduzir a vida a uma insignificância,
edificar um muro feito de pequenas coisas diante da vida.
Tapá-la
escondê-la,
esquecê-la.

Raúl Brandão


ps: a todos os insanos que assim sabem o bem viver ...

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A boca, o hálito e um desejo!



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Chove, aquela previsível garoa de um fim de tarde qualquer, e úmido e sem sentido ou expectativas mais um dia estéril finda. O observo e concentro meu olhar-flecha em seu mamilo, pensamento libidinoso fora de hora prontamente dissipado pela racionalidade.
De volta ao meu mundinho interior, que se assemelha muito às famosas obras de Dali, sou surpreendido por um olhar quase infantil e a aproximação do jovem de mamilo rosado que tanto me apeteceu. Com certa indiferença respondo seu cumprimento: “Oi” – cansado de tantos com pouco ou nada a dizer, ou o regresso da minha síndrome de diva? Sim, já olhei por cima os mortais que me cercaram, pobre deles que não passavam de sombra borrada no chão diante da minha plenitude em si.
Não bastou o mamilo, o nariz impecável, o rosto talhado em linhas retas e másculas e a atitude em vir a mim; em seu diabólico plano ainda havia uma voz sedutora, um som safado e rouco levemente balanceado que embriaga de imediato.
Eu ainda reticente e ele dá a cartada final, um lance de mestre – ou tudo ou nada – e se explica: “Estava ali fumando um baseado, não era outro tipo de droga não. Só um baseadinho.” Com indiferença brutal apenas balanço minha cabeça, e ele desconfia da minha sinceridade: “Sério, você pode estar pensando outra coisa. Mas era só um baseado, sabe...”
Respondi, tentando quebrar a camada de gelo formada entre nós: “Relaxa, acredito em você”. E ele, não contente em enfiar o punhal, decide que é o momento de revolvê-lo e testar minha resistência: “Vem aqui, pode sentir o cheiro”, faço uma negativa e insisto na frase: “Confio em você”. O menino do mamilo rosado e voz de desejo então pede: “Vem cá, por favor”, aquele “por favor” inviabilizou qualquer reação contrária e então me entreguei ao seu hálito e percebi o desenho delicioso de sua boca. O hálito morno e intenso cheirando a maconha – um cheiro quase gosto e delicadamente mofado. Cheiro de maconha me lembra mofo, sabe-se lá o porquê.
Missão cumprida, ele fez sua parte. E eu... Eu racional senti o desejo vindo daquela boca, mas foi desejo apenas desejo de ele ser desejado. E ele conseguiu, sim, ser desejado veementemente por mim, que por alguns instantes perdi a razão e fui entorpecido por seu desejoso hálito.


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Exercitando o autocontrole!




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Em uma quadra esportiva localizada no bairro Santo Antonio acontece evento carnavalesco, e claro lá estou eu. Não é necessário enfatizar que é o programa que mais me atrai e realiza.
O samba, batucadas, gente disposta dançando, e a sensação dúbia de estar em um lugar no qual você conhece pouquíssimas pessoas é algo que realmente me excita. A vontade de confirmar a felicidade é presente, constante e inevitável. Ao som de uma bateria de escola de samba os quadris são possuídos por uma vontade (ancestral africana), própria e latejante. Respiro fundo, olho ao redor e decido não sucumbir ao chamado. Vou manter a postura e não me jogar no samba. O som invade a cabeça, embriaga, o corpo se movimenta involuntariamente, pés se afastam do chão, leves ondulações se formam dos ombros aos quadris – resisto!
Não, não posso, hoje não vou suar ao som de nenhuma bateria. Retomo o comando das coisas e fico naquele passinho, um pra lá um pra cá, nada comprometedor.
Eis que a cerveja gelada dá ânimo ao meu amigo, que só para contrariar as estatísticas começa a dançar, sorrir de alegria, totalmente contagiado pelo som dos tamborins, ritmo forte dos surdões e delicadeza dos agogôs.
E ele se jogou, sambou, suou e se divertiu mesmo – e todo excesso comparado é pouco.
Já me sentia vitorioso, mas a tentação não era apenas sonora e o exercício de autocontrole continuou nas veredas masculinas.
O que era aquele menino, de seus vinte e pouquíssimos anos? Lindo, uma delícia – olhos fechadinhos, baixinho, arrumadinho e dançava como deve dançar um homem (desajeitado, devagar e sempre com uma cara de satisfação). Controlei meus instintos, e resisti à vontade de suspirar em seu ouvido que ele era a coisa mais deliciosa da noite; e claro agarrá-lo e dançar junto. Vencida mais uma etapa, não a última. 
Na contramão do “quase-perfeito” ainda suportei as provocações de certo homem, daqueles que fazem o estilo largado, soltinho, simpático – quando o vi veio à mente a frase: “Pego, não me apego”. Ele ia e vinha, esbarrava, olhava, dançava e se fazia notar – a qualquer custo. 
E ele não precisa fazer muito para ser visto, afinal é alto, negro, cheio de amigos e dança como que guiado por um demônio. Racionalmente agi e deixei para trás a oportunidade de colocar o pé na senzala e quem sabe adotar mais este segmento ao meu cardápio; autocontrole. 
E como tudo tem limites, sucumbi à necessidade primordial de me alimentar. Em casa comi lentamente e, entre uma garfada e outra, questionei se foi bom ou não vencer aos variados desejos do corpo. 


ps: a gente vive e pensa que já viveu de tudo. que nada. deixa quieto pois já voltei ...

Bratz Elian
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quinta-feira, 28 de julho de 2016

Quem consegue ser indiferente a uma chupada?




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Acontece, mesmo com cuidados redobrados e anos de experiência hora ou outra acontece. E no dia depois do crime, você ainda escovando os dentes se depara com uma mancha no seu pescoço: “Filho da puta”, o que resta agora é reclamar e só. A chupada é um fato, e denuncia uma intensa noite de sexo. Ergam suas cabeças chupados amigos, não há nada a fazer a não ser se resignar e assumir, pois tentar disfarçar só piora a situação. Sigo a rotina apenas tentando evitar o ângulo denunciador e crente na discrição daqueles que vou encontrar durante o dia. Discrição que todos, absolutamente todos, decidem não exercer. Impossível contar o número exato, mas algumas reações foram curiosas ou um tanto quanto maldosas:

Dudu - O primeiro a constatar, um adolescente (imaturo quase beirando o autismo) aponta incisivamente o meu pescoço e dispara: “Safadinho, ai ai. Deixa eu ver? Hum hein!”. Em resposta um olhar fulminante e um “some daqui”, dito com os lábios quase fechados.

Mãe - No meio de um de seus enfadonhos discursos, eu sentado na calçada e ela de pé. Olho para sua face, e no meio de uma afirmação ela diz, em tom surpreso: “Que chupada é essa?”. Em resposta um muxoxo e o desvio de meu rosto, de volta ao livro que tentava ler.

Jonas - Depois de uma tarde inteira juntos, ele enfim percebe o marca e grita: “Giu, que chupão é esse?”, estávamos na fila do caixa do supermercado, local adequadíssimo para tal observação. Respondi com uma mentira absurda qualquer, e ele olhando insistentemente para a já famosa chupada.

Giordanna - Discreta, não comentou nada diretamente. Mas foi a primeira a confirmar em uma mesa de bar: “É sim, é uma chupada”.

Adrianinha - Nem mesmo me cumprimentou e compulsivamente me fez perguntas referentes à chupada, todos em volta olham para mim, disfarço e saio andando. Não vencida ela grita, do outro lado da rua: “Vai me contar tudo, com detalhes”.

Lucilene - Olhou meu pescoço e me encarou com um sorriso que transparecia vitória e prazer. Respondi com uma pergunta: “O que foi garota?”. O mesmo sorriso e um tom malicioso. Ela foi a responsável por mostrar minha chupada para pelo menos meia dúzia de outras pessoas, sempre com aquele sorriso.

Nanda - Sento ao seu lado no banco do passageiro do carro e ela bem dramática anuncia para os presentes: “O que é isso? Seu pescoço está todo arranhado. O que aconteceu? Quem foi?”.

Lili - Até se esforçou para acreditar em mim, mas diante da euforia dos presentes ela se rendeu e aceitou que era uma chupada e não uma mancha devido a meu barbear malfeito.

Bibãozinho - Não só falou alto, mas também perguntou como foi. Solicitava detalhes e perguntava: “Foi bom ontem à noite, foi gostosinho né?”. Constrangimento pouco é bobagem, então ele me abraçava e me alisava enquanto discorria acerca da chupada.

Fabiano - Dois dias depois do fato, em uma conversa habitual, ele pára e me olha fixamente. Coloca o celular na boca – lasciva e debochadamente – e pergunta: “Quem foi?”, eu inocente demoro a perceber do que ele estava falando, mas aceito o destino, afinal a chupada está lá.
O que alivia é saber que em poucos dias, e depois de muito gelo, a marca some e a ostentação do pescoço poderá (de novo) ser imponente e despreocupada. Mas a afirmação mais irritante, sem dúvidas, foi a do autor da obra de arte que me disse a seguinte frase: “E ae, o que seu namoradinho achou do seu pescoço”, ainda bem que o “namoradinho” só existe na fantasia dele, maldade consciente que felizmente não causou grandes danos.

Giuliano Nascimento
ps: semana que vem tem Sampa de novo. Volto já, com ou sem chupada!

Bratz Elian
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segunda-feira, 25 de julho de 2016

As horas do moreno da bicicleta!


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Sou um dos que afirmam que: “A rotina tem seus encantos”, realmente creio que as pequenas alegrias cotidianas nos fazem mais felizes. Mas minha rotina às vezes é abruptamente alterada por algum fato inusitado, assim como na semana passada. A falta de coloração saudável no meu rosto estava ainda mais evidenciada (alguns dias doente) o humor era dos piores, e acompanhado de cólica abdominal repentina.
Acredite, nestas circunstâncias nem mesmo consigo olhar no espelho, tamanha ferocidade de traços.
Voltava do mercadinho próximo à minha casa e percebo um rapaz me olhando e descendo de sua bicicleta, no lado oposto ao meu da rua. Ele faz um sinal tímido com uma das mãos e me chama, atravesso à rua em sua direção e nem bem chego ele diz, enfático: “E aí, tá a fim de dar uma chupada?”.
Não assimilei o absurdo de imediato, e sem reflexão alguma respondo: “Mas agora?” – sei que nem sequer deveria ter respondido o rapaz, mas foi instintivo. Se fosse madrugada até não me surpreenderia este ímpeto sexual, mas o relógio marcava exatamente “18 h 46 min”, sim eu observei as horas para ratificar a pressa alheia e a perplexidade minha.
Com dores, e diante da insistência do pretendente que apontava um corredor ao lado de um bar a fim de que eu naquele momento saciasse seu desejo (a rua movimentada, repleta de transeuntes), afirmei: “Mais tarde” – fiquei com dó de dispensar diretamente o desesperado, e então encaixei a evasiva. 
Ele sobe em sua bicicleta me olha direto nos olhos e diz com segurança: “Dez horas, dez horas aqui.”, nem tive tempo de esboçar qualquer reação, ele sumiu velozmente sobre duas rodas.
Nem mesmo consegui rir da situação, pois a dor abdominal era colossal, e continuei a caminhar com destino ao meu sofá e um programa qualquer de TV. 
Óbvio que não apareci no horário marcado (por ele), e sigo tranquilo minha prazerosa rotina até que alguns dias depois do incidente, indo ao mercado (coincidência irônica) encontro o mesmo rapaz, a mesma bicicleta, uma nova/igual proposta... 
Neste segundo “encontro” o relógio marcava 19 h 02 min; o que confirma a máxima: “A rotina tem seus encantos”.

ps: putz! este Blog completou 09 anos, no dia 19 último, e não é que eu esqueci? como pode? aff! como o tempo passa!
Bratz Elian
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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Sexo com um idiota!





Preâmbulo:

Tudo começou por obra de um feliz acaso que só a internet é capaz de nos proporcionar.
De há muito conheço o Blog do Giuliano Nascimento e já postei algumas crônicas dele por aqui.
Inicio hoje uma série de escritos deste rapaz, que não conheço nem virtualmente, mas que aprendi a admirar de forma incotextil.
Ficção ou realidade não sei e isto pouco importa.
Importa sim, sua forma nua e crua de abordar temas com os quais muito identifico-me. Seja em meu mundo real ou em minha dimensão mais íntima.
Sem máscaras, sem rodeios, sem hipocrisia. Uma forma direta de desvelar sentimentos que, a maioria das pessoas possuem mas que, por inúmeras razões, não são capazes de tratar de forma tão aberta e direta.
Pena que o Giuliano já, há algum tempo, não tem mais postado estas suas preciosidades.
O link do blogue estará disponível em cada uma das crônicas aqui publicadas, para quem quiser conferir mais da obra deste notável cronista.

Sexo com um Idiota!

Acontece, o acaso e atitudes dissolutas ainda vão proporcionar a você (assim como a mim) uma trepada com um idiota. Ele pode ser um idiota já mesmo antes da transa e aí uma parcela da responsabilidade pelo desastre é sua, em outros casos (este meu específico) o idiota só se revela no momento íntimo – aquele no qual não há a menor possibilidade de desistir da empreitada com uma desculpa descarada qualquer. Eis minha aventura sexual com um idiota:
Sugestão dele: “Vamos fazer ‘lá fora’, é melhor”, sem pensar compartilho da fantasia de transar sob o manto de estrelas, escondido, e na companhia da tensão de ser surpreendido – dissoluto eu sei. As circunstâncias exigem que as tão faladas “preliminares” sejam mais rápidas, intensas e quase suprimidas... Lábios e língua em atividade, e gemidos de prazer. Interrompendo seus sôfregos gemidos o idiota resolve falar - porra todo idiota pensa que é orador – de início resolvo encarar sua comunicação como retórica, mas ele queria respostas e eu já queria ir embora.
Explicitamente ele mente, desvia meu foco com sua falácia, e verbaliza algo que deve soar erótico para ele, e totalmente desnecessário para mim: “Sou casado, tenho mulher e filho...” Vontade absurda de mandar ele levantar a bermuda e ir para casa cuidar de sua família feliz, mas essa sutil observação não era suficiente para deixar o idiota ali, só e com o pau no sereno. O tamanho do pau dele era repetido e justificado, não fosse tão idiota eu teria até falado que não era assim tão pequeno, mas irritado o deixei alimentar seu complexo injustificado.
Racionalizei, que o mal não dure mais que o tempo necessário, então investi forte a fim de que o objetivo daquela transa fosse alcançado – gozada, sacudida e tchau.
Boca e mãos não suficientes, o chato queria mais e verbalizava, pedindo, ameaçando, quase esperneando.
Nada mais restava, no intuito de acabar logo com aquilo cedi e logo ouvi a frase do idiota a penetrar meus ouvidos: “Fico horas, horas bombando...”, ele repetia e eu quase desistindo da polidez.
Pensamento companheiro naquele momento: “Porra Giuli’s, onde você foi parar”. A mecânica da coisa e o correr do tempo finalizaram a trepada com o idiota, que de modo geral não foi ruim, apenas medíocre/mediana – desnecessária. O idiota também tinha um quê de artificialidade, soava como um ator canastrão em decadência. Ele não foi o primeiro idiota com o qual transei, mas espero que seja o último, pois transar apenas para saciar os instintos não é o ideal e com um idiota é um quase martírio, e te faz pensar. E pensar após o sexo é o maior "destesão".


Bratz Elian 
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quinta-feira, 30 de junho de 2016

De que Serve a Bondade!


Foto: Douglas Magno




De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?
De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver entre os não-livres?
De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?
Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor:
A faça supérflua!
Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade
Faça supérfluo!
Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos
Um mau negócio!

Bertolt Brecht

ps: Em homenagem à ressaca de palavras trocadas com Eduardo.

Bratz Elian
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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Sídnrome de Netflix!



O vício de séries volta a atacar e haja tempo para tantas séries ao mesmo tempo.
Elementary, House of Cards, Dowton Abbey, Crossing Lines e Grace and Frankie são as que me empolgam no momento enquanto aguardo a segunda temporada de Sense 8 [que está sendo filmada também em São Paulo - UALA].
Tudo isto conjugado com tempo para o tricô, para o Blog, para o curso de Inglês e para as leituras no e-book.
Como fica a agenda dos filmes também no Netflix? Super atrasada!
Precisando de dias com 30 horas.

Vivas a Santo Antônio, São João e São Pedro. Adoro as festas Juninas mas, isto fica para outro post.

Bratz Elian
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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Picos!




Picos I

Eu costumava ter uma veia romântica — foi o que pensei quando eu não soube retribuir aquele carinho.

Picos II

A enfermeira não consegue encontrar onde injetar o medicamento; parece nervosa, impaciente. Faço um esforço e olho para o meu braço extremamente branco: sou um mapa sem estradas. Não me levo a lugar algum.

Picos III

Há um mosquito insolente na minha perna. Acho que ele não se dá conta que um tapa é suficiente para o fim. Mas não faço isso. Sei que não é apenas ele quem quer o meu sangue.

O Fim da Picada

Daqui de cima, confirmo: a cidade é realmente pequena. Andando por suas ruas, reencontrando sempre as mesmas faces cansadas, eu já desconfiava.


Bratz Elian
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