quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Manda quem pode, obedece quem tem juízo


Adeus ao Partido dos Trabalhadores.
Ao tempo em que lutávamos para fundar o PT e apoiar o sindicalismo ainda “autêntico” pelo Brasil afora, aprendi a expressão que intitula este artigo. Era repetida a boca pequena pela peãozada, nas portas de fábricas ou em reuniões, quase clandestinas, para designar a opressão que pesava sobre eles dentro das empresas.
Tantos anos mais tarde e vejo a mesma frase estampada em um blog jornalístico como conselho aos petistas diante da decisão tomada pela Direção Nacional, sob o patrocínio de Lula e sua candidata, para impor uma chapa comum PMDB/PT nas eleições deste ano em Minas Gerais.
É com o coração partido e lágrimas nos olhos que repudio essa frase e ouso afirmar que, talvez, eu não tenha mesmo juízo, mas não me curvarei à imposição de quem quer que seja dentro daquele que foi meu partido por tantos e tantos anos. Ajudei a fundá-lo, com muito sacrifício pessoal; tive a honra de ser a sua primeira candidata ao governo de Minas Gerais em 1982. Lá se vão vinte e oito anos! Tudo era alegria, coragem, audácia para aquele amontoado de gente de todo jeito: pobres, remediados, intelectuais, trabalhadores rurais, operários, desempregados, professores, estudantes. Íamos de casa em casa tentando convencer as pessoas a se filiarem a um partido que nascia sem dono, “de baixo para cima”, dando “vez e voz” aos trabalhadores.
Nossa crença abrigava a coragem de ser inocente e proclamar nossa pureza diante da polí tica tradicional. Vendíamos estrelinhas de plástico para não receber doações empresariais. Pedíamos que todos contribuíssem espontaneamente para um partido que nascia para não devermos nada aos tubarões. Em Minas tivemos a ousadia de lançar uma mulher para candidata ao Governo e um negro, operário, como candidato ao Senado. E em Minas (antes, como talvez agora) jogava-se a partida decisiva para os rumos do País naquela época. Ali se forjava a transição pactuada, que segue sendo pacto para transição alguma.
Recordo tudo isso apenas para compartilhar as imagens que rondam minha tristeza. Não sou daqueles que pensam que, antes, éramos perfeitos. Reconheço erros e me dispus inúmeras vezes a superá-los. Isso me fez ficar no partido depois de experiências dolorosas que culminaram com a necessidade de me defender de uma absurda insinuação de falsidade ideológica, partida da língua de um aloprado que a usou, sem sucesso, como espada para me caluniar.
Pensei que ficaria no PT até meu último dia de vida. Mas não aceito fazer parte de uma farsa: participei de uma prévia para escolher um candidato petista ao governo, sem que se colocasse a hipótese de aliança com o PMDB.
Prevalece, agora, a vontade dos de cima. Trocando em miúdos, vejo que é hora de, mais uma vez, parafrasear Chico Buarque: “Eu bato o portão sem fazer alarde. Eu levo a carteira de identidade. Uma saideira, muita saudade.
E a leve impressão de que já vou tarde.

Sandra Starling, em carta de despedida do PT.

ps: Domingo é dia de votar! Reflitam ...



Vídeo produzido a partir do e-mail da comadre Drica . Thanks

Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Revival #01


Esta noite sonhei, sonhei com um passado distante. 
Acordei com uma canção na cabeça. 
Levantei com o play ligado  ...

Credence Clearwater . Have You Ever Seen The Rain 


Paulo Braccini
enfim, é o que tem pra hoje...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Virada Cultural em Aju


CINEMA EM ARACAJU
Para conseguir a aceitação do público ajuense,
os cinemas locais decidiram mudar os nomes dos filmes a serem exibidos na Virada Cultural.

DE
PARA

Uma Linda Mulher
Uma Quenga Aprumada
O Poderoso Chefão
O Coroné Arretado
O Exorcista
Arreda, Capeta!
Os Sete Samurais
Os Jagunço di Zóio Rasgado
Godzila
Calangão
Perfume de Mulher
Cherim de Cabocla
Tora, Tora, Tora!
Ôxente, Ôxente, Ôxente!
Mamãe Faz Cem Anos
Mainha Nun Morre Mais
Guerra nas Estrelas
Arranca-Rabo no Céu
Um Peixe Chamado Wanda
Um Lambari Cum Nome di Muié
A Noviça Rebelde
A Beata Increnquêra
O Corcunda de Notre Dame
O Monstrim da Igreja Grandi
O Fim dos Dias
Nóis Tâmo é Lascado
Um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita.
Um Cabra Pai D'égua di Quem Ninguém Discunfia
Os Filhos do Silêncio
Os Mininu du Mudim
A Pantera Cor-de-Rosa
______________________________________
ALI BABÁ E OS 40 LADRÕES
O leão Viado
_________________________________________
GUVÊRNO DO CUMPANHÊRO LULA

Paulo Braccini
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Minha intimidade com a Marida!


Ontem, depois de todas as comemorações das BODAS, eu e a Marida conversávamos antes de dormir:
- Wander! eu tenho 59 anos e estou cheio de dores e problemas. Você que é dois anos MAIS velho, como é que se sente?
- Ah! AMOR!Como um recém-nascido.
- Como um recém-nascido?! – perguntei!
- É. Sem cabelo, sem dentes e acho que acabei de mijar nas calças.
- Ô dó gentennn!!!


A todos que ontem por aqui passaram, anônimamente ou com o seu comentário, o nosso muito obrigado. 
Efetivamente, 36 anos de relacionamento não são 36 dias. 
O carinho de voces nos revigora em nossa caminhada. 
Paulo Braccini e Wanderley Elian

Paulo Braccini
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domingo, 26 de setembro de 2010

Ao meu Amor!


Simples assim ...


Hoje completamos 36 anos de nossa caminhada de vida. Obrigado querido. Te Amo!

Paulo Braccini
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sábado, 25 de setembro de 2010

Preparando para os 36 anos de casamento . Parte III


A gripe do Ricardão

Minha Marida, voltando de uma viagem de negócios, entra em um táxi no aeroporto. 
Enquanto se dirigem para casa, ele pergunta ao taxista se ele topa ser testemunha, pois, suspeita que EU esteja tendo um caso e pretende flagrar-me no ato. 
O motorista concorda e ao chegarem silenciosamente à nossa casa, sobem pé ante pé
até o quarto. Minha marida acende as luzes, arranca o cobertor e lá estou eu na cama com outro cara. 
A marida coloca a arma na cabeça do homem nu. 
EU grito: 
- Não faça isso!
Este homem tem sido muito generoso! Eu menti para você quando disse que herdei dinheiro. Foi ele quem pagou o BMW que eu comprei para você. Ele pagou também o nosso iate novo, foi ele quem comprou e mantém a nossa casa em Angra dos Reis e comprou o nosso título do Yate Tênis Club!!! 
Perplexo, minha marida abaixa a arma. 
Olha para o taxista e pergunta: 
- O que você faria? 
O motorista responde: 
- Eu o cobriria logo com o cobertor, antes que ele pegue uma gripe.

Paulo Braccini
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Preparando para os 36 anos de casamento . Parte II



Sexo na Melhor Idade
Depois que li isto, fiquei muito preocupado com a Marida. Preciso ter mais cuidado. 
Devido ao falecimento do avô, aos 96 anos, o jovem neto vai fazer uma visita de pêsames à sua avó de 59 anos. 
Quando chega, encontra a Vovó chorando e tenta confortá-la. 
Um pouco depois, quando vê a avó mais calma o neto pergunta:
- Vovó, como morreu o vovô?
- Morreu ao fazermos amor - confessa a avó.
O neto, espantado, responde-lhe que as pessoas de 96 anos ou mais, não deveriam fazer amor porque é muito perigoso.
Ao que a avó responde:
- Mas nós só fazíamos aos domingos, já há cinco anos, e com muita calma, e sempre ao compasso das badaladas do sino da Igreja. 
Era ding para pôr e dong para tirar...
Se não fosse o f d p do sorveteiro com o seu sininho, o seu avô ainda estaria vivo!!!






Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Eita Blogger de Merda!!!



De novo este Blogger dá pau e não lança as nossas atualizações. 
Muito Puto! Mas enfim! 
Se isto não resolver vou falar com a Dilma! aff!!!

O post de hoje está logo aí a baixo!!! 

Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

Preparando para os 36 anos de casamento . Parte I

Faltam 03 dias para que eu e a Marida completemos 36 anos de casamento.
Para celebrar este evento com toda a pompa que ele merece, inicio hoje,
a trilogia de preparação.

Para quem sempre me pergunta qual o segredo, vai aqui a dica:
"É só aprender a dormir de conchinha!!!


Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O Cocô!

Este post é dedicado, como prova de muito amor e carinho, ao querido amigo AD!
Cagar é algo inerente ao SER. Todos nós, em algum momento do dia, somos obrigados a nos instalar como rei em um trono e ali, em completa solidão, descarregarmos nossos dejetos. Interessante neste processo é que, ao final, todos, sem excessão, dá aquela conferida sobre o tipo de obra que acabou de realizar. Feita esta observação apurada vem o diagnóstico:




COCÔ AMOROSO
Apegado, não quer sair de perto, mesmo após várias descargas.

COCÔ AVC
Aquele que requer tanta força para sair,que você quase tem um derrame.

COCÔ BOMBA
Carga explosiva que cobre todo o vaso, com uma camada extra de respingos.

COCÔ CADÁVER
Aquele que você encontra no vaso,no dia seguinte, em decomposição.



COCÔ CARNAVAL
Só sai em bloco.

COCÔ CHICLÉ
Presente, resistente e persistente a diferentes tipos de limpeza.

COCÔ ESPIGA
Sai raspando e rasgando tudo, tirando lágrimas e sangue.

COCÔ FALSO
Você tem certeza que é, porém ele te engana com um “pum”.

COCÔ FANTASMA
Você sente sair, ele deixa sua marca no papel higiênico, mas nenhum vestígio no vaso.

COCÔ FETTUCINI
Só sai em tiras.

COCÔ FILHO
Tão vistoso, perfeito, saudável, que dá pena mandar embora.

COCÔ IOIÔ
É o que após grande esforço, vai sair, você relaxa e ele volta.

COCÔ LIXO
Odor fatal que destrói e interdita os banheiros.

COCÔ PARTO
Demora horas e necessita uma força enorme para sair

COCÔ QUERO MAIS
Depois de finalizado o processo, nota-se que algum ficou para trás.

COCÔ SUPER
Aparece prontamente, antes mesmo de
você chamar ou poder segurar…

COCÔ TEIMOSO
Recusa a não sair, por mais que você se esforce.

COCÔ TORPEDO
Tão grande e avassalador que faz estrago na sua saída e congestiona o vaso.

COCÔ TARZAN
Sai e fica pendurado balançando.
créditos das imagens para Perguntas Cretinas.

Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Estórias do Mundo


Fox! Um colecionador de estórias! Mas, antes de tudo, um amigo que a Blogsville apresentou e que o tempo me ensinou a admirar. Hoje o seu Blog Estórias do Mundo completa 05 anos. Como forma de participar desta festa posto uma estória que ainda não está em sua coleção.

Escrever não é uma coisa fácil, mas poderia ser se me questionasse menos.

Sabe, a minha cabeça às vezes me prende e eu me vejo pensando, pensando, analisando.

Não tenho a simplicidade para só ter a mim e ao momento.

Não sei, mas sempre sinto uma reserva sutil, um receio qualquer. E não quero que seja assim.

Quero que a voz original, que é linda, chegue até as pessoas sem subterfúgios, sem cortes ou censuras.

Mas isto é extremamente difícil...

Não alcanço ainda a simplicidade, a liberdade real onde se flutua acima das circunstâncias e dos pensamentos que condicionam as atitudes.

Quero deixar que a vida me arraste. Tornar-me leve o bastante para ir no vento ou fluir como o rio.

Vou então aos poucos me ensinando a viver em perspectivas de infinito, sem estar me debatendo nos limites das situações.

Por isto, ando a procurar em mim, maiores espaços para olhar, para ver a beleza sem reservas, que pode estar além dos meus olhos.

Espaços onde estão contidas manifestações puras e verdadeiras, embaladas por emoções e desejos inexprimíveis ao nível do diálogo.

Resolvi então escrever e colocar, meio que solto, alguns dos meus delírios.

Não os tenha por simplesmente matéria; não, eles não são assim; foram escritos com uma dose de emoção, uma pitada de desejo e uma porção de verdade.

Pretensões poéticas? Nenhuma.

Apenas manifestações esparsas, movidas por tremores interiores. Mas gosto disso; ir soltando as coisas sem pressa, mansamente, com a certeza de que as emoções não se diluem com o final das horas do dia.

Sabe, também estou feliz. De vez em quando grito. Mas não grito alto não.

Eu quero um montão de frases curtas. De parágrafos também. Só a metade, o resto seria luz (branco)... Isto é bonito.

Olho pela janela e vejo as estrelas, a noite não está fria e eu penso.

"Vontade de ter um gato que não fosse chato ou um rato de nome Bisqui. Um filme para ver, uma boca para beijar, um sonho para sonhar".

Mas percebo que tudo está em seu lugar: lua, gente, barulho, crianças, guardas, pó, ecos, vento, árvores, casa, jardins. Reflexos e imaginações de vida.

Acho melhor parar por aqui com isto. Vislumbro uma tangente em minha direção. É um fogo. As palavras são como fogo, e as tangentes simulam verdades.

Mas é bom. É bom dizer coisas soltas!

Sinto que me disparo num vôo louco e calmo ...

Sabe, de repente percebo que sempre sentirei saudades. É um negócio bonito: como se fosse eterno... É que a memória eterniza os momentos que são belos. São luzes que brilharão para mim em momentos inesperados e eu me sentirei bem ...


ps: Nem sei se isto tem a cara do Fox e do Estórias do Mundo ... mas está valendo ... pelo menos investi toda minha emoção. Bjux querido amigo.


Paulo Braccini
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Eufemismo




Coisas como "verdade acima de tudo, sempre", não me convencem nem me atraem. A vida não é assim, as coisas não funcionam desse jeito, nenhuma organização vive essencialmente disso. Se eu estou pregando a cafajestagem? Não, não estou (admitiria, se estivesse). O que faço é optar pela diplomacia, pela presença de espírito, pela rapidez do pensamento, e até pela bondade.
Se uma pessoa, ameaçando dar um tiro na própria cabeça, pode ser "resgatada" por uma verdadezinha maquiada (do tipo "Eu ainda te amo!"), não seria uma covardia não dizê-la? (Mais tarde, com a situação sob controle, começa-se a aplicação da técnica do gato que subiu no telhado : fala-se sobre os diversos tipos de amor, sobre as transformações que os sentimentos sofrem, e blá-blá)
Se podemos salvar nossa própria vida, colocada em risco por um assassino passional em potencial, com uma arma apontada para a nossa cara, vamos preferir ter nossos miolos espalhados pela sala (manchando o sofá, inclusive), do que dizer "Nunca te traí, juro!" ? (Depois, com o vivente calmo e desarmado, explica-se, por exemplo, que traição implica em sentimentos, que apenas tesão não qualifica o ato como traição, e outras coisas do gênero, se for o caso. O des-"enrolar" da coisa depende do talento e da cara-de-pau que Deus deu a cada um).
Claro que usei exemplos extremistas, gosto de dramatizar um pouco, "faz parte do meu show", mas, em menor escala, pessoas pensantes, que sabem que viver não é igual a resolver uma equação matemática, que têm a consciência de que verdades são relativas, personalizáveis, variáveis, que acompanham prismas, sentimentalidades, necessidades, fraquezas, carências e conveniências, fazem muito melhor uso dela do que as que se intitulam sinceras de plantão.
Podemos evitar desde grandes tragédias até simples aborrecimentos (como DR's e afins) se soubermos colorir as informações com tons mais alegres.
Não é mentira, é racionalização dos fatos.

por Luna Sanchez do Blog Palavras ... Apenas Momentos. Vale a pena uma visita.

Paulo Braccini
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domingo, 19 de setembro de 2010

Release da Semana

Um milhão sem preconceito


Vi no Blog do amigo Melker Rúbio . Vida Coletiva.
Vamos ajudar ao Thiago a ter um milhão de amigos sem preconceitos. 
Percebam o sorriso do garoto.


E mais este também:
Pag – The Lady is Dead


Assustador, estranho, poético, sensível, sensual e envolvente.

Pag- The Lady is Dead é tudo isso misturado, é um caldeirão de sentimentos humanos. 
O resultado é a mais pura beleza de ser e de se ver.
O diretor Roy Raz superou todas as barreiras da criação. 
A diversidade vista no vídeo, algumas retratadas metaforicamente, é realmente chocante.
Vocês podem dizer “o vídeo é uma viajem" e eu concordo com vocês, 
pois é uma viajem com um sentido peculiar, inigualável.


Alegria


Uma homenagem recebida do amigo Ediney Santana do Blog Non, Je ne Regrette Rien 
Obrigado querido.

Ediney Santana


Nós acreditamos em Salivação



A nova campanha publicitária dos sorvetes Federici na Inglaterra está dando o que falar. 
E parece que foi feita sob medida para a visita do papa no próximo final de semana.
A seleção de temas polêmicos não poderia ser melhor. 
Dois padres, um branco e um negro, quase se beijando, com o slogan "nós acreditamos em salivação". Hum...!
Ou uma freira grávida, com o slogan "concebido de forma imaculada".
A igreja, obviamente, está em polvorosa. 
Até imagino a correria no Vaticano, batinas correndo pra lá e pra cá, sapatinhos Prada a subir e descer escadas nervosamente, caras e bocas de indignação - e lá no fundo aquele sorrisinho maroto de quem achou as fotos deliciosamente impudicas e despudoradas, e irresistivelmente provocantes.
Só faltou mesmo colocarem padres com garotinhos 
para completarem todo o leque de pecados sexuais do clero. Mas aí seria óbvio demais.
Agora com licença que eu vou sair para tomar um sorvete. 
Eu também acredito em salivação.



Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ele era uma Brastemp


Ceyton Cabral é de Olinda/Pernambuco. 25 anos, jovem redator publicitário e ator. Poderia ser um excelente professor de ciências, um dentista competente e que não põe medo nas crianças, um ortopedista de primeira, um psicólogo de sucesso ou um repórter convincente. Mas tenho um caso de amor com as palavras e não pretendo terminar esse romance nunca mais. De seu Blog Cleytudo extraí e adaptei isto:

Ele tinha uma coisa que eu não sei explicar assim uma coisa que me roubava a atenção, algo fora do lugar, talvez o nariz um pouco grande demais, talvez a marca da BCG um pouco grande demais, não sei. Tudo bem, eu tenho uns gostos bem esquisitos. Quem é o louco que repara numa marca de vacina? Eu. Gostava quando ele recitava poesias enquanto cavalgava no meu membro. Pessoa, Neruda, Vinicius, Drummond, Leminski saindo da boca dele com o cheiro do meu sêmen. Eu fazia o movimento a cada respiração dele, entre uma palavra e outra. Eu sabia o momento em que estava para terminar, ele sempre gozava quando findava o poema. Era lindo. As palavras galopantes, cortadas já, à beira do abismo. Meninos esquisitos me tiram do sério.

Adaptado de Ceyton Cabral

Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Anotações Insensatas


Mas não se pode agir assim, a amiga avisou no telefone. Uma pessoa não é um doce que você enjoa, empurra o prato, não quero mais. Tentaria, então, com toda a delicadeza possível, sem decidir propriamente decidiu no meio da tarde — uma tarde morna demais, preguiçosa demais para conter esse verbo veemente: decidir. Como ia dizendo, no meio da tarde lenta demais, escolheu que — se viesse alguma sofreguidão na garganta, e veio — diria qualquer coisa como olha, tenho medo do normal, baby.
Só que, como de hábito, na cabeça (como que separada do mundo, movida por interiores taquicardias, adrenalinas, metabolismos) se passava uma coisa, e naquele ponto em que isso cruzava com o de fora, esse lugar onde habitamos outros, começava a região do incompreensível: Lá, onde qualquer delicadeza premeditada poderia soar estúpida como um seco: não. E soou, em plena mesa posta.
Tanto pasmo, depois. Sozinho no apartamento, domingo à noite. Todas as coisas quietas e limpas, o perfume adocicado das madressilvas roubadas e o bolo de chocolate intocado no refrigerador — até a televisão falar da explosão nuclear subterrânea. Então a suspeita bruta: não suportamos aquilo ou aqueles que poderiam nos tornar mais felizes e menos sós. Afirmou, depois acendeu o cigarro, reformulou, repetiu, acrescentou esta interrogação: não suportamos mesmo aquilo ou aqueles que poderiam nos tornar mais felizes e menos sós? Não, não suportamos essa doçura.
Puro cérebro sem dor perdido nos labirintos daquilo que tinha acabado de acontecer. Dor branca, querendo primeiro compreender, antes de doer abolerada, a dor. Doeria mais tarde, quem sabe, de maneira insensata e ilusória como doem as perdas para sempre perdidas, e portanto irremediáveis, transformadas em memórias iguais pequenos paraísos-perdidos. Que talvez, pensava agora, nem tivessem sido tão paradisíacos assim.
Porque havia o sufocamento daquela espécie de patético simulacro de fantasia matrimonial provisória, a dificuldade de manter um clima feito linha esticada, segura para não arrebentar de súbito, precipitando o equilibrista no vazio mortal. Cheio de carinho, remexeu no doce, sem empurrar o prato. Preferia a fome: só isso. Pelo longo vício da própria fome — e seria um erro, porque saciar a fome poderia trazer, digamos, mais conforto? — ou de pura preguiça de ter que reformular-se inteiro para enfrentar o que chamam de amor, e de repente não tinha gosto?
De onde vem essa iluminação que chamam de amor, e logo depois se contorce, se enleia, se turva toda e ofusca e apaga e acende feito um fio de contato defeituoso, sem nunca voltar àquela primeira iluminação? Espera, vamos conversar, sugeriu sem muito empenho. Tarde demais, porta fechada. Sozinho enfim, podia remexer em discos e livros para decidir sem nenhuma preocupação de harmonia-com-o-gosto-alheio que sempre preferira um Morrison a Manuel Bandeira. Sid Vicious a Puccini. A mosca a Uma janela para o amor, sempre uma vodca a um copo de leite: metal drástico. Era desses caras de barba por fazer que sempre escolherão o risco, o perigo, a insensatez, a insegurança, o precário, a maldição, a noite — a Fome maiúscula. Não a mesa posta e farta, com pratos e panelas a serem lavados na pia cheia de graxa — mas um hambúrguer qualquer para você que escrevo. Mas os escritores são muito cruéis, você me ama pelo que me mata com coca-cola no boteco da esquina, e a vida acontecendo em volta, escrota e nua.
Não muito confuso, assim confrontado com sua explícita incapacidade de lidar com. A palavra não vinha. Podia fazer mil coisas a seguir. Mas dentro de qualquer ação, dentes arreganhados, restaria aquela sua profunda incapacidade de lidar com. Um instante antes de bater outra, colocar uma velha Billie Holiday e sentar na máquina para escrever, ainda pensou: gosto tanto de você, baby. Só que os escritores são seres muito cruéis, estão sempre matando a vida à procura de histórias. Você me ama pelo que me mata. E se apunhalo é porque é para você, para você que escrevo — e não entende nada.

Caio Fernando Abreu . Anotações Insensatas


Paulo Braccini
enfim! é o que tem pra hoje...

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