sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Rua dos Ramalhetes




As flores são o seu maior temor. Não importa se flores naturais ou artificiais como sua vida ao avesso. Uma simples gravura de uma desbotada flor qualquer lhe desperta o mais profundo sentimento de tristeza. Vive recluso, voltado para o escuro do tempo, chorando, se violentando. Sangrava suas mágoas em silêncio. Toda a noite coloca em seu Gradiente um LP de Edith Piaf. Fica ali parado sem razão, desejos, esquecido para o mundo. Quarta-feira de cinzas, sua ruazinha dorme o silêncio da alegria. O carnaval se foi na balada melancólica dos seus olhos aflitos. Nesta cinzenta tarde algo aconteceu. Decidiu não mais viver no submundo de si mesmo. Ligou para a floricultura, pediu todas as flores amarelas. As flores amarelas eram as que mais o apavorava. Decidiu entregar-se ao que mais lhe apavorava. Flores em casa, lágrimas, calafrios, tremores. Amanheceu. Corpo nu ao redor: flores na boca. Nas mãos cerradas, flores. Havia uma paz na cidade. Piaf: morta... Rua calma, arcoíris...

Ao longe uma criança canta:

“o anel que tu me deste era vidro e se quebrou 
o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou.”

Edney Santana . Mais uma Dose 

Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O Tradutor



Chegou a casa, vindo de uma interminável rua e de uma infinita tarde. Junto a uma janela, o computador nos joelhos, o pescoço dobrado, as costas doridas, as mãos a enclavinharem-se, a teimosia do dever. A seu lado, num braço de sofá, folhas soltas de um livro desmembrado. Palavra a palavra, revendo frases, articulava um sentido, tentava descobrir uma significação. Por vezes o incompreensível ocupava o seu lugar, desfazendo-lhe a laboriosa construção. Matraqueando teclas, folheando dicionários, hesitando em gramáticas. Por vezes dormitava na ânsia de dormir. Eis o tradutor. 
Chegara a casa vindo de profunda desolação. Uma fímbria de frio surgiu-lhe pelas frinchas da janela que era da vida o modo de a viver. Cada vez mais páginas pareciam amontoar-se por traduzir, cada vez mais o mundo lhe parecia intraduzível. 
Houve uma manhã em que se entendeu finalmente com a língua estrangeira. Cegara e o mundo escrito tornou-se por igual incompreensível. 


Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Do Primeiro ao Último Trago


Politicamente correto que nada, dou de ombro com as regras da geração saúde. O que eu quero mesmo é acender mais um cigarro.
Sou o típico viciado,  isso porque o ato de fumar é prazeroso, deliciosamente bom.
É até meio suicida eu sei, mas sentir a fumaça invadir o corpo junto com a sensação de alívio (não sei bem do quê) é um prazer a se permitir. Tudo bem que algumas vezes (muitas) o cigarro serve como muleta, na qual eu me apóio em momentos de estresse, fome, desilusão, raiva e principalmente decepções sentimentais.
Curioso, há tempos percebi que minhas recaídas às tragadas geralmente têm como protagonista algum homem. A figura masculina fumando é - na maioria das vezes - extremamente sensual, e eles tragam com uma vontade ímpar; basta olhar alguns caras fumando e minha boca saliva de vontade, e nesse idílio de voyeur perco o controle e acendo “só unzinho” que às vezes é o primeiro de uma sequência.
Vou do primeiro ao mais recente cigarro por eu acesso em um breve relato, com cheiro de tabaco:
O primeiro cigarro a gente nunca esquece, e no meu caso aprendi as técnicas de fumar a fim de provar para um “meu” homem que sim conseguiria aprender a dar uns traguinhos. Ele, maldoso que era, a me ver brincando com um cigarro me disse: “Você nunca vai conseguir tragar, nem adianta tentar”. E claro que a partir dessa sua colocação eu engasguei muito tentando (às escondidas) aprender a fumar, e aprendi. Todo orgulhoso e pretensioso fumei na frente dele (para seu desespero) e não parei por um período considerável.
O último a ser acesso é conseqüência de ter dividido, de brincadeira, um cigarro inocente com um homem que mesmo sem ainda saber eu estava apaixonado. O cigarro nos ligava, e o sabor da nicotina transpassada pelo ar que ele aspirava era delicioso de se ver, muitos foram os cigarros fumados juntos, divididos.
Quando ele não estava por perto acendia um, só para matar a saudade e sentir o vazio que ele deixava ser preenchido pela fumaça quente e espessa do cigarro – nosso elo. E por isso voltei a fumar, para surpresa de muitos, uns poucos cigarros diários (mais noturnos) como o que agora vou acender e fumar pensando em alguém que vale menos que o cigarro apagado, jogado ao chão e pisado casualmente.


Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Não mais que quatro gemidos


Da série 'Circus Christi', do fotógrafo espanhol Fernando Bayona

Percepção de tempo é muito relativa, alguns minutos podem ser quase nada ou longuíssimos (até mesmo definitivos), mas há alguns padrões mínimos exigidos/esperados quando o tempo corrente é preenchido com sexo – sim eu também faço isso, menos do que pensam meus leitores e bem mais do que imagina minha avó.
Um perdido, numa noite perdida, encontra-se entre uma encruzilhada, são dois os corpos expostos no açougue da ordinária madrugada. 
Ele hesita, olha, dedilha seu aparelho celular, esboça falar e ziguezagueia por entre ruas. Praticidade - e os corpos, antes expostos em conjunto, agora seguem caminhos distintos e jogam o peso da decisão para o errante explicitamente indeciso.
Alguns passos, outras ruas e a tão recorrente paradinha estratégica. Olho de soslaio e entre os dentes um tímido: – “Chega aí!”, apenas aceno a cabeça e o faço virar a esquina atrás de mim. 
O cumprimento com firmeza: - “E aí, beleza?”, e em resposta outra pergunta: - “A fim de pagar um boquete?”. Encaro o objeto da aventura sexual sem compromisso, e afirmo com um casual: - “Demorou”.
Homem jogado em cima da cama, membro em riste e um meio sorriso no seu rosto, enfim...
Nem sequer 2 minutos e meio depois já estava finalizado o ato, desejo (dele) saciado entre lábios e língua. O tempo exato de umas quatro gemidas, e seu gemido baixo, contido, era excitante – mas não o suficiente.
Um tchau sem compromisso e protocolar, ele ainda olha para trás e vai. Tranco a porta, e o primeiro pensamento que me vem à tona é o de que se eu fosse uma prostituta aquele seria o melhor programa da noite, sem tensão alguma e o dinheiro da carteira dele ao meu bolso em no máximo três minutos – o tempo de preparo de um miojo. O não-sexo me obriga a saciar ao menos a fome cotidiana do fim das madrugadas. A cozinha desarrumada me espera e é onde encontrarei algo para matar a fome, mas infelizmente lá não há nenhum macarrão instantâneo que seja rápido e prático assim como meu mais recente parceiro. Até o lanchinho da madrugada demora mais que ele.


Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Carta de um Gaúcho ao Banco


Consta que o presente fato é verídico. Engraçado ele é e aconteceu com um bom gaúcho de nome Juvêncio Dinarte. 
A carta foi adquirida junto às correspondências históricas da AGRUPA de Tupanciretã/RS .

Passo Fundo (RS), 10 de abril de 1978. 

Senhor Gerente do Banco Banrisul S/A 

Nesta Cidade. 

Prezado Senhor: 

Acabo de receber uma carta sua, em relação à conta que lhes devo, a qual me dizem que estranham que a mesma não tenha sido paga em seu devido tempo; também anunciam que se não for paga dentro de um prazo prudencial, poderiam causar-me sérias dificuldades. 
Em contestação, lhes direi o seguinte: 
No ano de l927, eu comprei a crédito uma serraria. Em 1928, adquiri a prazo uma junta de bois com carreta, uma escopeta e um litreiro para vinhos. Também um revólver marca Colt, tudo pelo maldito plano de pagamento a prazo. Em 1929, a serraria pegou fogo e não ficou uma puta viga em pé. Um dos bois morreu e o outro emprestei para um filho-da-puta, que deixou morrer de fome. Em 1930, meu pai morreu e meu irmão foi enforcado por um ladrão de cavalos. Um ferroviário violou minha filha e tive que 
pagar 85 mangos para evitar que o bastardo fizesse parte de minha família. 
Em 1932, um dos meus filhos pegou caxumba e recolheu para os testículos e o médico teve que capá-lo para salvar-lhe a vida. Passados uns meses, saí para uma pescaria; virou o caiaque e perdi o dourado mais lindo e mais grande que eu já tinha visto em minha vida, além de afogarem-se dois dos meus filhos (nenhum dos quais era o capado). Em 1935, minha mulher fugiu com um moreno gordo que costumava rondar os arredores de minha casa, porém antes de se irem, deixaram um par de guampas de recuerdo. Nessa situação, me casei com a empregada para reduzir os custos. 
Como foi muito difícil levá-la para a cama, consultei um especialista que me indicou que ela necessitava de emoções violentas. Porém, quando chegou o momento propício, tomei a escopeta e disparei um tiro pela janela; minha mulher, que estava excitada na cama, cagou-se toda sujando a única colcha que nós tínhamos. E eu adquiri 
uma hérnia com o coice da arma e, ao mesmo tempo, com o disparo, matei a melhor vaca que tinha e que era a única que me dava leite. Em 1941, me larguei na bebida. Não parei até que somente me restasse um relógio no bolso e uma enorme dor nos rins. Por algum tempo, a única coisa que eu fazia era dar corda no 
relógio, olhar a hora e correr para mijar. No ano seguinte, decidi tentar novamente a sorte. Portanto, adquiri uma Hatsuta, uma enfardadeira, uma colheitadeira, 
também pelo maldito plano de pagamento a prazo. Então, veio um ciclone que levou tudo para o caralho. A minha mulher pegou uma tremenda gripe; meu filho limpou 
o cu com uma espiga de milho que eu havia preparado com veneno para os ratos e um filho-da-puta castrou o melhor touro que eu possuía. 
Neste momento, se cagar custasse um níquel, eu teria que vomitar merda. E é assim que recebo a ameaça dos senhores, dizendo que podem me causar sérias dificuldades. 
Olhem senhores, querer cobrar-me agora, seria igual que tentar introduzir um quarto de quilo de manteiga no cu de um javali furioso, com cravador quente, de sapateiro. 
Porém, de qualquer maneira, podem tentar, se os senhores, quiserem.

Atenciosamente,

Juvêncio Dinarte

Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

domingo, 24 de outubro de 2010

Release da Semana


Dr. Saulo 
Pode demorar para carregar mas vale a pena. Genial. 


Quer ver o meu? Clique Aqui.


Quer brincar também? Clique Aqui.


Kazaki 

Kazaky é uma boy band, eu diria que está mais pra gay band, mas enfim ...


Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Epopéia



O poeta mostra o pinto para o namorado
e proclama: eis o reino animal!
Pupilas fascinadas fazem jejum
adaptado de Cacaso


Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O Gatão!



O GATO é um animal doméstico e de estimação, mas com características de predador. De personalidade independente, tornou-se um animal de companhia em diversos lares ao redor do mundo, para pessoas dos mais variados estilos de vida. Na cultura humana, figura da mitologia às superstições, passando por personagens de desenhos animados, filmes e contos de fadas. Entre suas mais conhecidas representações, estão o gato Tom, Frajola. Félix, de Botas, Garfield e, mais recentemente AD. Os gatos, são caçadores e, biologicamente são classificados como animais carnívoros. Apesar da fisiologia do gato ser essencialmente orientada para o consumo de carne, é comum que os gatos complementem a sua dieta carnívora com a ingestão de pequenas quantidades de ervas, folhas ou outros elementos de origem vegetal. Quanto ao temperamento os gatos tendem a ser mais ativos, mas também podem ser mais passivos, dependendo das circunstâncias. Entretanto, a maioria dos gatos partilha um mesmo comportamento: são extremamente curiosos. Não é por acaso que existe um dito popular que diz "A curiosidade matou o gato”. O gato no estado selvagem é um animal muito social, chegando a estabelecer colônias mais ou menos hierarquizadas. Mesmo quando domesticados, tendem a marcar o seu território com urina. Os gatos são capazes de sentir emoções. Podem sofrer diversos distúrbios psicológicos, tais como estresse e depressão. Quando estressados, tendem a ter um comportamento neurótico. Esses animais costumam trepar com muita freqüência mas, normalmente, o seu parceiro tenta resistir ao máximo à cópula. Com sua habilidade, ele conseguirá imobilizá-lo. Até conseguir isso, é comum que os dois soltem miados altos, diferentes do miado usual. A penetração é dolorosa. O comportamento dos gatos depende de cada indivíduo, do momento, do dia e até mesmo das condições climáticas. Enquanto um felino pode ser muito sociável, o outro pode ser completamente arisco. Alguns gatos ficam agitados e avessos ao contato com humanos à noite. Ainda é possível observar que alguns desses animais ficam agitados quando uma tempestade está por vir, outros adotam uma posição defensiva, em que ficam deitados com as patas recolhidas, aguardando o início da chuva. Devido a variações constantes em seu humor, é possível dizer que, na maioria das vezes, o temperamento de um gato é imprevisível. Em algumas ocasiões, um gato pode apresentar variações de energia, ficando algumas vezes mais calmos, em outras, mais agitados. Os gatos são animais muito higiênicos, sendo que passam muitas horas por dia cuidando de sua limpeza. Para isso, utilizam a superfície de suas línguas. Outro aspecto característico da higiene desses felinos é o fato dele enterrar a sua urina e fezes, evitando assim que o cheiro denuncie sua presença a uma possível presa ou predador. O miado é o som típico que caracteriza o gato e pode ser transcrito como "miau". 

Os amigos leitores devem estar se perguntando o porque do Bratz estar aqui dissertando sobre gatos. Eu explico: 

O querido AD que, de maneira carinhosa e gentil, acolheu-me em terras cajuenses, assim se define: 

EU SOU UM GATÃO!” 

Isto é tão forte em sua personalidade que, por diversas vezes o surpreendi nu, sensualizando em frente ao espelho [que conforme bem lembrou o amigo Caju, ocupa uma parede inteira de seu quarto] e falando para si mesmo: 

“Cara! Voce é demais. Voce é 10! Voce é perfeito. 

Hoje voce não escapa ... vou te comer todinho cara ... em prosa e verso!” 

Pode uma coisa desta? 

É isto meus queridos! Assim é o AD. O GATÂO de Blogsville.

Paulo Braccini 
enfim! é o que tem pra hoje...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

ADorei Aracaju


As boas coisas da vida são aquelas que, ao final, sempre nos deixam aquele sabor de quero mais. Minha viagem, com a marida, a Aracaju se constituiu em um destes momentos. 
A cidade: Qualquer adjetivo que eu possa utilizar para descrevê-la não retratará a realidade. Aracaju é simplesmente linda pela própria natureza e, em tudo aquilo que o homem interviu, foi para melhor. Um clima quente mas sempre amenizado por uma brisa constante e reconfortante; paisagens deslumbrantes; culinária diversificada e saborosíssima, cultura e folclore riquíssimos.
O povo: Agradabilíssimo, simpático, atencioso, alegre, bonito e, o que mais chamou a minha atenção: para aqueles que, como eu, são podólatras, são detentores dos pés mais lindos que já vi. Não é um aqui e outro acolá, são todos mesmo, uma coisa inacreditável. Bonitos e extremamente bem cuidados. Isto me causou alguns embaraços e me fez correr alguns riscos de acidentes, pois o Bratz só andava na rua de cabeça baixa admirando tantas formosuras e, claro, em estado de tesão permanente.
O amigo AD: AD é simplesmente "o cara". Amigo, inteligente, crítico, sarcástico, sagaz, espirituoso, alegre, companheiro e mais disponível impossível. Quem ainda não o conhece clique aqui e visite o seu blog e, se quiser conhecê-lo um pouco mais clique aqui e veja a entrevista, realizada pelo Blogueiro Yag, com ele. 
Sou uma pessoa que, quando viajo para qualquer lugar, leva alguns dias para conseguir retomar o rítmo normal de vida e, desta vez, tudo está mais difícil. Mas enfim, este post é, tão somente, para registrar meu mais completo encantamento com esta vivência de nove dias lá pelas bandas de Aracaju e para agradecer ao amigo AD pela sua inigualável amizade e carinho.
Meu carinho, super especial também, para com o Diógenes [Caju do Blog Cesto de Caju] que, apesar de todos os seus afazeres profissionais, tivemos a grata satisfação de conhecer e conviver um pouco, e ao Pedro Abelardo que nos acompanhou no passeio a Xingó.



Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Em Minas é assim "mermo"!









- Hummm...
- Eca!!! 
- Eca?! Quem falou Eca? 
- Fui eu, sô! O senhor num acha que esse vinho tá com um gostim estranho? 
- Que é isso?! Ele lembra frutas secas adamascadas, com leve toque de trufas brancas, revelando um retrogosto persistente, mas sutil, que enevoa as papilas de lembranças tropicais atávicas...
- Putaquepariu sô! E o senhor cheirou isso tudo aí no copo ?! 
- Claro! Sou um enólogo laureado. E o senhor? 
- Cebesta, eu não! Sou isso não senhor !! Mas que isso aqui tá me cheirando iguarzinho à minha egüinha Gertrudes depois da chuva, lá isso tá! 
- Ai, que heresia! Valei-me São Mouton Rothschild! 
- O senhor me desculpe, mas eu vi o senhor sacudindo o copo e enfiando o narigão lá dentro. O senhor tá gripado, é ? 
- Não, meu amigo, são técnicas internacionais de degustação entende? Caso queira, posso ser seu mestre na arte enológica. O senhor aprenderá como segurar a garrafa, sacar a rolha, escolher a taça, deitar o vinho e, então... 
- E intão moiá o biscoito, né? Tô fora, seu frutinha adamascada! 
- O querido não entendeu. O que eu quero é introduzi-lo no... 
- Mais num vai introduzi mais é nunca! Desafasta, coisa ruim! 
- Calma! O senhor precisa conhecer nosso grupo de degustação. Hoje, por exemplo, vamos apreciar uns franceses jovens... 
- Hã-hã... Eu sabia que tinha francês nessa história lazarenta... 
- O senhor poderia começar com um Beaujolais! 
- Num beijo lê, nem beijo lá! Eu sô é home, safardana! 
- Então, que tal um mais encorpado? 
- Óia lá, ocê tá brincano com fogo... 
- Ou, então, um suave fresco! 
- Seu moço, tome tento, que a minha mão já tá coçando de vontade de meter um tapa na sua cara desavergonhada! 
- Já sei: iniciemos com um brut, curto e duro. O senhor vai gostar! 
- Num vô não, fio de um cão! Mas num vô, memo! Num é questão de tamanho e firmeza, não, seu fióte de brabuleta. Meu negócio é outro, qui inté rima com brabuleta... 
- Então, vejamos, que tal um aveludado e escorregadio? 
- E que tal a mão no pédovido, hein, seu fióte de Belzebu? 
- Pra que esse nervosismo todo? Já sei, o senhor prefere um duro e macio, acertei? 
- Eu é qui vô acertá um tapão nas suas venta, cão sarnento! Engulidô de rôia! 
- Mole e redondo, com bouquet forte? 
- Agora, ocê pulô o corguim! E é um... e é dois... e é "treis"! Num corre, não, fiodaputa! Vorta aqu i que eu te arrebento, sua bicha fedorenta!...

Luiz Fernando Veríssimo

contribuição via e-mail . obrigado Júlio

Paulo Braccini
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Um enorme!

kkkkkk ...


clique na imagem para visualizar melhor

Amanhã estou de volta às atividades normais aqui no blog ... chego de Aracaju hoje ...

Paulo Braccini
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Revival #04





Esta noite sonhei, sonhei com um passado distante. Acordei com uma canção na cabeça. 
Levantei com o play ligado  ...

Is It Okay If I Call You Mine . Paul McCrane



Paulo Braccini
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Revival #03



Esta noite sonhei, sonhei com um passado distante. Acordei com uma canção na cabeça. 
Levantei com o play ligado  ...

 

Neil Diamond . Sweet Caroline



Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Revival #02



Esta noite sonhei, sonhei com um passado distante. 
Acordei com uma canção na cabeça. 
Levantei  com o play ligado.







James Taylor . You’ve a Got a Friend



Paulo Braccini
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domingo, 10 de outubro de 2010

Release da Semana


Dedico de modo especial ao AD, que espero esteja me recebendo bem em AJU ... rs


Uma homenagem ao amigo Fox do Blog Estórias do Mundo.



Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Aracaju estou chegando


Pois então! Estou aqui a preparar minha mala para um deliciosa semana em Aracaju. De há muito sonhava conhecer aquelas terras e, finalmente este sonho se concretizará. Claro que agora com dois novos ingredientes que apimentarão ainda mais ... AD e Diógenes dois amigos blogueiros que por lá residem. Morram de inveja, mas fazer que? Tenho condições neahn? Sou "phina" beim! Na medida do possível estarei postando diretamente das terras do Caju todas as minhas aventuras por lá. [as publicáveis é claro].
Portanto ... au revoir minhasamigããããs ... volto dia 19, mas, por via das dúvidas, deixo programado algumas coisinha bobas para entretê-los e para que eu não seja esquecido por voces ... rs
Bjux e sintam saudades viu?

Sound Track para a viagem


Bratz "vai botar as moças donzelas [AD e Caju] pra cantar Muié Rendeira 
e mostrar como se dança o baião e o xaxado"!


Um passarinho me contou que o AD será um excelente AMIGO nesta temporada. 
Já providenciou fíníssimos lençóis de algodão [200 fios], 
velas aromáticas e ainda disponibilizou sobre o criado 
o seu caderninho particular de amigos.

Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Decifrando-me


"Quando eu penso que estou começando a me entender, começando a responder as perguntas que buzinam em meu pensamento, e esquecer as tristezas que permanecemm em meu coração.
Descubro que há mais mil coisas sobre mim que não sei, mil perguntas que não decifrei, e mil coisas que não esqueci e que virão que nunca irei esquecer... Por este motivo não espero que, me entendam sempre."

Luana Ferraz

Paulo Braccini
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Confessionário


 Um jovem vai confessar-se na igreja:
- Padre, eu peguei no pau do meu namorado.
- Você pegou por fora ou por dentro da calça dele?
- Foi por fora da calça dele, padre.
- Mas tu és muito do babaca! Por dentro da calça, a penitência é a mesma!!!


Paulo Braccini
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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Cu Doce!


No meio de uma viagem, o comissário de bordo pergunta a um passageiro da 1ª classe:
- O senhor aceita um docinho? 
- Muito obrigado, eu sou diabético. 
- Que tal um suco de laranja? 
- Não, laranja tem açúcar e eu sou diabético. 
Depois de ter oferecido tudo e ele nada aceitar, ele avacalha:
- E o que o senhor acha de uma pinga? 
Ele, sacando que ele estava curtindo com sua cara, respondeu:
- Não, pinga vem da cana, cana tem açúcar e eu sou diabético. 
- Sendo assim, de que forma eu poderia atende-lo para o senhor sair satisfeito de nosso vôo? 
Ele se ergue e fala no ouvido dele:
- Eu quero seu rabo. 
Ele, com a maior cara de espanto, responde:
- Mas o senhor é um velho muito atrevido, safado, vou contar ao comandante e ele tomará uma atitude! 
Ele foi na cabine de comando e reclamou:
- Comandante, aquele senhor da poltrona 2 disse que queria meu rabo! E eu fui gentil com ele, ofereci-lhe tudo que havia para comer. E agora, o que faremos com aquele filho da puta? 
- Bom, eu sugiro que você volte lá e dê seu rabo, afinal ele é o presidente desta companhia, é genioso e nosso emprego está em, suas mãos, ou, melhor dizendo, no seu rabo. 
E tanto o comandante como o co-piloto gritaram:
- Confiamos em você! 
Ele voltou cabisbaixa e disse para o velho:
- Senhor, vamos lá pro fundo do avião que eu lhe darei o que me pediu. 
E ele respondeu-lhe:
- Agora eu não quero mais. 
- Como? Eu faço questão de dar… 
- Agora é tarde. Você fez cu doce e eu sou diabético.

Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

domingo, 3 de outubro de 2010

Release da Semana


Semana passada não foi possível publicar o Release da Semana,
em função do post especial de Bodas.
No problem!
Hoje temos o Release em dose dupla.

Vi no Blog Queer Consumo do amigo Alexandre
Telephone


Um grupo de turistas franceses reproduziram o vídeo clip Telephone de Lady Gaga e Beyonce
durantes as fé nas ilhas gregas.
É a segunda vez que este grupo sai de férias e encontraram na ocasião
uma maneira bem divertida de comemorar.


Vi no Blog Não Enche que já Tou Cheia da amiga Pimenta.

Sem Mais Palavras

Vi no Blog ADpontocom do Amigo AD Junior
Warming













GEL QUENTE?!?!?!?!?! Gel quente é a PORRA!!!! NINGUÉM MERECE GEL QUENTE NO CU!!!!!!!!(cara de desolado).
Ao ouvir o carinha, ficou sem reação. Nem sabia mais o que fazer. Pega o primeiro pano que vê a sua frente - não, não era sua camisa, era a camisa do rapaz - e passa naquele bolo melecado. E, mesmo nervoso, ainda conseguiu manter o mastro rígido, mas o olho do guri já tinha perdido a fome.
Depois desse dia, aprendeu que gel quente no cu dos outros não é refresco.

Vi no Blog Vida Coletiva do amigo Mélker Rúbio
Sapateado nunca mais ...


e ganhei dele este Selo . Qualidade Incontestável . Obrigado Mélker.




Vi no Blog Lambe Lambe do Rodrigo Teixeira.
Trouble


Mais do que uma mensagem subliminar,
a tatuagem que cobre sua parte superior das costas de Joe,
19 anos, soa como um aviso: esse menino é um perigo


Alguém duvida?



Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

sábado, 2 de outubro de 2010

Lobby cristão e casamento gay


As igrejas gostariam de uma sociedade em que seja crime tudo o que, para elas, é pecado.

Em Maio passado, durante uma visita ao santuário de Fátima, o papa Bento 16 declarou que o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo estão entre os mais "insidiosos e perigosos desafios ao bem comum".
Atualmente, quase todas as igrejas cristãs (curiosamente alinhadas com as posições do papa) negociam seu apoio aos candidatos à presidência cobrando posições contra a descriminalização do aborto e contra o casamento gay.
Em 2000, segundo o censo, havia, no Brasil, 125 milhões de católicos, 26 milhões de evangélicos e 12 milhões de sem religião. É lógico que os principais candidatos inventem jeitos de ficar, quanto mais possível, em cima do muro -tentando satisfazer o lobby cristão, mas sem alienar totalmente as simpatias de laicos, agnósticos e livres pensadores (minoritários, mas bastante presentes entre os formadores de opinião).
Adoraria que as campanhas eleitorais fossem mais corajosas, menos preocupadas em não contrariar quem pensa diferente do candidato. Adoraria também que soubéssemos votar sem exigir que nosso candidato pense exatamente como nós. Mas não é esse meu tema de hoje.
Voltemos à declaração do papa, que junta aborto e casamento gay numa mesma condenação e, claro, tenta pressionar os poderes públicos, mundo afora. Para ele, o que é pecado para a igreja deve ser também crime para o Estado.
No fundo, com poucas exceções, as igrejas almejam um Estado confessional, ou seja, querem que o Estado seja regido por leis conformes às normas da religião que elas professam. De novo, as igrejas gostariam de uma sociedade em que seja crime tudo o que, para elas, é pecado: o sonho escondido de qualquer Roma é Teerã ou a Cabul do Talibã.
Há práticas sexuais que você julga escandalosas? Está difícil reprimir sua própria conduta? Nenhum problema, a polícia dos costumes vigiará para que ninguém se dedique ao sexo oral, ao sexo anal ou a transar com camisinha.
Para se defender contra esse pesadelo (que, ele sim, é um "insidioso e perigoso desafio ao bem comum"), em princípio, o Estado laico evita conceber e promulgar leis só porque elas satisfariam os preceitos de uma confissão qualquer. As leis do Estado laico tentam valer por sua racionalidade própria, sem a ajuda de deus algum e de igreja alguma.
Por exemplo, é proibido roubar e matar, mas essa proibição não é justificada pelo fato de que essas condutas são estigmatizadas nas tábuas dos dez mandamentos bíblicos. Para proibir furtos e assassinatos, não é preciso recorrer a Deus, basta notar que esses atos limitam brutalmente a liberdade do outro (o assaltado ou o assassinado).
Agora, imaginemos que você se oponha ao casamento gay invocando a santidade do matrimônio. Se você acha que o casamento é um sacramento divino que só pode ser selado entre um homem e uma mulher, você tem sorte, pois vive numa democracia laica e sua liberdade é total: você poderá não se casar nunca com uma pessoa do mesmo sexo. Ou seja, você poderá manter quanto quiser a santidade e a sacramentalidade de SEU casamento.
Acha pouca coisa? Pense bem: você poderia ser cidadão de uma teocracia gay, na qual o Estado lhe imporia de casar com alguém do mesmo sexo.
Argumento bizarro? Nem tanto: quem ambiciona impor sua moral privada como legislação pública deveria sempre pensar seriamente na hipótese de a legislação pública ser moldada por uma outra moral privada, diferente da dele.
Parêntese: Se você acha que essa história de casamento gay é sem relevância, visto que a união estável já é permitida etc., leia "Histórias de Amor num País sem Lei. A Homoafetividade Vista pelos Tribunais - Casos Reais", de Sylvia Amaral (editora Scortecci).
PS. Sobre a dobradinha sugerida pela declaração do papa: talvez, para o pontífice, aborto e casamento gay sejam unidos na mesma condenação por serem ambos consequências da fraqueza da carne (que, obstinadamente, quer gozar sem se reproduzir).
Mas, numa perspectiva laica, a questão do aborto e de sua descriminalização não tem como ser resolvida pelas mesmas considerações que acabo de fazer para o casamento gay. Ou seja, não há como dizer: se você for contra, não faça, mas deixe abortar quem for a favor. Vou voltar ao assunto, apresentando alguns dilemas que talvez nos ajudem a pensar. 

Contardo Calligaris . Publicado na Folha Ilustrada


Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

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