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domingo, 7 de abril de 2019

O que ninguém deve fazer!





O mistério do nascimento é mais profundo, escreveu em algum lugar Simone Weil, e mais rico para meditar que o mistério da morte. É que ele nos confronta com o acaso, que é a verdadeira necessidade, ao passo que a morte nos entrega apenas ao destino, que é uma necessidade programada ou retrospectiva. Quer eu morra totalmente ou não, ou melhor, quer eu ressuscite ou não, minha vida nesta terra nem por isso deixará de ter sido a mesma. Mas, e se eu não tivesse nascido? Ou se tivesse nascido de pais diferentes? Ou simplesmente, com os mesmos pais, se tivesse sido recebido a partir de um outro óvulo, de um outro espermatozoide? Seria outra pessoa, ou melhor, não seria. Toda morte é inevitável (mesmo que ocorra por acaso: de qualquer modo é preciso morrer). Nenhum nascimento o é, mesmo que tenha sido desejado ou programado pelos pais. Morrer é um destino. Nascer, uma sorte.
Se nossos pais não tivessem feito amor naquele dia, ou se o tivessem feito algumas horas depois, ou antes, ou talvez simplesmente em uma outra posição, não estaríamos aqui hoje para pensar a respeito. Acasos do desejo. Loteria da vida. Nascer é para cada um a primeira grande sorte, necessariamente a mais importante, pois condiciona todas as outras. Mas isso não é tudo. A mesma improbabilidade extrema valeu também para a concepção de nosso pai e de nossa mãe, para cada um de nossos quatro avós, para cada um de nossos oito bisavós…Essas sucessivas improbabilidades, cada uma delas condicionada pelas que as precedem, multiplicam-se uma à outra. Ao fim de algumas gerações, a probabilidade de cada nascimento, embora não nula, é tão ínfima que nenhum estatístico sério aceitaria prevê-la de antemão. Ganhar na loto é, ao lado disso, brincadeira de criança.
É isso que nos deve tornar exigentes. Essa vida tão improvável que nos é dada, cabe a nós não a desperdiçar. A vida não é um destino, é uma aventura. Ninguém escolheu nascer; ninguém vive sem escolher. Cada qual é inocente de si, mas responsável por seus atos. E responsável, portanto, ao menos em parte, por aquilo que se tornou. Aristóteles mais profundo que Sartre. É forjando que alguém se torna forjador. É realizando ações virtuosas que alguém se torna virtuoso. “Fazer”, dizia Lequier, “e, fazendo, fazer-se”. Isso não fará de nós outra pessoa, o que ninguém consegue. Mas impede de nos resignarmos rápido demais ao que somos, o que ninguém deve fazer.

André Comte-Sponville - A vida humana

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

domingo, 24 de março de 2019

As Nuvens!




De quem gostas mais?, diz lá, estrangeiro.
De teu pai, de tua mãe, de tua irmã ou do teu irmão?
Não tenho pai, nem mãe, nem irmãos.
Dos teus amigos?
Eis uma palavra cujo sentido sempre ignorei.
Da tua pátria?
Não sei onde está situada.
Da beleza?
Amá-la-ia de boa vontade se a encontrasse.
Do ouro?
Odeio-o tanto quanto vós a Deus.
Então que amas tu singular estrangeiro?
Amo as nuvens… as nuvens que passam …
lá, ao longe…as maravilhosas nuvens!

Charles Baudelaire, O Estrangeiro

Pensando …

Eu também amo a transitoriedade das coisas passageiras, sua finitude, sua fragilidade de bolha de sabão. Nada do que permanece sobrevive a erosão do tempo, tudo o que há são os pequenos momentos – como nuvens! – belos e morredouros. É uma outra forma de se relacionar com o que há de essencial em nossas vidas. Afinal, como seres tão suscetíveis ao tempo foram aspirar as coisas eternas? Por imaginação e tédio, e também um evidente temor. A única eternidade possível é a deste momento, por exemplo, em que sozinho, explico-me a mim mesmo. Há o silêncio e ele há de passar, o silêncio deste momento; há esta aflição que sinto, e ela também passará; há esta minha perplexidade só compreensível aqui, comigo, em mim. E não há nada mais simples e evidente do que este momento que já nasceu com os minutos contados. Quanto tempo terá, enfim? Por quanto tempo poderei segurá-lo, prendê-lo, antes que se dilua em esquecimento e passado? A vida talvez não passe desta imagem figurativa da bolha de sabão feita com o sopro de uma divindade aborrecida consigo mesma. E por sermos fruto da imperfeição de uma criatura original, somos todos tão insatisfeitos e imperfeitos, apesar de nossa beleza evidente e cristalina. Eis o fim deste instante.

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

A vida em stand by!




É foda quando, de uma hora para outra, você percebe o quanto sua vida está uma merda. Isso mesmo, você desatento na zona de conforto e de repente ...
... de repente aparece uma pessoa.
E você inconscientemente torce para ele entrar no chat do facebook, quer rir junto, marca para fumar um cigarro, diz não saber o motivo - mas que ele te faz bem, só dorme depois de dar “boa noite”, e acorda com o primeiro pensamento nele. Assim, como num estalar de dedos, esta pessoa entra na sua rotina e aquele outro amor (o que não frutifica, mas te acompanha. Enfim...) ele começa a esmaecer.
Eis o tapa na cara, dado pela vaidosa e às vezes ruidosa e apressada vida, e então o click: “Que merda eu estou fazendo da minha vida ou melhor, não fazendo?”
A percepção evidente de que a vida estava passando sem ao menos você perceber os movimentos mais básicos, vivendo em stand by.
O que fazer? Não dá para correr de si mesmo. A dicotomia entre o novo brilho nos olhos que ele te traz ou a luz habitual que o outro ainda fornece é a grande questão que a vida jogou no seu colo a fim de que você, e só você resolva.
Aos poucos o novo cara toma conta dos espaços, e você percebe que a sua vida pode não ser aquela que você merece, mas está melhor. E o outro amor, aquele morno, esfria e rodopia pelo ralo da pia. A rotina silenciosa e os desencantos ainda estão aqui, mas agora há motivos para ao menos questionar esta vida mal vivida e sufocada pela mesmice e falta de horizonte – horizonte este que ele insiste em apontar e lá está.


Giuliano Nascimento

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje .
..

domingo, 3 de fevereiro de 2019

O Quarteto da Orgia!



Início de madrugada, de uma quinta-feira qualquer, telefonemas breves, passagem rápida para encontrar um dos amigos e saímos com o objetivo de beber uma cerveja – uma só – somos quatro, todos com mais de “trinta”: Um no início, outro no meio, e um representante do finzinho dos 30; o mais experiente contabiliza 41 anos (há pelo menos 04 anos o conheço e sempre a mesma idade, enfim...). Rasgamos a rua, caminhando lado a lado com passos sincronizados bem no meio da via, rindo alto e comentando o noticiário particular em comum.
Vindo na direção contrária um homem, que ostenta o epíteto “Chacal”. Ele olha o grupo, sorri maliciosamente, balança seu corpo e afirma com uma voz deliciosamente lasciva: Vocês hein, o Quarteto da Orgia.
Confesso que ao ouvir a designação me senti como uma prostituta barata, de bota cano longo, minissaia e cigarro na boca coberta de batom vermelho.
Estou seguro de que nunca integrarei uma orgia, sou careta e até um tanto “conservador” – mas o curioso é a percepção do Chacal à lascívia do grupo, que é verbalmente sexual.
Chegando ao “Zueira” (boteco que fica aberto a madrugada toda, todos os dias da semana), o que era a percepção de um notívago se materializa fisicamente.
Ao cumprimentar um amigo, este me abraça forte e me suspende pelas pernas até a altura de sua cintura, de forma violenta e ao mesmo tempo casual.
Os próximos minutos, enquanto a cerveja não acabava, foram sucessões de pequenas perversões:
Expulsão de uma bêbada (mal vista por alguns do grupo), o rapaz preferiu ficar com o Quarteto da Orgia, e falava isso em tom debochado para a rejeitada e inconformada mulher.
Vídeo pornô caseiro exibido para todos. Simulações de brigas por ciúmes, um pênis fora das calças em frente à mesa e todos, e a garrafa de cerveja ainda com conteúdo gelado.
Comentários maliciosos diversos, mordida no queixo, tapas nas coxas, brincadeiras de duplo sentido e olhares, olhares diretos nos olhos, sorrisos tímidos e as vozes dos homens a cada momento mais presentes e embaralhadas, graves e estridentes.
Na primeira sugestão em ir embora me levanto da cadeira e me despeço de longe – com o clássico tchauzinho de miss. Na segurança da minha casa, respirei aliviado pela não realização da profética frase dionisíaca. Perdoem-me as bacantes, mas de dissoluto só tenho a imagem.

Giuliano Nascimento

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

O que isso significa?




– Por que não faz nada?
– Como assim?
– Sei lá.
– O que quer dizer?
– Não tem nada que queira fazer?
– Nada? Tipo o quê?
– Não sei. Você é bom em tantas coisas, poderia fazer o que quisesse. É bom em tudo que faz, não prefere fazer outra coisa? 
– Do que o quê? Ser marido? O pai da Frankie? O que quer que eu faça? Nos seus sonhos o que eu faço? 
– Não sei. Você é tão bom em tantas coisas. Consegue fazer tantas coisas. Tem tanta capacidade. 
– Para fazer o quê? 
– Pode cantar, desenhar…dançar. 
– Ouça, eu não queria ser o marido de ninguém. E nem queria ser pai. Não era meu objetivo. Deve ser de algum cara. Não era o meu. Mas de algum jeito era o que eu queria. Eu não sabia disso e só isso que quero. Não quero fazer mais nada. É o que eu quero. Eu trabalho para fazer isso. 
– Queria que trabalhasse em algo que não precisasse beber às 8h. 
– Tenho um trabalho que posso beber às 8h. É um luxo. Vou para o trabalho, bebo, pinto a casa de alguém. Eles ficam felizes, eu vou para casa, posso ficar com você. É um sonho. 
– Você nunca fica desapontado? 
– Por quê? Por que me desapontaria? Faço o que quero. 
– Tem potencial. 
– E daí? Por que tem que tirar dinheiro do seu potencial? 
– Não estou dizendo isso. 
– O que é potencial? O que é potencial? O que isso significa? Potencial de quê? Para virar o quê? 

Do filme Blue Valentine 

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Se nega a dizer não!



Há uma solidão neste mundo tão grande
que você pode ver em câmera lenta,
nas mãos de um relógio
Pessoas tão cansadas, mutiladas por amor,
ou pelo não amor.
As pessoas não são boas com as outras 
Os ricos não são bons com outros ricos 
E os pobres não são bons com outros pobres 
Nós estamos com medo. 
Nosso sistema educacional nos mostra que todos 
nós podemos ser malditos vencedores. 
Não nos foi dito sobre os 
marginais ou os suicidas 
Ou o terror de uma pessoa 
que agoniza sozinha. 
Mais odiadores que amantes 
As pessoas não são boas umas com as outras 
Talvez se elas fossem, nossas 
mortes não seriam tão tristes 
Deve haver um jeito que 
nós ainda não pensamos 
Quem colocou esse cérebro em mim? 
Ele chora, exige 
Diz que há chance 
Se nega a dizer não 

Charles Bukowski

Bratz Elian 
enfim! é o que tem pra hoje ...

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

A vida, segundo Mario Benedetti!


O tempo passa. Às vezes penso que teria que andar de pressa, aproveitar o máximo possível estes anos que me restam. Hoje em dia, qualquer um pode me dizer, depois de escrutinar minhas rugas: “Ora, mas você ainda é um homem jovem”. Ainda. Quantos anos me restam desse “ainda”? Penso nisso e me aflijo, tenho a angustiante sensação de que a vida está me escapando, como se minhas veias tivessem se aberto e eu não pudesse estancar o sangue. Porque a vida é muitas coisas (trabalho, dinheiro, sorte, amizade, saúde, complicações), mas ninguém vai me negar que, quando pensamos nessa palavra Vida, quando dizemos, por exemplo, que “nos apegamos à vida”, estamos fazendo com que seja assimilada por outra palavra mais concreta, mais atraente, mais seguramente importante: estamos fazendo que seja assimilada pelo Prazer. Penso no prazer (qualquer forma de prazer) e estou certo de que isso é a vida. Daí vem a aflição (…). Ainda me restam, assim espero, uns quantos anos de amizade, de saúde aceitável, de ocupações rotineiras, de expectativa diante da sorte, mas quantos me restam de prazer? (…) “Ainda” quer dizer: está no fim.
E este é o lado absurdo de nosso acordo: dissemos que levaríamos tudo com calma, que deixaríamos o tempo correr, que depois reveríamos a situação. Mas o tempo corre, deixemos ou não (…) A experiência é boa quando vem junto com o vigor; depois, quando o vigor se vai, resta apenas uma peça de museu, decorativa, cujo único valor reside em ser uma recordação daquilo que já se foi. A experiência e o vigor são simultâneos por muito pouco tempo. Estou agora nesse pouco tempo. Não se trata, porém, de uma sorte invejável.

Mario Benedetti, no livro “A Trégua“ 

ps: De volta para um novo ano. Um ano que começa tenso, mas com garra, luta e confiança superarei bem. Nova batalha de uma guerra de 8 anos. 
Muitas felicidades aos amigos durante este 2019. 

Bratz Elian 
enfim! é o que tem pra hoje ... 

domingo, 9 de dezembro de 2018

Uma Noite Povoada!



“Aceito mal o que em arte se designa por inovador. Deverá uma obra ser entendida pelas gerações futuras? Porquê? Que quererá isto dizer? Que elas poderão utilizá-la? Em quê? Não vejo bem. Já vejo melhor – ainda que muito obscuramente – toda a obra de arte que pretenda atingir os mais altos desígnios deve, com paciência e uma infinita aplicação desde início, recuar milênios e juntar-se, se possível, à imemorial noite povoada pelos mortos que irão reconhecer-se nessa obra. Nunca, nunca, a obra de arte se destina às novas gerações. Ela é oferenda ao inúmero povo dos mortos.” 

Jean Genet . O Estúdio de Alberto Giacometti 

ps: E minhas férias estão aí. Dia 15 próximo indo para São Paulo. Volto em Janeiro.
A todos os amigos um Feliz Natal.

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

domingo, 2 de dezembro de 2018

Sua melhor arte!




Há suficiente traição, ódio, violência,
Absurdos no ser humano mediano
Para abastecer qualquer
exército em qualquer dia
E os melhores em matar
são aqueles que pregam contra
E os melhores em odiar
são aqueles que pregam o amor
E os melhores na guerra – finalmente –
são aqueles que pregam a paz
Cuidado com o homem mediano, a
mulher mediana, cuidado com o amor deles
Esse amor é mediano, procuram o mediano,
mas há genialidade em seu ódio
Há suficiente genialidade em seu
ódio para matá-lo, para matar qualquer um.
Não querendo a solidão
Não entendendo a solidão
Tentarão destruir qualquer coisa
que seja diferente de si mesmos
Não sendo capazes de criar arte,
eles não entenderão a arte
Considerarão as próprias falhas, como criadores,
Apenas como uma falha do mundo
Não sendo capazes de amar plenamente,
acreditarão
que seu amor é incompleto e então te odiarão
E seu ódio será perfeito como um brilhante diamante,
como uma faca, como uma montanha, como um tigre, como cicuta.
Sua melhor arte

Charles Bukowski

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

domingo, 18 de novembro de 2018

O Tédio!




Eu me dizia então que o mundo é devorado pelo tédio. Naturalmente, é preciso refletir um pouco para se dar conta disso, não é uma coisa que se perceba imediatamente. É uma espécie de poeira. A pessoa vai e vem, sem a ver, respira essa poeira, come e bebe essa poeira, e ela é tão fina que nem faz barulho quando é mordida. Mas basta parar um momento e ela torna a cobrir o rosto e as mãos da pessoa. É preciso se agitar sem parar afim de sacudir essa poeira de cinzas. Por isso mesmo, o mundo se agita muito.

George Bernanos - Diário de um Pároco de Aldeia (Paulus)

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

domingo, 11 de novembro de 2018

Julgamos que a vida nos escapa e na realidade a vida é isso!



Às vezes fico com a vista parada
- por exemplo numa parede -
durante um bom bocado. os olhos
deixam de ver por fora e o corpo
parece que não o sinto. Então
normalmente dou-me conta
(e não mo explico e espanto-me)
desta coisa estranha que é viver,
e faço-me perguntas que cortam
e o que sou concentra-se num ponto
e a única coisa que sinto é que eu
- a voz que vive em mim e que me diz
isto e aquilo sem palavras -
também serei menos um. Em breve.
Que tudo o que penso agora,
o que pensei e chegarei a pensar
há muito que não é nada.

Juan Miguel López

Poesia espanhola, anos 90
Organização e tradução de Joaquim Manuel Magalhães
Relógio d´água


ps: "Quando não podemos mais mudar uma situação é porque estamos sendo desafiados a mudar a nós mesmos!"

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Uma Trilogia Literária Infantil! Parte III



Concluindo esta trilogia de nostalgia literária infantil, compartilho com vocês esta montagem de meu terceiro livro.
As Mais Belas Histórias - Lúcia Monteiro Casasanta - Anos 50.
Quanta saudade!

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Uma Trilogia Literária Infantil! Parte II



Em continuidade ao post anterior, hoje é o dia do meu segundo livro - O Bonequinho Doce também de Alaíde Lisboa - Ano de 1956.
Quanta saudade.
Compartilho com vocês esta montagem do exemplar original.
Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Uma Trilogia Literária Infantil! Parte I



Durante um jantar com amigos, estávamos a prosear sobre educação infantil e a relembrar os velhos tempos e compará-los com a modernidade.
Não deu outra. 
Fui vasculhar na internet sobre minhas memórias e encontrei esta preciosidade. 
Meu primeiro livro - A Bonequinha Preta de Alaíde Lisboa - Ano de 1956. 
Quanta saudade! 
Compartilho com vocês esta montagem do exemplar original.
Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Esqueça, não vou me apaixonar!




Não vou me apaixonar por você, simples assim. 

E nenhum efeito vão me causar estes seus olhos amedrontados, os meios sorrisos fugidios e nem mesmo a maneira como você tenta se explicar de qualquer que seja a situação que meu olhar incisivo condena. Esqueça, não vou cair nas armadilhas de seus atos perniciosos que visam me agradar e, enfim, me capturar. Não serei seu par para mais uma dança, e nem adianta tentar me convencer mostrando as músicas de sua predileção e buscando nelas a trilha sonora em comum. Quem sabe entre elas esteja a nossa música? Não, não vou me entregar. Amigos, apertos de mãos e talvez algumas envergonhadas trocas de olhares, só isso e nada, mas nada mais mesmo. E a gente brigando, e rindo, fingindo que nos odiaríamos para todo o sempre e as mãos e faces rígidas – arianas – se desmanchando em sorrisos bobos e caretas inocentes. É, tenho de confessar, é bom estar com você, para você.

Eis que segue o fluxo cotidiano, e a certeza de que não vou me apaixonar, não posso e também não quero.

Apaixonar-se para quê? Não insista, desista de me seduzir assim de viés. Mas houve aquele beijo, as suas mãos firmes e o gosto acre na minha boca, afinal não era nela que você bebia. Perdi o chão, senti-me inadequado, um completo imbecil. Diante da realidade não me restou nenhum lapso de dignidade ou autocontrole, sem pensar fugi.

Ainda bem que não vou me apaixonar, mesmo doendo e me fazendo entristecer, além desta sensação de “por quê?” aqui em mim sei que vou melhor assim sem querer você comigo.

Giuliano Nascimento

ps: e o tempo passa. Dia 26 próximo, Bratz&Elian completam 44 anos de relacionamento.

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Mais um infeliz !




Ele morava na rua de Saint Sulpice. Mas deixou a casa.
"Perto demais do Sena, disse ele, e um passo em falso dá-se num repente".
Foi-se embora.
Pouca gente pensa no facto de a água existir;
água profunda, e por toda a parte. 
Os rios dos Alpes não são tão profundos, 
mas são extremamente rápidos (o que vem dar ao mesmo). 
A água é sempre a mais forte, 
seja lá qual for a maneira como se apresente. 
E como se encontra por todos lados, em quase todas as estradas… 
bem pode haver pontes e mais pontes - basta faltar uma 
e a pessoa afoga-se, tão certo como antes de haver pontes. 
"Tome Hemostil, dizia o médico, 
isso é do sangue." 
"Tome Antastene, dizia o médico, 
isso é dos nervos."
"Tome bals dizia o médico, 
isso é da bexiga."
Oh! a água, 
toda essa água pelo mundo fora! 

Henri Michaux 

Bratz Elian 
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Meu mamilo esquerdo dói!




Puxões de cabelo, mordidas, contato físico violento, arranhões e afins; sexo às vezes deixa marcas, desconforto muscular e um pouco de dor.

Tentando evitar a lascívia, não comentarei as aventuras de uma noite com uma pegada mais forte; todavia meu mamilo dói e me faz lembrar a última transa - só mais uma transa!

Mas as pequenas dores do “Day After” não são nada comparadas a uma dose de ressaca moral, odeio o tipo “arrependido”, mas também não concordo com a máxima de que só nos arrependemos daquilo que não fizemos.

A questão é simples, desde a pré-trepada eu já sabia que não tínhamos nada em comum e o resultado seria no máximo medíocre, na acepção de mediano mesmo.

Foi prazeroso e intenso, mas algum mecanismo pessoal me deixou com a sensação de ter feito algo errado, de inadequação. Muitas vezes me fiz a pergunta: Por que fui para a cama com este cara? Mas racionalizando eu pergunto: E por que não?

Vai entender esta minha cabecinha e seus tantos becos escuros, tortuosos e até mesmo íngremes.

Sinto-me como se tivesse traído alguém, mas quem?
Penso no amor, se ele está aos gritos batendo à porta e eu fingindo não o ouvir; negando e evitando o inevitável.
Medo de adentrar nas águas de um novo amor e, de novo, me afogar sem uma mão que me resgate ou mesmo um suicida para junto submergirmos nos sentimentos, tantos sentimentos, muitas vezes sem sentido.
Quero certezas, acertar o tempo do amor “sem me precipitar e nem perder a hora”, Ana Carolina ai ai ai ...
Confusão absurda, mas concluo que sexo é sexo, amor é amor, e sexo é para todo mundo, já o amor, o amor é para poucos.
E para tentar colocar ordem nestas linhas, já que na minha vida pessoal não consigo, é inevitável eu afirmar que não apenas a superfície do meu peito dói, algo dentro sofre e incomoda. Há sim um vazio a ser preenchido.


Bratz Ellian
enfim! é o que tem pra hoje ...

domingo, 5 de agosto de 2018

Bem no Fundo!



No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela - silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

Paulo Leminski


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Decepções e um pouco de cafajestagem!





Decepções e um pouco de cafajestagem
Atravessando uma fase de atropelamentos amorosos. Estou cafona - digno de novela mexicana mal dublada - e as perturbações emocionais são diversas, eis o cardápio: Encontro apaixonado com um ex (atualmente casado), “amizade” com esposa de um objeto do meu desejo, pseudo-casamento-relâmpago de amiga (a mais vagabunda e dissoluta), e o único ser capaz de me fazer acreditar no amor anuncia que voltou com a ex-mulher. 
A fim de superar o desastre da minha vida emocional, e esquecer os recentes acontecimentos, não me fiz de desentendido e, enfim, decidi “dar um confere” em um desses homens que sempre se mostram disponíveis. O sexo pelo sexo pode até não preencher suas lacunas emocionas, porém relaxa, desestressa e ajuda a melhorar a autoestima. Já que não existia a menor chance de uma segunda intenção, além de sexo-adulto-sem-compromisso-e-nada-de-ligar-no-dia-seguinte, as coisas foram facilitadas. Diante da vítima eu cometi o crime, e lembrei da máxima popular que afirma que o crime não compensa, pois esse não compensou! Parece exagero, mas o infeliz é muito ruim de cama, descrevo:
Mãos - São fundamentais, mas a criatura não sabia o que fazer com as suas, mesmo eu conduzindo pelos caminhos a percorrer (nota 01, ao menos tentou).
Beijo - A língua não era habilidosa e a boca ficava aberta demais, o melhor é esquecer (nota 03, muito me incomodava).
Layout - Um tipo comum: tatuagem com nome de filho, tamanho compacto, tom de pele inspirador, corrente de prata no pescoço. (nota 05, não o apontaria no meio da rua).
Verbal Ao menos não era “mudo”, mas o repertório era fraco e a voz baixa e sem personalidade. (nota 03, não falou nenhum palavrão).
Movimentação Melhor não me aprofundar, igual a ele. (nota 04, ir e vir todo mundo sabe).
Calibre Abaixo da média nacional, grande glande, curto e não tão grosso – que cafajeste estou! (nota 05, razoável).
Aroma Melhor quesito, sem perfume artificial e com cheiro característico de homem. (nota 06, a salvação).
Resultado final, nota 04. No máximo vou cumprimentá-lo quando o ver de novo. E agora, não bastassem os fracassos emocionas, tenho a obrigação de sexualmente me “dar” bem, pelo menos minha vida sexual tem de ser satisfatória já que a emocional ...


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Uma crise!




Meu corpo parece insuficiente para me caber e, de novo, sinto que estou perdido em uma estrada escura e desconhecida às vésperas de ser atropelado por uma manada de cavalos selvagens, cavalgados por demônios - os meus.
Tudo é falta, nada satisfaz. Há só ausência, tanta.
O medo sorri para mim, com sua boca sem dentes e malcheirosa. Onde está você? A promessa de felicidade que sua mão deixou aqui, onde está? 
Quero quebrar as correntes, correr nu, apostar todas as fichas, oferecer a outra face, ser apontado na rua, digno de pena ou inveja. 
O preço é alto, o passo irreversível, mas meu corpo pede o seu, e preciso me reencontrar nos seus olhos que fizeram eu me perder de mim. Hoje vivo me escondendo do mundo, à procura do que fui e aterrorizado por perceber no horizonte à frente eu transformado em uma sombra pálida – o aborto de nós dois. Tão pouco o tempo que passamos juntos, mas é como se fossemos dois velhos à espera do abraço da morte que deixará um de nós só. Até quando? Inevitável o reencontro. 
Que venha o arrependimento - estou pronto - vou sem freio ao seu encontro disposto a te dizer: “Você me faz bem, e sou seu até quando eu caber em você, e não sobrar.” 
De braços abertos ou cabeça baixa, é sua a resposta e minha a expectativa.


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

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