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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Insanidade!



Debaixo destes tetos, entre cada quatro paredes,
cada um procura reduzir a vida a uma insignificância.
Todo o trabalho insano é este:
reduzir a vida a uma insignificância,
edificar um muro feito de pequenas coisas diante da vida.
Tapá-la
escondê-la,
esquecê-la.

Raúl Brandão


ps: a todos os insanos que assim sabem o bem viver ...

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A boca, o hálito e um desejo!



O preâmbulo desta série de postagens poderá ser visto clicando aqui.

Chove, aquela previsível garoa de um fim de tarde qualquer, e úmido e sem sentido ou expectativas mais um dia estéril finda. O observo e concentro meu olhar-flecha em seu mamilo, pensamento libidinoso fora de hora prontamente dissipado pela racionalidade.
De volta ao meu mundinho interior, que se assemelha muito às famosas obras de Dali, sou surpreendido por um olhar quase infantil e a aproximação do jovem de mamilo rosado que tanto me apeteceu. Com certa indiferença respondo seu cumprimento: “Oi” – cansado de tantos com pouco ou nada a dizer, ou o regresso da minha síndrome de diva? Sim, já olhei por cima os mortais que me cercaram, pobre deles que não passavam de sombra borrada no chão diante da minha plenitude em si.
Não bastou o mamilo, o nariz impecável, o rosto talhado em linhas retas e másculas e a atitude em vir a mim; em seu diabólico plano ainda havia uma voz sedutora, um som safado e rouco levemente balanceado que embriaga de imediato.
Eu ainda reticente e ele dá a cartada final, um lance de mestre – ou tudo ou nada – e se explica: “Estava ali fumando um baseado, não era outro tipo de droga não. Só um baseadinho.” Com indiferença brutal apenas balanço minha cabeça, e ele desconfia da minha sinceridade: “Sério, você pode estar pensando outra coisa. Mas era só um baseado, sabe...”
Respondi, tentando quebrar a camada de gelo formada entre nós: “Relaxa, acredito em você”. E ele, não contente em enfiar o punhal, decide que é o momento de revolvê-lo e testar minha resistência: “Vem aqui, pode sentir o cheiro”, faço uma negativa e insisto na frase: “Confio em você”. O menino do mamilo rosado e voz de desejo então pede: “Vem cá, por favor”, aquele “por favor” inviabilizou qualquer reação contrária e então me entreguei ao seu hálito e percebi o desenho delicioso de sua boca. O hálito morno e intenso cheirando a maconha – um cheiro quase gosto e delicadamente mofado. Cheiro de maconha me lembra mofo, sabe-se lá o porquê.
Missão cumprida, ele fez sua parte. E eu... Eu racional senti o desejo vindo daquela boca, mas foi desejo apenas desejo de ele ser desejado. E ele conseguiu, sim, ser desejado veementemente por mim, que por alguns instantes perdi a razão e fui entorpecido por seu desejoso hálito.


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Exercitando o autocontrole!




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Em uma quadra esportiva localizada no bairro Santo Antonio acontece evento carnavalesco, e claro lá estou eu. Não é necessário enfatizar que é o programa que mais me atrai e realiza.
O samba, batucadas, gente disposta dançando, e a sensação dúbia de estar em um lugar no qual você conhece pouquíssimas pessoas é algo que realmente me excita. A vontade de confirmar a felicidade é presente, constante e inevitável. Ao som de uma bateria de escola de samba os quadris são possuídos por uma vontade (ancestral africana), própria e latejante. Respiro fundo, olho ao redor e decido não sucumbir ao chamado. Vou manter a postura e não me jogar no samba. O som invade a cabeça, embriaga, o corpo se movimenta involuntariamente, pés se afastam do chão, leves ondulações se formam dos ombros aos quadris – resisto!
Não, não posso, hoje não vou suar ao som de nenhuma bateria. Retomo o comando das coisas e fico naquele passinho, um pra lá um pra cá, nada comprometedor.
Eis que a cerveja gelada dá ânimo ao meu amigo, que só para contrariar as estatísticas começa a dançar, sorrir de alegria, totalmente contagiado pelo som dos tamborins, ritmo forte dos surdões e delicadeza dos agogôs.
E ele se jogou, sambou, suou e se divertiu mesmo – e todo excesso comparado é pouco.
Já me sentia vitorioso, mas a tentação não era apenas sonora e o exercício de autocontrole continuou nas veredas masculinas.
O que era aquele menino, de seus vinte e pouquíssimos anos? Lindo, uma delícia – olhos fechadinhos, baixinho, arrumadinho e dançava como deve dançar um homem (desajeitado, devagar e sempre com uma cara de satisfação). Controlei meus instintos, e resisti à vontade de suspirar em seu ouvido que ele era a coisa mais deliciosa da noite; e claro agarrá-lo e dançar junto. Vencida mais uma etapa, não a última. 
Na contramão do “quase-perfeito” ainda suportei as provocações de certo homem, daqueles que fazem o estilo largado, soltinho, simpático – quando o vi veio à mente a frase: “Pego, não me apego”. Ele ia e vinha, esbarrava, olhava, dançava e se fazia notar – a qualquer custo. 
E ele não precisa fazer muito para ser visto, afinal é alto, negro, cheio de amigos e dança como que guiado por um demônio. Racionalmente agi e deixei para trás a oportunidade de colocar o pé na senzala e quem sabe adotar mais este segmento ao meu cardápio; autocontrole. 
E como tudo tem limites, sucumbi à necessidade primordial de me alimentar. Em casa comi lentamente e, entre uma garfada e outra, questionei se foi bom ou não vencer aos variados desejos do corpo. 


ps: a gente vive e pensa que já viveu de tudo. que nada. deixa quieto pois já voltei ...

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Quem consegue ser indiferente a uma chupada?




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Acontece, mesmo com cuidados redobrados e anos de experiência hora ou outra acontece. E no dia depois do crime, você ainda escovando os dentes se depara com uma mancha no seu pescoço: “Filho da puta”, o que resta agora é reclamar e só. A chupada é um fato, e denuncia uma intensa noite de sexo. Ergam suas cabeças chupados amigos, não há nada a fazer a não ser se resignar e assumir, pois tentar disfarçar só piora a situação. Sigo a rotina apenas tentando evitar o ângulo denunciador e crente na discrição daqueles que vou encontrar durante o dia. Discrição que todos, absolutamente todos, decidem não exercer. Impossível contar o número exato, mas algumas reações foram curiosas ou um tanto quanto maldosas:

Dudu - O primeiro a constatar, um adolescente (imaturo quase beirando o autismo) aponta incisivamente o meu pescoço e dispara: “Safadinho, ai ai. Deixa eu ver? Hum hein!”. Em resposta um olhar fulminante e um “some daqui”, dito com os lábios quase fechados.

Mãe - No meio de um de seus enfadonhos discursos, eu sentado na calçada e ela de pé. Olho para sua face, e no meio de uma afirmação ela diz, em tom surpreso: “Que chupada é essa?”. Em resposta um muxoxo e o desvio de meu rosto, de volta ao livro que tentava ler.

Jonas - Depois de uma tarde inteira juntos, ele enfim percebe o marca e grita: “Giu, que chupão é esse?”, estávamos na fila do caixa do supermercado, local adequadíssimo para tal observação. Respondi com uma mentira absurda qualquer, e ele olhando insistentemente para a já famosa chupada.

Giordanna - Discreta, não comentou nada diretamente. Mas foi a primeira a confirmar em uma mesa de bar: “É sim, é uma chupada”.

Adrianinha - Nem mesmo me cumprimentou e compulsivamente me fez perguntas referentes à chupada, todos em volta olham para mim, disfarço e saio andando. Não vencida ela grita, do outro lado da rua: “Vai me contar tudo, com detalhes”.

Lucilene - Olhou meu pescoço e me encarou com um sorriso que transparecia vitória e prazer. Respondi com uma pergunta: “O que foi garota?”. O mesmo sorriso e um tom malicioso. Ela foi a responsável por mostrar minha chupada para pelo menos meia dúzia de outras pessoas, sempre com aquele sorriso.

Nanda - Sento ao seu lado no banco do passageiro do carro e ela bem dramática anuncia para os presentes: “O que é isso? Seu pescoço está todo arranhado. O que aconteceu? Quem foi?”.

Lili - Até se esforçou para acreditar em mim, mas diante da euforia dos presentes ela se rendeu e aceitou que era uma chupada e não uma mancha devido a meu barbear malfeito.

Bibãozinho - Não só falou alto, mas também perguntou como foi. Solicitava detalhes e perguntava: “Foi bom ontem à noite, foi gostosinho né?”. Constrangimento pouco é bobagem, então ele me abraçava e me alisava enquanto discorria acerca da chupada.

Fabiano - Dois dias depois do fato, em uma conversa habitual, ele pára e me olha fixamente. Coloca o celular na boca – lasciva e debochadamente – e pergunta: “Quem foi?”, eu inocente demoro a perceber do que ele estava falando, mas aceito o destino, afinal a chupada está lá.
O que alivia é saber que em poucos dias, e depois de muito gelo, a marca some e a ostentação do pescoço poderá (de novo) ser imponente e despreocupada. Mas a afirmação mais irritante, sem dúvidas, foi a do autor da obra de arte que me disse a seguinte frase: “E ae, o que seu namoradinho achou do seu pescoço”, ainda bem que o “namoradinho” só existe na fantasia dele, maldade consciente que felizmente não causou grandes danos.

Giuliano Nascimento
ps: semana que vem tem Sampa de novo. Volto já, com ou sem chupada!

Bratz Elian
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segunda-feira, 25 de julho de 2016

As horas do moreno da bicicleta!


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Sou um dos que afirmam que: “A rotina tem seus encantos”, realmente creio que as pequenas alegrias cotidianas nos fazem mais felizes. Mas minha rotina às vezes é abruptamente alterada por algum fato inusitado, assim como na semana passada. A falta de coloração saudável no meu rosto estava ainda mais evidenciada (alguns dias doente) o humor era dos piores, e acompanhado de cólica abdominal repentina.
Acredite, nestas circunstâncias nem mesmo consigo olhar no espelho, tamanha ferocidade de traços.
Voltava do mercadinho próximo à minha casa e percebo um rapaz me olhando e descendo de sua bicicleta, no lado oposto ao meu da rua. Ele faz um sinal tímido com uma das mãos e me chama, atravesso à rua em sua direção e nem bem chego ele diz, enfático: “E aí, tá a fim de dar uma chupada?”.
Não assimilei o absurdo de imediato, e sem reflexão alguma respondo: “Mas agora?” – sei que nem sequer deveria ter respondido o rapaz, mas foi instintivo. Se fosse madrugada até não me surpreenderia este ímpeto sexual, mas o relógio marcava exatamente “18 h 46 min”, sim eu observei as horas para ratificar a pressa alheia e a perplexidade minha.
Com dores, e diante da insistência do pretendente que apontava um corredor ao lado de um bar a fim de que eu naquele momento saciasse seu desejo (a rua movimentada, repleta de transeuntes), afirmei: “Mais tarde” – fiquei com dó de dispensar diretamente o desesperado, e então encaixei a evasiva. 
Ele sobe em sua bicicleta me olha direto nos olhos e diz com segurança: “Dez horas, dez horas aqui.”, nem tive tempo de esboçar qualquer reação, ele sumiu velozmente sobre duas rodas.
Nem mesmo consegui rir da situação, pois a dor abdominal era colossal, e continuei a caminhar com destino ao meu sofá e um programa qualquer de TV. 
Óbvio que não apareci no horário marcado (por ele), e sigo tranquilo minha prazerosa rotina até que alguns dias depois do incidente, indo ao mercado (coincidência irônica) encontro o mesmo rapaz, a mesma bicicleta, uma nova/igual proposta... 
Neste segundo “encontro” o relógio marcava 19 h 02 min; o que confirma a máxima: “A rotina tem seus encantos”.

ps: putz! este Blog completou 09 anos, no dia 19 último, e não é que eu esqueci? como pode? aff! como o tempo passa!
Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Sexo com um idiota!





Preâmbulo:

Tudo começou por obra de um feliz acaso que só a internet é capaz de nos proporcionar.
De há muito conheço o Blog do Giuliano Nascimento e já postei algumas crônicas dele por aqui.
Inicio hoje uma série de escritos deste rapaz, que não conheço nem virtualmente, mas que aprendi a admirar de forma incotextil.
Ficção ou realidade não sei e isto pouco importa.
Importa sim, sua forma nua e crua de abordar temas com os quais muito identifico-me. Seja em meu mundo real ou em minha dimensão mais íntima.
Sem máscaras, sem rodeios, sem hipocrisia. Uma forma direta de desvelar sentimentos que, a maioria das pessoas possuem mas que, por inúmeras razões, não são capazes de tratar de forma tão aberta e direta.
Pena que o Giuliano já, há algum tempo, não tem mais postado estas suas preciosidades.
O link do blogue estará disponível em cada uma das crônicas aqui publicadas, para quem quiser conferir mais da obra deste notável cronista.

Sexo com um Idiota!

Acontece, o acaso e atitudes dissolutas ainda vão proporcionar a você (assim como a mim) uma trepada com um idiota. Ele pode ser um idiota já mesmo antes da transa e aí uma parcela da responsabilidade pelo desastre é sua, em outros casos (este meu específico) o idiota só se revela no momento íntimo – aquele no qual não há a menor possibilidade de desistir da empreitada com uma desculpa descarada qualquer. Eis minha aventura sexual com um idiota:
Sugestão dele: “Vamos fazer ‘lá fora’, é melhor”, sem pensar compartilho da fantasia de transar sob o manto de estrelas, escondido, e na companhia da tensão de ser surpreendido – dissoluto eu sei. As circunstâncias exigem que as tão faladas “preliminares” sejam mais rápidas, intensas e quase suprimidas... Lábios e língua em atividade, e gemidos de prazer. Interrompendo seus sôfregos gemidos o idiota resolve falar - porra todo idiota pensa que é orador – de início resolvo encarar sua comunicação como retórica, mas ele queria respostas e eu já queria ir embora.
Explicitamente ele mente, desvia meu foco com sua falácia, e verbaliza algo que deve soar erótico para ele, e totalmente desnecessário para mim: “Sou casado, tenho mulher e filho...” Vontade absurda de mandar ele levantar a bermuda e ir para casa cuidar de sua família feliz, mas essa sutil observação não era suficiente para deixar o idiota ali, só e com o pau no sereno. O tamanho do pau dele era repetido e justificado, não fosse tão idiota eu teria até falado que não era assim tão pequeno, mas irritado o deixei alimentar seu complexo injustificado.
Racionalizei, que o mal não dure mais que o tempo necessário, então investi forte a fim de que o objetivo daquela transa fosse alcançado – gozada, sacudida e tchau.
Boca e mãos não suficientes, o chato queria mais e verbalizava, pedindo, ameaçando, quase esperneando.
Nada mais restava, no intuito de acabar logo com aquilo cedi e logo ouvi a frase do idiota a penetrar meus ouvidos: “Fico horas, horas bombando...”, ele repetia e eu quase desistindo da polidez.
Pensamento companheiro naquele momento: “Porra Giuli’s, onde você foi parar”. A mecânica da coisa e o correr do tempo finalizaram a trepada com o idiota, que de modo geral não foi ruim, apenas medíocre/mediana – desnecessária. O idiota também tinha um quê de artificialidade, soava como um ator canastrão em decadência. Ele não foi o primeiro idiota com o qual transei, mas espero que seja o último, pois transar apenas para saciar os instintos não é o ideal e com um idiota é um quase martírio, e te faz pensar. E pensar após o sexo é o maior "destesão".


Bratz Elian 
enfim! é o que tem pra hoje ...

quinta-feira, 30 de junho de 2016

De que Serve a Bondade!


Foto: Douglas Magno




De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?
De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver entre os não-livres?
De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?
Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor:
A faça supérflua!
Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade
Faça supérfluo!
Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos
Um mau negócio!

Bertolt Brecht

ps: Em homenagem à ressaca de palavras trocadas com Eduardo.

Bratz Elian
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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Sídnrome de Netflix!



O vício de séries volta a atacar e haja tempo para tantas séries ao mesmo tempo.
Elementary, House of Cards, Dowton Abbey, Crossing Lines e Grace and Frankie são as que me empolgam no momento enquanto aguardo a segunda temporada de Sense 8 [que está sendo filmada também em São Paulo - UALA].
Tudo isto conjugado com tempo para o tricô, para o Blog, para o curso de Inglês e para as leituras no e-book.
Como fica a agenda dos filmes também no Netflix? Super atrasada!
Precisando de dias com 30 horas.

Vivas a Santo Antônio, São João e São Pedro. Adoro as festas Juninas mas, isto fica para outro post.

Bratz Elian
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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Picos!




Picos I

Eu costumava ter uma veia romântica — foi o que pensei quando eu não soube retribuir aquele carinho.

Picos II

A enfermeira não consegue encontrar onde injetar o medicamento; parece nervosa, impaciente. Faço um esforço e olho para o meu braço extremamente branco: sou um mapa sem estradas. Não me levo a lugar algum.

Picos III

Há um mosquito insolente na minha perna. Acho que ele não se dá conta que um tapa é suficiente para o fim. Mas não faço isso. Sei que não é apenas ele quem quer o meu sangue.

O Fim da Picada

Daqui de cima, confirmo: a cidade é realmente pequena. Andando por suas ruas, reencontrando sempre as mesmas faces cansadas, eu já desconfiava.


Bratz Elian
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segunda-feira, 9 de maio de 2016

Não, que eu saiba!



Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

Paulo Leminski



ps: São quase 42 anos de relacionamento e 4 anos de casamento efetivo. Que assim seja!

Bratz Elian
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quinta-feira, 5 de maio de 2016

O Beijo!





Tudo o que ela quer é um beijo, um simples e sincero beijo. Aos 70 anos de idade, nunca fora beijada. Sempre foi uma mulher de vida entre aspas, a rotina lhe dá autoconfiança, evita ao máximo entrar em conflito com alguém. Pede perdão a todos, se algo de errado acontece, logo assume a culpa. Em seu quarto há várias fotos de beijos. Beijos previsíveis como sua vida sem novidades, sua vida de novela das seis.
Todos os domingos, vai à Praça da Purificação, fica olhando os casais de namorados em beijos apaixonados, delicados, tímidos, ousados. Imagina-se ali... Quem sabe, um dia, teria seu namorado, que lhe pegaria nos braços, lhe beijaria com desejo e paixão. Todas as noites, sonha o mesmo sonho: um beijo interrompido, lágrimas e tristeza... Dormir é um temor, por isso dorme pouco. Aprendeu a conversar com as estrelas. É um diálogo surdo, diálogo em que todos os verbos são irregulares.
Um dia, viu na novela uma personagem secundária (como ela própria) levar um tiro e seu assassino lhe beijar os lábios congelados na estupidez da morte que, embora ficção, lhe tocara profundamente em suas emoções coadjuvantes. No outro dia, entrou em uma loja de armas, comprou um calibre 38. Foi banindo para o não de si o que mais lhe atormentava.
Passou a dormir tranquilamente, no seu sonho nada mais a atormentava.
No domingo, na Praça da Purificação, ficou apenas o deserto do medo, porque beijar era medo. Nunca foi esquecida, porque também nunca fora lembrada. Nunca deixou de mandar flores aos beijos que interrompeu. Um beijo que bem poderia ser como os de novela, sem vida, exato em despedidas nunca acontecidas definitivamente


Bratz Elian
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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Voltando ao 3 e 15!



Outro dia falei do e-book lançado pelo amigo Eduardo de Souza Caxa - 3 e 15. Volto ao tema para registrar minha percepção sobre a obra, que devorei de forma intensa, saboreando cada minúcia, digerindo cada idéia e cada percepção sobre a vida, ditada pelo amigo nesta magnífica obra. 

O que vou dizer do Eduardo e sua obra? Qualquer coisa que eu disser poderá ser vista como algo vindo de um grande amigo e portanto suspeito. Mas não! Apesar de ter o Eduardo no rol de meus amigos prediletos, no rol de meus "amores" mesmo, tenho que confessar minha mais absoluta admiração pela sua pessoa, pelo seu caráter, pela sua simpatia, pela sua inteligência, pelo seu elevado espírito crítico, pela sua sabedoria, pelo seu carinho para com as pessoas e, principalmente, pela sua habilidade ímpar em lidar com as letras, os pontos, as vírgulas, as sílabas, as palavras, as frases e os parágrafos.3 e 15 é uma obra que nos encanta. Uma forma de se auto biografar de forma não convencional e criativa. Retirando de detalhes do cotidiano [fatos e eventos percebidos, vistos, ouvidos, experienciados] e que, para a maioria dos mortais passam desapercebidos ou não são valorizados, para ele constituem a matéria prima para se desnudar frente àqueles que se aventuram em lê-lo. Textos recheados de criatividade, criticidade, bom humor, irreverência que nos levam ao seu mundo pessoal e nos conduz a uma percepção mais clara e objetiva de nosso próprio "eu". Super recomendado. Que este seja o primeiro de uma série de outros trabalhos deste notável escritor que se revela ao mundo que ainda não o conhecia como eu o conheço.
Obrigado Edu por fazer parte de maneira linda de minha vida como uma das pessoas que mais admiro. Obrigado Edu por presentear-nos com esta maravilha. Sucesso para você meu querido amigo. Parabéns. 

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Tchau, querida!




Hoje comemoramos a Inconfidência Mineira e, amanhã o descobrimento do Brasil, Nada mais oportuna que voltar ao tema da postagem anterior,  para homenagear nosso novo grito de Liberdade. Para tanto, escolhi este brilhante texto da amiga Ana Bailune, do Blog Liberdade de Expressão que, de forma magnífica e prosaica, analisa os últimos fatos que envolvem o mundo político brasileiro.

Mais uma vez, Ana Vagalume publicará um texto que deveria estar nas escrivaninhas do infer ... digo, dos Cavaleiros do Apocalipse, mas devido à crise, figurará nas dependências desta séria e compenetrada escrivaninha, em caráter provisório, até que mude. Ou não.



Ia Ana Vagalume a caminhar alegremente pelas ruas e praças movimentadíssimas de Fake City (era dia da votação pelo impeachment) quando, ao passar por um belo jardim cheio de moitas, num canto escondido entre bandeiras vermelhas e camisetas vermelhas, ela escutou um conhecido e familiar soluçar de tristeza e indignação. Ela logo exclamou:
-Minha amiga, a Presidenta (ou será ex-Presidenta?) Dilma Tá Russef!
-Olá, Vagalume. Veio aqui para pisar na minha cabeça também?
-Jamais, divina mestra! Vim tentar elevar o seu nível moral... e dizem que nada melhor do que exercícios físicos para conseguir este efeito anti-depressivo! Por que a senhora não vai dar umas pedaladas?


E a Presidenta começa a chhorar ainda mais alto, e Vagalume se desculpa:
-BUÁÁÁÁ!!!
-Oops.. fui mal.
Ao lado da Presidenta, que se encontrava ajoelhada numa poça de lama, causada pela mistura de suas muitas lágrimas à terra da Pátria Mãe Gentil que nunca enjeita, dormia uma cascavel muito parecida com alguém que Ana Vagalume conhecera, mas ela não conseguia lembrar-se quem seria.
Através de um autofalante, Dilma escutava a votação:



-Pela minha família, pelo meu cachorro, pela minha empregada Janete que é gostosa pacas, pela minha mulher que não se separa de mim, apesar da Janete, digo ao povo que voto SIIIMMMM!!!!!
-Pela moralização do país, pela Lava-jato que ainda não chegou até mim, pela minha querida Nação que tanto tem sofrido nas mãos deste governo corrupto (que se recusou a dividir as propinas comigo), eu voto SIIIMMMMM!



-Pelo país, pelo meu filho Joadir, pelo meu falecido pai, que a essa hora está revirando na tumba porque sabe que seu amado filho não tem nem ideia do que está falando, pelos pelos do meu gato, eu voto SIIIMMM!!!
-É com muito pesar que, amando e respeitando a nossa querida Presidenta da República, eu venho aqui para deixar registrado na história, o meu agradecimento ao PT e o meu voto contra o golpe; agradeço a nossa Presidenta e a Lula, que mudaram este país, mas infelizmente, meu partido me mandou votar com eles, ou eu seria mais uma entre os dez milhões de desempregados deste país; portanto, o meu voto é SIIIIIMMMM!!!!!


Dilma chorava copiosamente. Vagalume aproximou-se, tentando segurar-lhe a mão, mas de repente, a Jararaca deu um bote, impedindo-a, pensando que ela estivesse ali para fazer mal à sua querida. Ana Vagalume, recolhendo a mão mais que depressa a fim de salvar-se, ainda pode gritar:
-Calmaí! Eu sou amiga! A-mi-ga!
E a Jararaca, rosnando e espumando pela boca, recolheu-se. Ao ver Ana Vagalume, a Presidenta estendeu-lhe as mãos, e Vagalume, ajudando-a a sentar-se, perguntou:


-O que posso fazer pela senhora, amiga?
-Não desistirei nunca, Vagalume! Daqui eu não saio nem à pedradas! Não vai ter golpe, vai ter LUTA!
-Querida, se você não mudar esse discurso mofado, não vai conseguir se safar... e cuidado, pois o pior pode ainda estar por vir... já pensou na OAB? Seria um golpe ainda maior na sua cabeça. Acho melhor a senhora renunciar.
-Renunciar?! Está ficando maluca?
-É a única maneira de a senhora sair com um pouco de dignidade.
-Tarde demais!
-É, tem razão.
-E nem o Tiririca ficou do meu lado! Pode?!




As bandeiras vermelhas se agitavam com cada vez mais fúria, aos gritos de:
-Vai ter sangue derramado! E vai ser verde e amarelo! Os coxinhas vão ser devorados! País de traidores que não leem, não entendem de política, não conhecem a História!
Ana Vagalume pensou (mas não verbalizou): “Ora, e esse pessoal aí de vermelho conhece a História? Estudou? Vou perguntar a eles onde foi que o Lula se formou, em que faculdade.”


Enquanto isso, passavam bandejas com comida, envelopes contendo trinta e cinco reais e kits passeata, que continham uma camiseta vermelha, uma bandeira vermelha, um Manifesto Comunista e uma caderneta com frases de efeito para serem gritadas durante as manifestações. E Dilma:
-Tanto sacrifício para nada! (chuif)... passei horas cortando pão e colocando mortadela para que o povo não passasse fome, e mandei organizar um bufê de alto luxo para os deputados em Brasília, e mesmo assim, após comerem da minha comida, ainda votaram contra mim!



Ana Vagalume, olhando mais de perto, percebeu que as bandejas dos “trabalhadores” estavam cheias de caviar, lagostas, canapés caríssimos e outras iguarias de fino trato, e as bebidas, eram garrafas de Moet & Chandon, vinhos Chateauneuf du Pape e muito escocês legítimo. Com muito cuidado – pois não queria deprimir ainda mais a Presidenta, Vagalume chamou-lhe a atenção para aquele detalhe:
-Querida... lanchinho luxuoso esse, hein? O povo deve mesmo amar a senhora, e a senhora, o povo!
Ao ver tais iguarias sendo degustadas com as mãos pelo povaréu, Dilma, levando as mãos à cabeça, exclamou, desesperada:
-Ah, não! Mas que meeeerda! Eles trocaram as entregas! Trouxeram a comida que era para o coquetel dos deputados aqui, e levaram os sanduíches de mortadela e o ki-suco para lá!



Ana Vagalume observou:
-Não é à toa que a senhora está perdendo...
Naquele momento, a Jararaca, que estivera quieta durante a conversa, exclamou:
-Mas que droga, hein, querida! Num posso deixa você resolver nada sozinha, que dá merda! Santa incompetência!


Diante daquela bronca, nossa amiga (ex)Presidenta só pode chorar ainda mais copiosamente! E Ana Vagalume, que não desejava ser vista em más companhias, afastou-se dali usando seus óculos escuros estilo Chico Xavier, pensando:
-E agora, quem será o próximo?




Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...





quinta-feira, 14 de abril de 2016

O Meu Segredo!



Revelar meu segredo? Não, por certo;
Talvez quem sabe, um dia em breve.
Mas hoje não; tombou geada e neve.
Se a curiosidade te hei desperto
E sem pudor o queres ouvir, pois bem:
O segredo é meu, não conto a ninguém.

Talvez nem haja nada que contar:
Imagina afinal que não há segredo,
Era só a brincar.
Hoje está frio, é um dia azedo
Em que faz falta uma roupa abafada,
Um xale e mantas que nos aqueçam;
Não posso abrir a todos quantos peçam,
Deixar o vento entrar-me de rajada,
Rodear-me, cercar-me,
Aturdir-me, assustar-me,
Enregelar-me sob este disfarce
Que me aconchega;
Pois quem quer desnudar-se
Ao vento frio que o há-de fustigar?
Não me fustigarias? Obrigado.
Mas deixa essa verdade ainda velada.

É bela a Primavera; todavia
Não confio em Março com seus tremores,
Nem em Abril co’a breve chuva fria,
Muito menos em Maio cujas flores
Murcham co’a geada da noite sombria.

Talvez num dia lânguido de estio,
Quando o sol faz as árvores dormitar
E se cobre de ouro a loura espiga,
Com fresca brisa mas sem nenhum frio
E o vento muito manso a soprar;
Talvez o meu segredo eu te diga,
Ou tu possas adivinhar.

Christina Georgina Rossetti,
tradução de Margarida Vale de Gato


ps: De segredo em segredo revelado vou desnudando-me frente à vida. Isto para mim é imperioso.

Bratz Elian

enfim! é o que tem pra hoje


quinta-feira, 7 de abril de 2016

3 e 15!




Eduardo de Souza Caxa, um amigo de longa data em Blogsville, acaba de publicar seu primeiro livro. Ansioso por começar a ler pois, sei bem da capacidade que o amigo tem de lidar com as letras, os pontos, as vírgulas, os parágrafos, para decodificar suas emoções e suas ideias.
Eduardo assim se define: "Nasci na madrugada de uma Quarta-Feira de Cinzas e por isso acredita ter um pé no profano, outro no sagrado. Nem lá nem cá, nem direita nem esquerda (mentira! esquerda...), nem convicto nem confuso, do século passado mas com olhos no futuro. Sua única certeza é a de gostar muito de escrever (porque da morte tem suas dúvidas também)."
A Obra:
3 e 15
Da tarde ou madrugada?
A hora favorita pra escrever?
O tempo que levou pra montar o livro?
Os 3 menos 15 anos na estrada de onde surgiram estes textos?
Os ponteiros do relógio apontando juntos, braço estendido à frente: adiante?
Eduardo de Souza Caxa diverte-nos, emociona-nos, obriga-nos a pensar, com este seu primeiro livro, 3 e 15, uma coletânea de crónicas, pequenos contos, reflexões e poesia.
Fica a dica pessoal. Maiores informações e compra cliquem aqui.
Quem não conhece o gatão aqui está ele. Cliquem aqui e saibam mais do gajo:


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 4 de abril de 2016

O cheiro de nós!






Lá fora o típico cheiro de chuva, não aquele ideal da chuva molhando a terra e sim o asfalto quente castigado pelos pingos finos (prova de que até mesmo o que não é romântico pode ser doce). Ao lado um maço entreaberto de cigarro fabricado na Indonésia exala um cheiro de especiarias e noites sujas, e mesmo nesta delirante mistura olfativa as minhas narinas buscam seu cheiro, ainda.
O cheiro da tua nuca, virilhas, axilas e do seu hálito; saudades de te abraçar e pedir baixinho para que a vida se encerre ali naquele instante. 
Nada existiu ou existirá além do abraço e seu cheio em mim, em nós.
No player uma música qualquer que fala de amor, o amor pode ser tão ordinário, e eu sinto o ar ficar rarefeito – suspiro à procura do seu cheiro ou quem sabe que você de alguma forma escute o som que sua falta me faz. 
Pouco mais de uma dezena de dias para o término de mais um (mesmo) ano, 2013 se vai e sua ausência sei que fica; antes a profecia fosse a vera e “de dois mil não passarás...” assim eu não teria te conhecido e o paraíso seria mais uma história mal escrita no livro de salvação de muitos, inclusive a sua. 
A vida continua pesada sem você, a cada novo dia é como ir à forca e o carrasco faltar. Agonia, desesperança e o fim tal qual o horizonte no mar negro sem luar; a maresia se mistura à dor e nada de sentir o cheiro doce da morte, da morte de “nós” que mesmo em farrapos e putrefato teima em não descansar no túmulo da minha vida. 

Giuliano Nascimento

Bratz Elian

enfim! é o que tem pra hoje ...

quinta-feira, 31 de março de 2016

Uma história cotidiana!




São aproximadamente 23 horas e 30 minutos, abro a porta de casa, subo as escadas e rapidamente vou largando no chão as roupas que me vestem – banho.
A água quente lambendo meu corpo é o maior prazer do dia, conseguiu superar os pedaços também quentes da pizza, que anteriormente matava minha fome.
Ainda enrolado na toalha úmida faço uma ligação casual a um amigo, e o relógio mostra sorridente a hora "do sinal da cruz", é meia noite. Visto-me, lixo as unhas da mão esquerda de modo displicente, bebo uma xícara de achocolatado quente e vou fazer uma visita ao amigo do telefonema. Ele me esperava em uma esquina, a meio caminho de sua casa, junto a um outro amigo e dois conhecidos, e diz: “Olha a vagabunda vindo ali”. Sou recepcionado de maneira carinhosa e retribuo a gentileza. Alguém pergunta as horas, é 1 hora e 27 minutos e está frio. Já na casa do meu amigo, conversamos banalidades enquanto o jantar está esquentando: frango, arroz, feijão, macarrão e a insistência para que eu me alimente. Enormes pratos cheios e odoríferos, e eu apenas com um copo de suco artificial sabor laranja. Às 3 horas e 33 minutos da manhã, depois de acordar uma colega que dormiu sem cerimônias vou embora na companhia da dorminhoca e de meu outro amigo. Uma neblina delicada nas ruas e o frio companheiro, despeço-me dos dois na porta da casa em comum, aos berros e risadas, e continuo em direção à minha casa. Duas quadras depois encontro outra amiga, que acabara de fechar seu comércio. 
A salvo de um insone cliente que insistia em conversar, e a acompanho até o portão de sua casa. Parados, um de frente ao outro conversamos amenidades acerca da vida daqueles que nos rodeiam, amigos em comum rendem sempre boas histórias. De súbito, o desejo de mais um cigarro a faz me pedir para ir com ela até o “Bar do Zueira” – aquele que quase nunca fecha. No balcão ela paga seu cigarro e acende com o isqueiro da garota que nem mesmo olhei a face, enquanto isso estou cumprimentando um primo, que debruçado na mesa de bilhar sorri ao me ver e vem me beijar o rosto e abraçar apertado - desconforto.
Beijos de despedidas, promessas de nos vermos no outro dia e um cachorro na calçada, enfim retorno para casa às exatas 4 horas da manhã.
Ligo o televisor, um filme desnecessário me prende a atenção por alguns minutos e na sequência me faz apertar a tecla “off” do controle-remoto.
Agora, de frente para o monitor do computador o relógio no canto inferior marca 5 horas e 20 minutos. Preguiça de revisar o texto e o antivírus insistindo em uma tal atualização, é o fim. Me resta publicar o texto, mas antes encontrar uma imagem ilustrativa e às 6 horas acordar minha mãe e depois ir aos braços de Morpheu. Dormir, porque amanhã é outro comum dia.


ps: Voltei e a nossa programação normal volta ao cartaz. Que triste!

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

quinta-feira, 17 de março de 2016

Fantasia sexual, uma segunda chance!



Fetichismo, cada um e todo mundo tem sua pequena caixa de fantasias sexuais, seja a simples predileção por pés ou mesmo inomináveis, ou não, distúrbios.
Quem nunca desejou dar, ou levar, um tapa na cara que levante a mão – todos somos um tanto culpados, e há culpa? 
Em uma qualquer e incerta madrugada, de tempos idos, fantasiei com um desconhecido e sua camisa de time, desejo não saciado e a imagem até então a me perturbar, acompanhar-me em insones e em riste noites. Eis que em uma esquina, sempre há esquinas, uma troca rápida de olhares e uma verde camisa a cobrir o peitoral que desnudei.
Meu pescoço a se contorcer acompanhando o torcedor do Palmeiras, ele também me procura, mas diante das incertezas e descaminhos da madrugada sigo em frente, não sem antes o perder de vista.
O desejo naquele rosto quase infantil cresceu com a impossibilidade gerada por nossos itinerários contrários, mas ao dobrar uma outra esquina ele reaparece. Deus e/ou o diabo moram mesmo nos detalhes e aquela camisa do Palmeiras inviabilizava qualquer negativa minha.
Não bastasse a camiseta, que tirei do seu corpo em momento apropriadíssimo, ele também era lindo. O tipo de beleza não-óbvia que tanto me faz suspirar, um rosto de menino com linhas fortes e um olhar de homem que já viveu algumas das dores do mundo.
O pau, peitos, barriga e aquele gemido contido. As mãos dançando em meus braços e nuca, intimidade e carinho igual ao de casais que se reencontram depois de uma partida. Não, não éramos apenas estranhos a saciar nossos desejos, mas o objetivo das fantasias sexuais é o gozo, não cabe expectativas neste acordo de cavalheiros - talvez mais 15 minutos eu me aventurava a iniciar um laço, mas o que me pertencia de fato era a fantasia, agora realizada.
Inebriado, absorto, senti-me prostrado ao meu desejo ao ver aquela camiseta alviverde de poliéster se perdendo, de vez, na esquina da minha casa.


ps: Com este espírito, após 40 dias de quaresma, embarco para São Paulo amanhã para celebrar a Páscoa. Coelhinhos onde estão vocês? rs
Volto logo.
Feliz Páscoa a todos com muitos "ovos"!

Bratz Elian
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Ninguém me vê!





Às vezes escondo-me no meu corpo e ninguém me vê.
As pessoas falam comigo e não notam que eu não falo com elas.
Posso até dizer algumas palavras,
posso até exprimir-me num longo discurso,
mas a verdade é que não falo com elas.
Estou escondido algures no meio do meu corpo.

Gonçalo M. Tavares

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O único no mundo!






– Faz muito frio pra você, aqui fora?
– Não, leve-me por favor até o centro da praça. De noite, no sonho, vimos uma árvore como aquela lá, aquela perto do centro.
– Vimos?
– Sim. Você, e eu, e todos. Estava bem à vista.
– Que sonho era? 
– O sonho da noite. 
– Que queres dizer com isso? 
– A gente tem um sonho, todas as noites. E as vezes mais de um, não é assim? 
– Sim. 
– E no sonho da noite havia uma árvore como essa, e um dos galhos estava carregado de frutas. Mas não mais do que um galho. 
– Escute, senhor Ramirez, a gente tem sonhos enquanto dorme. Mas cada um sonha sozinho. É coisa particular, privada. 
– Mas você não viu essa árvore de noite, a de galho diferente? 
– Não, não a vi. 
– Todas as pessoas a viram. 
– Ninguém a viu. Você sozinho a viu. O único no mundo. 
– Por que? 
– Porque é assim. Quando se sonha se está completamente sozinho. 

Manuel Puig - Maldición Eterna a Quien Lea Estas Páginas.

ps: Mesmo sendo único no mundo, vivemos a alegria de compartilhar da amizade de inúmeros queridos. É o caso do Namoradinho do Blogue Namoro com um Pop Star. Em um trabalho excepcional ele homenageia vários blogueiros em seu Calendário Blogosférico 2016. Agradeço o carinho do amigo pela gentileza de escolher o Bratz&Elian para configurar o Janeiro e a abertura do calendário. Confira clicando aqui.



Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

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